Capítulo 164: Infiltrando-se no Covil do Inimigo
Depois que o corpo da mulher foi levado, Alina e Raja ficaram na sala de interrogatório, agora cheia com o cheiro de sangue e pólvora. Mas não havia tempo para lamentar, cada segundo poderia significar uma vida.
"Tem algo que eles não apagaram", Alina disse. "Ela era uma assassina de aluguel. Uma profissional. Mas ela estava aterrorizada. Isso significa que ela sabia de algo crucial."
Raja assentiu. "Vamos verificar tudo o que ela tinha com ela."
Um guarda trouxe uma pequena bolsa que havia sido confiscada durante sua prisão. Alina abriu com cuidado. Dentro: um telefone velho, sem cartão SIM. Uma foto desbotada dobrada quatro vezes, aparentemente impressa em preto e branco. Um canivete, uma grande nota de moeda estrangeira e um pequeno pedaço de papel cheio de números e símbolos.
Alina pegou a foto primeiro. Ela a desdobrou suavemente. Nela, um rosto familiar, Mella, estava ao lado de um homem de meia-idade de terno. Ao fundo, o logotipo de uma organização internacional de filantropia médica.
"Mella fez parte disso?" Alina sussurrou.
Raja pegou o papel com os números. "Isso... parece um código. Talvez uma programação ou coordenadas. Precisaremos de um especialista em análise forense cibernética para decifrá-lo."
Alina assentiu. "Envie para Reynard. Diga a ele para decifrar rápido."
Então, ela examinou o telefone velho. Sem contatos, sem mensagens. Mas em uma pasta oculta, havia um arquivo de áudio. Ela o tocou. Uma voz profunda veio, digitalmente alterada.
"Alvo: Aileen Monroe. Parem ela antes do segundo julgamento. Não a deixem falar. Use qualquer meio necessário."
Raja se contorceu. "Eles gravaram a ordem de matar…"
"E agora temos a prova de que Mella não era a mente criminosa. Ela era apenas a executora de alguém muito mais alto", Alina sussurrou.
Raja olhou para ela sério. "Precisamos descobrir quem é aquele homem na foto. E quem deu a ordem de assassinato."
Alina olhou para o logotipo da organização na foto. "Eu acho... a resposta está em algum lugar que menos esperamos no próprio mundo médico."
Alguns dias depois do tiroteio na sala de interrogatório, Alina e Raja começaram a planejar uma missão perigosa: se infiltrar na organização médica filantrópica na foto com Mella.
A organização era conhecida como GlobalMed Humanity, um grupo de ajuda internacional que atua na área de saúde e pesquisa médica. Sua reputação era impecável aos olhos do público, mas muitos sinais de alerta surgiram desde que seu nome entrou no caso.
A infiltração começou. Alina usou suas antigas conexões no mundo médico para conseguir um convite para uma conferência da GlobalMed em sua sede regional, um prédio grandioso no centro da cidade, fechado ao público.
Disfarçada de Dra. Livia Arshad de uma instituição de pesquisa estrangeira, Alina entrou sorrateiramente. Ela usava óculos transparentes, seu cabelo preso em um coque arrumado e uma identidade falsa com aparência autêntica. Do lado de fora, Raja e sua equipe de vigilância esperavam em uma van preta.
Uma vez lá dentro, Alina imediatamente sentiu que algo estava errado. A equipe era educada na superfície, mas seus olhos eram frios. Alguns corredores eram fortemente guardados. Um nível de porão não correspondia aos planos do prédio compartilhados pela equipe de Raja.
Durante uma visita guiada, Alina roubou alguns minutos para entrar na sala de dados interna. Rapidamente, ela vasculhou os arquivos digitais da organização.
Depois de vários minutos, ela encontrou os registros antigos da equipe. Lá estava o homem da foto. Nome: Dr. Volkov. Título: Chefe de Experimentos Clínicos Especiais. Status: Inativo por dois anos.
Mas algo estava errado. Todos os documentos afirmavam que o Dr. Volkov desapareceu voluntariamente e não tinha mais ligações com a organização. No entanto, um e-mail excluído, mas recuperável, chamou sua atenção.
"Volkov ainda está ativo. Não faça login no sistema. Ele está trabalhando na Baía 17. Acesse apenas L5+. — R"
Alina enviou os dados para Raja. Um momento depois, ela recebeu uma mensagem. "Baía 17 é sua instalação secreta no antigo porto. Precisaremos de mais do que disfarces para entrar. A verdadeira caçada começa agora."
