Capítulo 25: A Vila ao Pé da Montanha
Leo assentiu. "É verdade. Viemos ajudar as vítimas do desastre."
O chefe da aldeia ficou olhando para eles por um bom tempo antes de concordar lentamente. Ele se virou e fez um gesto para que o seguissem.
Enquanto caminhavam mais para dentro da aldeia, o lugar foi ficando mais claro. Casas de madeira estavam em fileiras entre as árvores enormes. Algumas das casas estavam danificadas — paredes com buracos enormes ou telhados inclinados perigosamente. Os aldeões estavam limpando os escombros de um deslizamento de terra que tinha acontecido alguns dias antes.
O chefe da aldeia começou a falar. "Esta aldeia... está longe do mundo exterior", ele disse suavemente. "Por todo o tempo que podemos lembrar, nunca tivemos médicos. Se alguém fica doente, vamos ao xamã. Confiamos na medicina herbal e nos rituais de nossos antepassados."
Alina ouviu atentamente. "Mas agora, as doenças estão ficando mais difíceis de curar", ele continuou. "Muitos morrem antes que possam ser salvos. Mas ainda assim, nem todos aqui estão dispostos a aceitar a vossa presença."
Leo franziu a testa. "O que você quer dizer?"
O chefe da aldeia olhou para vários aldeões espiando por trás das janelas ou parados à distância, com expressões cheias de suspeita.
"Vocês são de fora", ele disse. "E em nossas crenças... os de fora podem trazer sorte ou desastre."
Um vento frio soprou suavemente. Alina sentiu que algo não estava certo. Era como se a presença deles ali não fosse apenas sobre uma missão humanitária — mas algo muito maior.
Tentando aliviar a tensão, Alina ofereceu um sorriso tranquilizador. "Por favor, não se preocupem. Faremos o nosso melhor para ajudar o vosso povo", ela disse suavemente.
Mas o chefe da aldeia não pareceu convencido. Ele estudou Alina com olhos penetrantes, como se estivesse avaliando se suas palavras poderiam ser confiáveis.
"Não é tão fácil abordá-los com a medicina moderna", ele murmurou. "Vocês são jovens — ainda não entendem as nossas tradições. Aqui, respeitar os costumes de nossos antepassados é mais importante do que o conhecimento que vocês trazem."
Alina prendeu a respiração. Então, era com isso que eles estavam lidando — não apenas um desastre natural, mas um choque entre crença e ciência. Leo e Alina trocaram olhares.
"Podemos tentar, senhor", disse Leo firmemente.
O chefe da aldeia pareceu pensativo antes de tomar uma decisão.
"Muito bem. Há uma vítima cuja ferida se recusa a sarar", ele disse. "Tentamos de tudo, mas só piora."
Alina imediatamente perguntou: "Que tipo de ferida? Podemos ver?"
O homem hesitou antes de concordar com a cabeça e guiá-los até uma cabana nos arredores da aldeia. Lá dentro, um homem idoso estava pálido e fraco. Um pano gasto envolvia sua coxa, e ao ser levantado, um cheiro pútrido encheu o ar. Uma ferida aberta infeccionava, a carne ao redor enegrecida.
Leo reconheceu os sintomas imediatamente. "Esta é uma infecção grave... possivelmente gangrena."
Alina engoliu em seco. "Nessas condições, a medicina herbal não será suficiente. A ferida precisa ser limpa e pode ser necessária uma amputação."
A tensão tomou conta do ar assim que ela mencionou "amputação". Os anciãos da aldeia reagiram instantaneamente.
"Impossível!" um velho gritou, com o rosto vermelho de raiva. "Cortar parte de seu corpo é um insulto ao presente dos deuses!"
"Nossos antepassados nunca fizeram essas coisas", acrescentou uma mulher trêmula. "Se a hora dele chegou, que ele vá inteiro, como a natureza quis."
Leo expirou profundamente. Ele havia antecipado resistência, mas isso era mais difícil do que ele esperava.
"Entendemos as suas crenças", ele disse cuidadosamente. "Mas se não fizermos nada, ele vai morrer. E este tipo de morte não é destino — é algo que podemos evitar."
Um jovem o encarou. "Então, você espera que acreditemos que o vosso conhecimento é melhor do que a sabedoria de nossos antepassados?"
Alina falou antes que Leo pudesse responder. "Não melhor, apenas diferente." Sua voz era gentil, mas firme. "Há muito tempo, antes que vocês soubessem sobre a medicina herbal, alguns podem ter acreditado que apenas as orações poderiam curar. Mas agora, vocês têm ervas medicinais, não têm? Isso também não é um tipo de conhecimento?"
Alguns aldeões pareceram hesitar, mas o chefe da aldeia permaneceu em silêncio, observando-os com uma expressão indecifrável.
