Capítulo 24: Um Caminho Perigoso
“Então, a gente tá mesmo arriscando a vida aqui?”
**Alina** encarou o rio na frente dela. A correnteza era forte, batendo com tudo nas pedras grandes. Ela engasgou, mas o homem atrás do volante do SUV preto continuou calmo.
O motorista, um homem na casa dos quarenta com a pele bronzeada e uma expressão vazia, só suspirou antes de pisar fundo no acelerador. O SUV avançou, entrando com tudo no rio barulhento.
“Tem certeza que isso vai dar certo?” **Alina** perguntou, com os dedos agarrados no banco com força enquanto o veículo começou a tremer violentamente.
**Leo** olhou pra ela de canto de olho. “Relaxa. Ele tá acostumado com essa rota.”
**Alina** continuou tensa. Ela nunca teve medo do perigo antes. Sua alma pertencia a um ex-chefe da máfia, alguém que era temido. Mas no corpo da **Aileen**… tudo parecia diferente.
O medo a dominou. A ansiedade rastejou pela sua mente. Até a coisa que ela mais odiava — a capacidade de sentir pena dos outros.
'Eu vou enlouquecer se isso continuar.' Sua respiração acelerou. 'Por que esse corpo é tão fraco, **Aileen**? Não é à toa que seus inimigos te caçaram tão fácil. Você é uma covarde!'
Ela engasgou de novo. Seu coração bateu mais rápido do que devia. Seus dedos — antes firmes em um gatilho — agora tremiam sem motivo.
Ela mordeu o lábio. Não. Se esse corpo era fraco, ela ia torná-lo forte.
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Eles dirigiram o dia todo, mas o local do desastre ainda não estava à vista. Quando o crepúsculo caiu, o SUV finalmente parou na beira de uma floresta densa.
O motorista, o homem de meia-idade com o rosto calmo, respirou fundo antes de falar.
“A gente para aqui.”
**Alina** franziu a testa. “Por quê? Não podemos continuar?”
O motorista balançou a cabeça. “O rio era perigoso, mas a gente conseguiu passar. Essa floresta, no entanto… essa é outra história.”
Ele gesticulou para frente. Uma trilha estreita cortava a escuridão, mal visível.
“A estrada é estreita, escorregadia, e se a gente ficar preso, não tem ajuda à noite. É muito arriscado.”
**Alina** olhou pela janela. Agora ela entendeu. Se eles se perdessem ou tivessem problemas ali dentro, as chances de conseguir ajuda eram quase zero.
“A gente continua de manhã, quando o sol estiver alto o suficiente”, o motorista continuou. “É mais seguro assim.”
**Leo**, que tinha ficado quieto o tempo todo, só balançou a cabeça. “Beleza. Eu vou buscar um pouco de lenha.”
Sem mais palavras, ele saiu do veículo. **Alina** continuou pensando.
Não era a floresta que a deixava perturbada. Algo mais estava incomodando ela. Uma sensação estranha que a dominava desde que eles se aproximaram desse lugar.
O ar estava mais frio. O vento carregava o cheiro de terra úmida. Uma coruja cantou na distância, ocasionalmente interrompida por um farfalhar fraco nos arbustos. Como se a floresta estivesse observando eles.
**Alina** exalou lentamente. Talvez seja só minha imaginação.
De repente, a voz de **Leo** chamou de longe.
“**Alina**! Pode me ajudar? Preciso de uma mãozinha!”
**Alina** se assustou. Sem pensar, ela correu em direção a ele. O que aconteceu? Algo deu errado?
“O que foi?” ela perguntou, um pouco sem fôlego.
**Leo** só deu um sorrisinho, levantando um monte de galhos secos nos braços. “Me ajuda a carregar isso”, ele disse despreocupadamente.
**Alina** fez uma careta. 'Então ele tava só de sacanagem comigo?!'
“Você fez isso de propósito, né?” ela resmungou.
**Leo** riu. “Desculpa, desculpa. Mas você veio mais rápido do que eu esperava”, ele provocou.
**Alina** bufou, mas estranhamente, sua irritação não durou muito. Tinha algo naquela companhia que parecia… reconfortante.
Silêncio caiu entre eles. Só o som de folhas farfalhando e o sussurro do vento noturno permaneceu.
Sem perceber, **Alina** fez uma pergunta que de repente surgiu em sua mente.
“Então, doutor… você já gostou de alguém?”
**Leo** fez uma pausa, depois respondeu em tom casual. “Claro. Eu gostava muito dessa garota”, ele disse enquanto arrumava a lenha.
**Alina** ficou em silêncio. Uma sensação estranha fez cócegas em seu peito. “E… o que aconteceu?” ela perguntou com cuidado.