Ela rapidamente fechou o laptop e se juntou ao grupo da turnê como se nada tivesse acontecido. Mas, na distância, uma mulher com uniforme da equipe a observou por muito tempo e, em seguida, ativou um pequeno dispositivo de comunicação em sua gola.
Alina continuou andando, fingindo calma apesar da batida no peito. Ela podia sentir o olhar da mulher atrás dela agora, desta vez, nem mesmo tentando esconder a suspeita.
A visita chegou ao salão principal. O guia começou a apresentar os laboratórios de pesquisa abertos. Mas Alina sabia que não tinha muito tempo restante. Em minutos, sua cobertura seria explodida.
Cinco passos para a direita. Saída de emergência. Rota de fuga mais rápida. Ela fingiu atender uma ligação e se afastou lentamente. Mas antes que ela pudesse se mover muito, uma voz fria a interrompeu.
"Dra. Livia… podemos verificar sua identidade?"
Alina se virou. Dois guardas de segurança de terno preto estavam atrás dela. Sem sorrisos. Rapidamente, Alina apertou o botão de alarme na parede, não para pedir ajuda, mas para causar o caos.
BLAARR!
Sirenes soaram alto. O salão mergulhou em pânico quando as pessoas se espalharam. Na confusão, Alina chutou um dos guardas, agarrou sua mochila e correu para as escadas de emergência.
"PEGUEM ELA!" um membro da equipe gritou.
Ela desceu três andares correndo, passos pesados trovejando atrás dela. Ela irrompeu pela porta da escada em um corredor de serviço estreito raramente usado. A voz de Raja estalou em seu fone de ouvido.
"Temos seu sinal. A equipe está no estacionamento norte. Saída no final do seu corredor, doze horas."
Alina sorriu. "Mande lembranças minhas para Volkov. Estamos apenas começando."
Ela empurrou uma porta de metal enferrujado para o ar livre, o vento frio chicoteando seu rosto. Uma van preta esperava com a porta aberta. Mas, quando ela se aproximou, uma bala atingiu o poste de metal ao lado dela. Outro atirador.
Raja correu para fora da van, puxou-a para trás do veículo. "Você está bem?!"
"Estou bem. Mas eles me identificaram."
Raja olhou para o prédio. Do telhado, uma figura de preto desapareceu atrás de uma ventilação. "Eles estão ficando nervosos."
Alina respirou fundo. "Isso significa que estamos no caminho certo."
Noite. O Porto Velho. Zona Industrial. Baía 17. Garoa, luzes da rua refletindo em poças. O porto parecia sem vida, mas o sensor térmico de Raja captou movimento dentro de um armazém isolado, Baía 17.
Alina usava uma roupa tática preta, com o cabelo preso. Raja estava ao lado dela, verificando armas e equipamentos. Sem equipe grande, esta era uma missão silenciosa, profundamente pessoal.
"Todas as comunicações estão bloqueadas lá dentro", disse Raja. "Mas um dos satélites espiões dos meus contatos está observando de cima."
Alina assentiu. "E se não sairmos em uma hora?"
"Minha equipe invade e incendeia este lugar."
Eles se infiltraram por uma via navegável imunda na parte de trás, rastejando por antigos canos de lixo, antes usados para descarte de resíduos médicos. O cheiro era insuportável, mas a passagem não estava guardada.
Eles emergiram no subsolo da Baía 17. Mas não parecia um armazém. O chão estava limpo, as luzes ativadas por movimento e os corredores alinhados com laboratórios ocultos.
Eles se esgueiraram por corredor após corredor, até encontrarem uma sala de controle cheia de monitores. Na tela: vídeos de vigilância de Mella, experimentos médicos ilegais, execuções de denunciantes. E no centro de tudo, Dr. Volkov. Vivo. Liderando tudo.
Alina congelou. "Ele não é um fugitivo. Ele é o mentor."
De repente, uma voz estrondosa ecoou pelos alto-falantes da sala. "Bem-vinda, Alina Monroe. Eu estava esperando por você."
Os olhos de Alina se arregalaram. Ela olhou para Raja. "Eles sabiam que estávamos vindo."
Portas automáticas se fecharam. Alarmes gritaram. "Você cavou muito fundo, Alina. Mas esta noite… você não sairá daqui viva."
Guardas armados começaram a se aglomerar dos dois lados. Raja puxou Alina para a sala do servidor e trancou a porta.
"Se não pudermos escapar… levamos tudo conosco", disse Alina, conectando um disco rígido externo para baixar todos os arquivos do sistema.
Balas começaram a bater na porta. Raja mirou sua arma. "Se necessário, vamos sair da maneira mais louca: pelo telhado."
Alina deu um leve sorriso. "Pelo menos agora sabemos quem destruir."