Leo continuou: "Nós só queremos ajudar. Se vocês recusarem, ele morrerá de dor. Mas se tentarmos... há esperança."
Silêncio. Todos os olhos se voltaram para o homem idoso na cama, sua respiração superficial e laboriosa. Seus olhos se abriram ligeiramente, como se estivesse tentando dizer algo.
Finalmente, o chefe da aldeia falou. "Se ele mesmo recusar, então não o forçaremos."
Ele olhou seriamente para o paciente. "O que você escolhe?"
O velho engoliu em seco, seu olhar mudando para sua perna enegrecida. Segundos se passaram, esticando-se no que parecia uma eternidade. Então, seus lábios se moveram fracamente.
"Eu... quero viver."
Um silêncio tomou conta da sala. Alguns aldeões ainda pareciam duvidosos, especialmente o velho que havia se oposto à ideia desde o início.
"Você tem certeza?" Sua voz vacilou, mais para si mesmo do que para o paciente. "Você perderá a perna. Você nunca mais vai andar como antes..."
O homem acamado olhou para uma garotinha no canto — talvez sua neta. Com o resto de suas forças, ele levantou uma mão trêmula, como se estivesse a alcançando.
"Eu preferia viver... para vê-la crescer", ele sussurrou.
A mulher idosa que havia defendido os remédios herbais abaixou a cabeça, agarrando a borda de seu xale com força. Como se tivesse acabado de perceber algo que havia se recusado a admitir por muito tempo — que talvez, desta vez, suas crenças sozinhas não fossem suficientes.
O chefe da aldeia finalmente suspirou. "Muito bem", ele disse calmamente. "Mas se ele morrer em suas mãos—"
"Nós entendemos", Leo interrompeu firmemente. "Mas se não fizermos isso, ele certamente morrerá."
Com a permissão do chefe, Leo e Alina se prepararam para começar. Mas antes que pudessem começar, outro aldeão deu um passo à frente, ainda não convencido.
"Espere! Antes de cortar o corpo dele, explique a nós o que essa doença realmente é!" exigiu um dos anciãos. "Por que a perna dele deve ser amputada? Por que as ervas medicinais não são suficientes?"
Alina assentiu, entendendo que eles precisavam convencer as pessoas primeiro. Ela se ajoelhou ao lado do paciente, apontando para a ferida enegrecida em sua perna.
"Isso se chama gangrena", ela explicou. "Acontece quando parte do corpo não recebe sangue suficiente, fazendo com que o tecido morra. Se não for tratada, a infecção se espalhará por todo o corpo e o matará."
Leo acrescentou uma explicação sobre a causa inicial da infecção, mas isso só levou a um mal-entendido.
"Você está dizendo que nosso remédio piorou?" Uma voz aguda veio de uma mulher idosa no canto. "Nossos antepassados usaram remédios herbais por séculos! De jeito nenhum isso causou a doença dele!"
Alina prendeu a respiração. Ela sabia que esta era uma discussão sensível.
"Não estamos dizendo que os seus remédios são prejudiciais", respondeu Alina cuidadosamente. "Algumas plantas ajudam na cura. Mas se uma ferida não for limpa adequadamente primeiro, as bactérias ainda podem crescer."
Leo se ajoelhou ao lado do paciente, desenrolando a bandagem em volta de sua perna. O fedor encheu a sala, fazendo com que várias pessoas tapassem o nariz. O centro da ferida estava enegrecido, com pus acumulado nas bordas.
"Esta ferida provavelmente começou como algo pequeno", explicou Leo, apontando para o tecido necrótico. "Mas, como não foi limpa corretamente, as bactérias prosperaram por dentro. E, como a pasta de ervas a selou muito cedo, a infecção ficou presa por dentro, espalhando-se mais profundamente no tecido."
Um jovem — talvez o filho do paciente — franziu a testa. "Usamos remédio de raiz da floresta. Geralmente, as feridas cicatrizam em poucos dias."
O chefe da aldeia assentiu. "E para feridas maiores, aplicamos compressas de ervas e deixamos secar naturalmente."
Leo trocou um olhar com Alina antes de responder: "Para feridas menores, isso funciona. Mas se a ferida for profunda e exposta à sujeira, as bactérias podem ficar presas. Algumas bactérias prosperam sem oxigênio, multiplicando-se dentro da ferida fechada e destruindo o tecido por dentro. Foi o que aconteceu aqui — a perna dele desenvolveu gangrena."
Silêncio. Alguns aldeões murmuraram entre si.
Finalmente, o chefe da aldeia encontrou o olhar de Leo e Alina. "E a única maneira de salvá-lo... é cortar a perna dele?"