Capítulo 110: Uma Vingança Ardente
Raja mexeu, com os olhos semiabertos. 'Você tá acordada muito cedo pra vingança,' ele murmurou, a voz grossa de sono.
Alina soltou um sorriso de deboche, mas os olhos dela estavam pegando fogo. 'Você é meu agora. E eu não gosto de dividir. Vou fazer questão de que toda mulher que se aproximar saiba o lugar dela.'
Raja olhou pra ela, dessa vez com um sorriso pequeno e sincero. 'Então, você finalmente admite?'
Alina balançou a cabeça devagar. 'Eu não tô admitindo. Eu tô afirmando. Do mesmo jeito que você fez comigo.'
Ela beijou ele rapidinho, depois saiu da cama e vestiu uma camisa, a camisa dele. Ficou folgada nela, mas isso fazia parte da mensagem que ela queria passar.
Enquanto ela caminhava em direção à varanda, com os botões desabotoados pela metade, o cabelo bagunçado, o rosto calmo, ela não era mais só a médica teimosa sob o controle de Raja. Ela era uma mulher que sabia... até um rei podia ser conquistado. Não com força, mas com algo muito mais sutil e muito mais perigoso.
Ele devia estar tranquilo. Alina estava na vila dele, ainda envolta no rescaldo da noite anterior, reivindicada com o corpo dele, o poder dele, o orgulho dele. Mas naquela manhã, Raja se sentiu desconfortável.
Ele sentou na beira da cama, vestindo calças de linho escuras, a camisa desabotoada. Os olhos dele seguiram Alina enquanto ela preparava café na cozinha pequena, ainda com a camisa branca dele, o cabelo desgrenhado, mas a aura dela serena. Serena demais.
Alina nem sequer olhou pra ele como costumava fazer. Sem tensão. Sem raiva. Mas também… sem medo. Só calma. E, pela primeira vez, Raja se sentiu fora de controle.
Ele se levantou, se aproximando. 'Você fez isso de propósito? Me deixar desconfortável?' ele perguntou suavemente, mas o tom dele era afiado.
Alina virou, levantando uma sobrancelha. 'Eu? Tô só curtindo um café depois de uma longa noite. Mas se você tá se sentindo desconfortável… talvez isso signifique que você tá começando a se importar.'
Raja fechou o punho. Ele odiava a palavra se importar. Essa não era a dele. Mas Alina o fez sentir algo que ele sempre evitou.
'Você mudou,' ele murmurou. 'Sua atitude… seus olhos. O que aconteceu com você?'
Alina sorriu levemente e entregou a ele uma xícara de café. 'O que aconteceu? Eu percebi… se você pode me reivindicar sem piedade… então eu posso fazer o mesmo com você. Não é justo, Vossa Alteza?'
Ela beijou a bochecha dele gentilmente, uma doce vingança que doeu mais fundo do que qualquer beijo que ele já conheceu.
Ele a observou ir para a varanda, deixando a brisa da manhã passar pelo cabelo dela. E naquele momento, Raja percebeu… ele não tinha apenas conquistado o corpo de Alina. Ela tinha conquistado a alma dele.
Uns dias depois que Raja deixou o país, a vida de Alina começou a parecer tranquila. Sem vigilância intensa. Sem olhos penetrantes seguindo cada movimento dela. Apenas dois dos guarda-costas pessoais de Raja, ocasionalmente, checando pra manter ela segura, ou, mais precisamente, pra garantir que ela não fugisse. Mas essa paz não durou.
Aquele dia, sem muita explicação, os guardas a levaram para o aeroporto. O jato particular de Raja estava esperando. Antes que ela pudesse protestar, o céu noturno de uma terra estrangeira a cumprimentou. A mansão de Raja estava imponente em uma colina, cercada por vastos jardins e guardas de terno preto. Alina ficou no limiar da grande propriedade. Mas não foi o luxo que doeu, foi a cena no longo sofá.
Raja estava casualmente deitado em um traje cinza, com duas mulheres quase nuas empoleiradas no colo dele. Uma sussurrou algo no ouvido dele, rindo. A outra acariciou gentilmente o peito dele. Como se elas pertencessem a ele. Como se o nome de Alina nunca tivesse existido na vida dele. Mas Alina sabia… isso não era apenas entretenimento. Isso era isca.