**Leo** deu um sorriso pequeno. Mas não era um sorriso feliz. “Infelizmente, ela me rejeitou”, ele disse levemente.
**Alina** ficou chocada. Então ele já foi rejeitado por outra pessoa além de mim?
“Sério? Por quê?”
**Leo** pensou por um momento. “Não sei. Talvez ela simplesmente não curtisse homens”, ele respondeu vagamente.
**Alina** riu baixinho. “E depois disso… você gostou de outra pessoa?”
**Leo** não respondeu imediatamente. Ele sentou embaixo de uma árvore, olhando para o céu escurecendo. Quando **Alina** olhou para ele, ela viu algo em seus olhos. Tristeza. Saudades.
**Alina** engoliu em seco. “**Leo**?”
**Leo** respirou fundo.
“Nunca”, ele murmurou. “Eu nunca mais encontrei ninguém como ela.”
O coração de **Alina** disparou. “Então… onde ela está agora?”
**Leo** baixou o olhar. Sua voz ficou fria.
“Ela morreu”, ele disse quieto. “Assassinada por alguém.”
**Alina** sentiu o mundo parar de girar.
'O que ele quer dizer? Ele tá falando de mim?'
Mas antes que ela pudesse perguntar, **Leo** falou de novo.
“Engraçado, né?” ele disse com um sorriso amargo.
**Alina** continuou ouvindo. **Leo** apertou os gravetos em suas mãos e respirou fundo de novo.
“Às vezes, eu vejo alguém… e elas me lembram ela. O jeito que elas se movem, o jeito que falam… até pequenas coisas que só ela faria.”
**Alina** prendeu a respiração. De quem ele tá falando?
**Leo** levantou a cabeça, olhando nos olhos dela. Seu olhar era profundo, como se estivesse procurando algo.
“Como agora”, ele continuou quieto. “Quando eu tô com você, eu sinto… algo estranho.”
Tum!
**Alina** quase deu um passo para trás. “Não me diga que ele tá percebendo?!”
Mas antes que ela pudesse pensar mais, **Leo** só deu um sorriso pequeno.
“Ah, esquece”, ele disse casualmente. “Talvez eu esteja só muito cansado.”
**Alina** mordeu o lábio. Tinha algo que ela queria dizer. Algo que ela queria confessar. Que ela era a mulher que **Leo** amava. Mas… ele ia acreditar nela?
Seu coração bateu forte. Sua mandíbula se contraiu enquanto seus punhos se fechavam em seu colo. Não. Ela não podia dizer. Agora não.
Por enquanto, ela escolheu o silêncio. Mas uma coisa estava clara — **Leo** ainda a amava.
Aquela noite passou em silêncio. O fogo tremeluzia entre eles, lançando luz sobre duas pessoas perdidas em seus pensamentos.
**Leo** encarou as chamas, mas sua mente estava em outro lugar. **Alina**. Ele estava começando a suspeitar que a **Aileen** na frente dele… não era realmente a **Aileen**.
O jeito que ela sentava. O jeito que ela bufava em frustração leve. Até o jeito que ela suspirava. Tudo parecia familiar demais.
**Leo** olhou para ela inconscientemente. No mesmo instante, **Alina** olhou para ele também.
Silêncio.
Ela percebeu alguma coisa? Naquele momento, os dois sabiam. Algo entre eles permaneceu não dito.
Sem perceber, a noite passou. O céu clareou, e o sol subiu lentamente. Era hora de continuar a jornada deles.
O SUV preto acelerou pela estrada da floresta, seus pneus esmagando o solo úmido, deixando uma longa trilha para trás. Não havia outros veículos naquele caminho. Só eles.
**Alina** olhou pela janela, apreciando a vista da floresta tranquila. As árvores altas, seus galhos se entrelaçando como um telhado natural filtrando a luz do sol. Quanto mais fundo eles iam, mais escuro e denso ficava.
Que tipo de lugar é esse? ela se perguntou. Silencioso. Misterioso. O vento farfalhou pelas árvores, carregando sussurros estranhos. Essa floresta parecia estar escondendo algo sob sua quietude.
Meio dia se passou. Depois de uma longa e exaustiva jornada, eles finalmente chegaram a uma vila remota. A única vila nesta região. Escondida aos pés de um vulcão, envolta por uma floresta espessa.
O SUV parou na entrada da vila, em frente a um portão simples de madeira adornado com entalhes antigos. Alguns moradores se reuniram, observando eles com expressões cautelosas.
Um homem idoso, com a pele enrugada e o rosto cheio de rugas, deu um passo à frente. Suas roupas eram simples, típicas dos moradores. Ele era o chefe desse lugar.
“Vocês são a equipe médica do governo?” ele perguntou com uma voz profunda.