Capítulo 89: A Luta
Os passos de **Alina** eram rápidos e cheios de emoção. Ela abriu a porta de casa e ia fechá-la de novo quando a mão de **Leo** a impediu.
'**Alina**, por favor, me escuta. Eu ainda te amo!'
A porta foi forçada a abrir. **Leo** estava na soleira, respirando pesado, com os olhos fixos na mulher. Mas **Alina** tinha chegado ao seu limite.
'Você ainda me ama?' sua voz subiu. 'Agora? Depois de tudo? Depois que você escolheu outra pessoa e me deixou assim?'
'Eu nunca parei de te amar', respondeu **Leo** rapidamente, aproximando-se. 'Eu só estava preso. Pressão da família, as circunstâncias... tudo parecia errado.'
**Alina** deu um passo para trás, segurando a fúria borbulhando dentro dela.
'Então, por que agora? Quando eu estou tentando seguir em frente. Quando eu finalmente me permiti rir de novo, você aparece e estraga tudo.'
'Essa não era minha intenção…'
'Então qual era, **Leo**? Me fazer reviver as feridas que você causou? Me oferecer os restos do seu coração depois de dar o resto para outra pessoa?'
**Leo** ficou em silêncio, paralisado na porta. As palavras de **Alina** atingiram mais forte do que qualquer tapa que ele já tinha recebido.
'Eu quero ficar sozinha', disse **Alina**, sua voz calma, mas profundamente magoada. 'Eu não preciso do seu arrependimento. Não hoje à noite. Nunca mais.'
Mas **Leo** não se moveu. Seus olhos permaneceram em **Alina**, profundos e cheios de esperança.
'Então, me deixa ficar, só por um momento', disse ele. 'Eu prometo, se depois disso você ainda quiser ficar sozinha, eu vou, de verdade.'
**Alina** olhou para ele fixamente. Mas por trás de sua firmeza, uma tempestade de emoção ainda rugia. Seu coração debateu-se, sua razão tentando vencer.
**Leo** avançou lentamente. Ele parou a poucos centímetros de **Alina**. 'Eu não vou te forçar', disse ele suavemente. 'Mas me deixe te mostrar que esse sentimento ainda é real.'
Ele se inclinou, lentamente. Dando espaço. Dando tempo.
**Alina** fechou os olhos. Seu peito apertou. Ela sabia que era a hora errada, a situação errada, mas a saudade era muito profunda. E em meio à confusão e às feridas não curadas, seus lábios se encontraram.
O beijo não foi sobre vitória ou vingança. Era sobre saudade. Sobre duas almas que um dia pertenceram uma à outra, agora só querendo acreditar de novo, nem que fosse por uma noite.
Mas quando o beijo acabou, **Alina** se afastou gentilmente. Ela olhou para **Leo** com os olhos marejados.
'Não entenda errado, **Leo**. Eu ainda estou magoada. Mas eu ainda te amo também.'
**Leo** só conseguiu balançar a cabeça, seus olhos nunca deixando **Alina**.
'Amanhã, venha comigo', disse ele suavemente, cheio de esperança. 'Eu vou provar. Não com mais promessas. Mas com ação. Eu quero que você veja por si mesma que meu coração ainda te pertence.'
**Alina** olhou para ele por um longo momento. Havia dúvida, dor, mas também uma centelha de esperança reacendendo lentamente. Ela balançou a cabeça gentilmente.
Naquela noite, eles deixaram todas as suas defesas caírem. Sem mais orgulho. Sem mais palavras cuidadosamente escolhidas. Eles conversaram. Eles riram suavemente. Eles compartilharam silêncio. E nos momentos de quietude, seus dedos se entrelaçaram, como se para garantir que o que sentiam não fosse apenas nostalgia.
A saudade que havia sido contida foi finalmente liberada. Não com pressa, mas com profunda emoção. Aquela noite foi deles. Nenhum mundo exterior. Nenhum noivo. Nenhum amigo rival. Apenas dois corações finalmente se encontrando novamente através da dor compartilhada.
Amanhecendo através da janela, **Alina** abriu os olhos calmamente. A luz da manhã tocou seu rosto suavemente, como se estivesse sussurrando uma nova esperança. Mas por dentro, a tempestade não tinha realmente passado.
Hoje era o dia que supostamente seria um ponto de virada. Um novo começo. Ou talvez um final mais honesto.
Ela olhou para o homem ao seu lado, **Leo**. Ainda dormindo, respirando pacificamente, como se nenhum fardo pesado o esperasse. Seu casamento. Ou o casamento que deveria ter acontecido.
Eles se prepararam em silêncio. Não muitas palavras, apenas olhares pedindo confiança. E **Alina** optou por acreditar, embora seu coração ainda carregasse cicatrizes.
Eles chegaram ao salão de casamento quando os convidados já estavam enchendo os assentos. Música suave tocava. Flores brancas adornavam o local. Tudo parecia perfeito para uma celebração que eles não deveriam comparecer como um casal.