Ela entrou sem dizer uma palavra. Os guardas ficaram para trás. Raja olhou por cima do copo de vinho, um sorriso fino curvando os lábios – um sorriso que fez o sangue de Alina ferver.
'Bem-vinda,' ele disse casualmente, como se ela fosse apenas mais uma convidada. 'Você veio mais rápido do que eu esperava.'
Alina respirou fundo, se controlando. 'É isso que você queria dizer? Me chamar até aqui só por causa de um show patético?'
Uma das mulheres riu. 'Você deve ser Alina,' ela disse com um olhar zombeteiro. 'Ouvimos falar muito de você.'
Raja não as impediu. Na verdade, ele acrescentou: 'Eu só quero que você entenda, Alina. O mundo não para de girar quando você vai embora. Eu podia ter qualquer pessoa por perto… e, ainda assim, escolhi te chamar. Pense nisso.'
Alina chegou mais perto, olhando diretamente nos olhos dele. 'Você acha que eu vou chorar? Ou arranhar sua cara por causa disso?' A voz dela estava fria, afiada. 'Você tá muito enganado.'
Ela se inclinou, sussurrando no ouvido dele: 'Você pode usar qualquer pessoa pra me atrair… mas nenhuma delas pode te conquistar como eu consigo.'
Silêncio. As mulheres pararam de rir. O sorriso de Raja desapareceu, os olhos dele mudaram. Porque só Alina conseguia cortar direto no ego dele.
Ele levantou uma mão – um gesto sutil. As duas mulheres se levantaram e saíram da sala sem questionar. Elas sabiam o lugar delas. Agora, só estavam Raja e Alina.
'Vá para o meu quarto,' ele ordenou calmamente. 'Não terminamos essa noite.'
Alina lançou um olhar afiado a ele. 'Você acha que eu vou te obedecer assim?'
Raja chegou mais perto, a uma polegada do rosto dela. 'Não. Eu acho… que você vai vir porque quer. Porque, dessa vez, não sou eu que estou queimando de ciúmes. É você.'
Alina não respondeu. Mas os pés dela se moveram em direção às escadas. E naquela noite, não foi só raiva ou orgulho que queimaram… mas um sentimento que nenhum dos dois ousou nomear. Entre dois corações teimosos, não dispostos a perder, mas orgulhosos demais pra admitir.
Os passos de Alina eram pesados enquanto ela subia em direção ao quarto principal. Cada passo alimentado por raiva – não pelas duas mulheres, mas por ela mesma. Por ainda escolher vir. Raja a seguiu em silêncio. Mas as costas dela, a presença dela, pareciam uma flecha esticada, pronta pra atacar. Assim que a porta do quarto fechou, Alina se virou, os olhos brilhando.
'Você me arrastou de outro lado do mundo só pra ser uma audiência patética da sua idiotice?' A voz dela tremia de fúria.
Raja se encostou na porta, parecendo calmo. 'Eu queria ver até onde você iria quando o ciúme tomasse conta.'
'Eu não sou seu brinquedo, Raja!' ela gritou, empurrando o peito dele. 'Você acha que eu vou correr chorando por causa de duas mulheres baratas no seu colo?'
Raja riu baixinho. 'Mas você veio. E seus olhos… eles estão queimando de raiva, não de gelo como de costume.'
Ela o empurrou de novo. Dessa vez, ele pegou as mãos dela. Puxou ela para mais perto.
'Me solta—!'
'Não.' A voz dele se aprofundou. 'Se você tá com raiva… mostre. Se você tá com ciúmes… mostre. Mas não finja que não se importa.'
Sem pensar, Alina agarrou a gola dele e o beijou com força. Foi selvagem, quente, impulsionado pela dor. Um beijo que não nasceu da saudade, mas de cicatrizes.
Ela arrancou os botões da camisa dele, respondendo ao jogo dele. 'Você quer que eu te trate como paciente, hein? Agora é a sua vez… eu vou te tratar até você não aguentar,' ela sussurrou, invertendo os papéis.
Raja riu baixo, o som cheio de desafio. Mas os olhos dele, não mais mandando, imploravam por ela. E naquela noite, ele não dominou. Alina dominou.