Capítulo 50: Missão na Tempestade
“Tamo chegando no ponto onde a vítima sumiu,” a voz do capitão da equipe de resgate ecoou no fone.
**Alina** apertou o cinto, olhando pela janela do helicóptero enquanto ele avançava na tempestade de neve furiosa. De cima, tudo o que ela conseguia ver era uma extensão sem fim de branco.
Montanhas cobertas de gelo se erguiam, criando uma paisagem fria e implacável. Não havia sinais de vida, apenas a escuridão engrossando com o passar do tempo.
“Preparem-se,” o capitão ordenou. “Não tem lugar pra pousar. Vamos ter que descer direto.”
**Alina** trocou olhares com os outros membros da equipe médica. Eles sabiam que essa missão era perigosa, mas ouvir a confirmação de que eles teriam que pular no desconhecido ainda fazia seus peitos apertarem.
A neve lá embaixo era imprevisível – muito funda, muito frágil. Um passo errado, e eles podiam ser enterrados ou presos numa fenda de gelo.
Mas não tinha tempo pra hesitar. **Alina** puxou o casaco com mais força, garantindo que seu equipamento médico estivesse bem preso ao corpo.
“Tô pronta,” ela falou, a voz firme apesar do coração batendo forte.
A tempestade continuava lá fora. Mas, no meio do vento uivante, uma coisa era clara – a vida de alguém estava esperando pra ser salva.
Sem hesitar, **Alina** foi pra frente. Não era só sobre resgatar a vítima. Era também sobre sobreviver ao jogo mortal que estava rolando ali.
O tempo deles era curto. Uma segunda tempestade podia bater a qualquer momento. **Alina** e a equipe de resgate desceram imediatamente. Apesar de ser médica, suas habilidades de alpinismo com corda eram tão profissionais quanto as de um socorrista treinado. Até as equipes médica e de resgate ficaram impressionadas com sua capacidade.
“**Doutora Aileen**, você manda muito bem no rapel. Já treinou pra isso antes?”
**Alina** só sorriu, tentando esconder o nervosismo dentro do corpo da **Aileen**.
‘Essa gata deve estar fazendo rapel de um helicóptero pela primeira vez,’ ela pensou.
Eles foram pra frente, navegando no terreno nevado e implacável. O vento congelante mordia a pele deles, enquanto suas pegadas sumiam gradualmente sob a neve contínua.
**Alina**, a única mulher da equipe, lutava pra manter o ritmo com os homens na frente. A respiração dela estava pesada, mas ela se recusou a ficar pra trás.
“Vamos, **Aileen**! Você não é fraca, né?” um dos seus colegas gritou. “Mostra que você consegue ser forte igual a gente!”
A mandíbula dela travou. Ela sabia que eles não queriam menosprezá-la, mas o orgulho dela ainda queimava. Com uma determinação renovada, ela acelerou o passo, empurrando na neve até o joelho.
Eles não podiam desistir. Em algum lugar ali fora, alguém estava lutando pela vida.
“Aqui,” o líder da equipe falou, apontando pra um ponto no mapa. “Essa foi a última localização conhecida do alpinista antes de desaparecer. A gente precisa encontrar ele… antes que seja tarde demais.”
Todo mundo se espalhou imediatamente, procurando pelo terreno coberto de neve. Cada passo era pesado, mas eles não tinham escolha. O tempo tava acabando, e se o alpinista tivesse sido enterrado, cada segundo importava.
“O último sinal foi por aqui!” um dos socorristas gritou, seus olhos atentos escaneando a extensão branca.
Se a vítima tivesse sido levada por uma avalanche, as chances de sobrevivência eram poucas. O frio era um assassino mais cruel do que um deslizamento de terra comum – ele congelava o corpo por dentro, roubando cada respiração até que só restasse a escuridão.
Eles tinham que encontrar ele agora, antes que a neve os enterrasse pra sempre.
**Alina** rangeu os dentes, seus olhos escaneando cada centímetro da neve grossa. A respiração dela vinha em respirações curtas, misturando com o ar gélido que queimava seus pulmões.
“Vê alguma coisa?” a voz do líder da equipe crepitou no rádio.
“Nada ainda! A neve tá muito funda, todas as pegadas sumiram!” outro colega respondeu.
**Alina** enfiou a mão no bolso do casaco, tirando um scanner térmico. Se o alpinista ainda estivesse vivo, o calor do corpo dele ainda devia ser detectável. Com as mãos tremendo, ela apertou o botão e passou o scanner pela área.