Mas o que tirou o fôlego de **Alina** não foi a grande decoração ou os convidados de alto nível. Foi **Leo**, que pegou sua mão e se sentou ao lado dela entre os convidados. Não no altar. Não como noivo.
**Alina** se virou para ele, estreitando os olhos. '**Leo**, você não ia casar com **Lucy** hoje?'
**Leo** não respondeu imediatamente. Ele apenas deu um leve sorriso, então segurou a mão de **Alina** com mais força.
'Não', ele sussurrou. 'Hoje não é o meu dia de casamento. Hoje é o dia em que me liberto. E começo algo novo com você. Se você ainda me quiser.'
**Alina** olhou para **Leo**, confusa. 'O que você quer dizer?'
Antes que **Leo** pudesse explicar, as portas do salão de casamento se abriram. Um homem entrou com passos confiantes, **Elandra**. O homem que um dia ficou ao lado de **Lucy**. Mas seu relacionamento havia terminado devido às circunstâncias.
**Lucy** estava no altar, hesitante no início. Mas no momento em que viu **Elandra**, seus olhos se encheram de lágrimas. Um sorriso que ela não conseguia conter se espalhou por seu rosto.
Todos os convidados ficaram atordoados. Sussurros percorreram a multidão. Então **Leo** se levantou, foi para a frente e pegou o microfone do mestre de cerimônias.
'Hoje não é um casamento falso planejado por nossos pais', disse ele ousadamente. 'Hoje é um dia de verdade. Eu escolho não viver na mentira, e **Lucy** merece ser feliz com quem ela realmente ama.'
Ele se virou para **Lucy**, depois para **Elandra**. '**Lucy**, este é o seu momento de escolher. E eu espero que você escolha seu coração.'
**Lucy** olhou para **Leo**, depois se virou para **Elandra**. Sem uma palavra, ela se afastou do altar e segurou a mão de **Elandra** com força.
Aplausos irromperam. Alguns em choque, alguns em alívio. Mas **Alina** só conseguiu ficar parada. Seus olhos se encheram de lágrimas. Isso era real. **Leo** havia cumprido sua promessa.
**Leo** desceu do palco e voltou para **Alina**. 'Eu não quero te fazer minha secreta, **Alina**. Eu quero lutar por você, na frente de todos. Se você ainda me deixar.'
Lágrimas rolaram pelas bochechas de **Alina**, mas um sorriso floresceu junto com elas. Ela balançou a cabeça, lentamente. 'Agora eu acredito.'
O casamento continuou, cheio de emoção e sorrisos aliviados. **Lucy** e **Elandra** pareciam realmente felizes, como se nenhum fardo do passado restasse.
Quando os convidados começaram a sair, **Lucy** e **Elandra** se aproximaram de **Leo** e **Alina**. Seus sorrisos eram sinceros, e os olhos de **Lucy** pareciam mais calmos do que nunca.
'Obrigada, **Leo**. Por me deixar escolher meu próprio caminho', disse **Lucy** gentilmente.
Mas **Leo** balançou a cabeça com um pequeno sorriso. 'Eu deveria ser quem está te agradecendo. Por ser louca o suficiente para aceitar toda essa encenação só para testar alguém.'
**Alina**, parada ao lado dele, arregalou os olhos. 'O que você quer dizer?'
**Leo** riu, mas antes que pudesse responder, **Alina** bateu no braço dele com brincadeira. Não com força, mas o suficiente para fazê-lo estremecer dramaticamente.
'Então isso tudo foi só um teste?' **Alina** franziu a testa. 'Meu Deus, **Leo**. Você acha que meu coração é uma espécie de experimento?'
**Leo** sufocou uma risada, então olhou para **Alina** com ternura. 'Eu nunca tive certeza se você ainda me amava até ver o quanto você lutou para conter sua decepção. E eu sabia que queria correr esse risco de novo, desta vez para sempre.'
**Alina** suspirou, irritada, mas um sorriso lentamente apareceu em seu rosto. 'Se você aprontar de novo, eu não vou só bater no seu braço. Eu vou te chutar da minha vida.'
**Leo** riu. 'Fechado. Mas eu prometo, eu nunca vou te dar um motivo para isso.'
Atrás deles, **Lucy** e **Elandra** trocaram olhares e riram. A felicidade deles era simples, mas sincera. Um final feliz para corações que há muito tempo estavam ligados pela dor.
Mas à distância, atrás da multidão que deixava o salão de casamento, um par de olhos observava atentamente. Um olhar cheio de ódio ardente, como uma chama de vingança que nunca se apagou.
Seus passos eram leves, quase silenciosos, mas por trás daquele sorriso fino, escondia-se uma fúria fervente.
'Você acha que venceu, **Alina**?' eles sussurraram para si mesmos, mal audíveis. 'Você está muito enganada…'