Segundos se passaram. Nenhum sinal de vida.
“Não… ele tem que estar aqui.”
De repente, o aparelho apitou. Uma leve assinatura de calor apareceu sob a neve, uns dez metros na frente.
“Alô?! Se você puder nos ouvir, aguenta firme!!” **Alina** gritou com toda a força dos pulmões.
Sem esperar ordens, ela correu pra frente, cavando na neve com as mãos nuas, arranhando desesperadamente. Os outros seguiram rápido, usando pás e outras ferramentas.
Dois minutos. Cinco minutos. Dez minutos.
Então… alguma coisa surgiu do abismo branco.
“Aqui! Achei alguma coisa!” A voz da **Alina** tremia.
Enquanto mais neve era removida, um corpo apareceu. A cara deles estava pálida, os lábios ficando azuis, mas—
“Eles ainda estão respirando!”
Alívio e urgência se misturaram. Mas não tinha acabado ainda. Agora, eles tinham que tirar o alpinista de lá antes que fosse tarde demais.
“Depressa! A gente precisa se mexer!”
Sem hesitar, a equipe correu pra carregar a vítima em segurança. Mas a tempestade de neve rugiu de volta com toda a força, batendo neles sem piedade. Como se se recusasse a deixá-los escapar. O vento uivava violentamente, chicoteando a neve até que a visibilidade deles fosse quase zero.
Krssh…
Estática crepitou no rádio antes que a voz do piloto aparecesse, distorcida pela tempestade.
“A gente vai te buscar… mas… a tempestade tá muito forte! O helicóptero não consegue chegar perto agora. Aguenta firme!”
**Alina** mordeu o lábio, suprimindo o pânico que entrava no peito dela. Eles não podiam ficar ali fora por muito tempo. O frio podia matá-los mais rápido do que eles imaginavam. Os olhos dela escanearam rapidamente os arredores, procurando abrigo.
“Ali!” um dos seus colegas gritou, apontando pra uma grande formação rochosa perto do penhasco. “A gente pode se proteger atrás dela até a tempestade passar!”
Sem hesitar, eles correram pra lá, arrastando o alpinista mal consciente com eles. A neve funda fazia cada passo mais pesado, mas eles não tinham outra opção.
Uma vez lá, **Alina** imediatamente se agachou perto da vítima, suas mãos tremendo enquanto ela verificava o pulso. Frio. Muito frio.
“Hipotermia grave,” ela murmurou, vasculhando rapidamente a bolsa. “A gente precisa aquecer ele antes que ele perca a consciência completamente.”
Um dos membros da equipe tirou o casaco rápido, enrolando-o no alpinista. Os outros formaram uma barreira humana, tentando bloquear o vento que cortava até os ossos deles.
“Quanto tempo falta pro helicóptero chegar mais perto?!” alguém gritou por cima do rugido da tempestade.
O líder da equipe ligou o rádio de novo, mas só saiu estática. Sem sinal. Sem certeza de quando a ajuda chegaria.
**Alina** apertou os punhos. Eles tinham que aguentar. E essa tempestade não ia dar uma trégua tão cedo.
“A gente tem que pegar eles agora!” **Capitã Joy**, a chefe da equipe de resgate, latiu dentro do cockpit. A mandíbula dele travou enquanto ele encarava o piloto, que manteve as mãos firmes nos controles apesar da fúria da tempestade.
“Senhor, com todo o respeito, isso é suicídio!” o piloto respondeu com firmeza, segurando a manete com firmeza. “O vento tá muito forte, a visibilidade tá quase zero! Se a gente for, a gente pode perder o controle e bater no penhasco!”
**Joy** apertou os punhos. Ele sabia que o piloto tava certo. Mas ele não podia ficar ali sentado.
“Eles não vão durar muito lá fora,” a voz dele era baixa, mas cheia de determinação. “A vítima tá com hipotermia grave. Se a gente esperar muito, eles podem morrer. E minha equipe também tá em perigo.”
O piloto rangeu os dentes. Ele não era insensível, mas o risco era muito alto.
“A gente espera só mais um pouco. Na hora que tiver uma brecha na tempestade, a gente entra imediatamente,” ele finalmente falou.
**Joy** exalou forte, os olhos fixos na nevasca lá fora. A neve rodopiava violentamente, como uma armadilha mortal pronta pra consumir tudo em seu caminho.
‘Aguenta firme…’, ele pensou, o coração batendo forte. ‘Eu vou buscar vocês.’