Capítulo 83: Conflito Interno
A discussão esquentando, o telefone da Lucy tocou de repente. Ela olhou pra tela rapidinho, e depois soltou um sorriso sarcástico.
"Ele tem é muita vida. A gente acabou de falar dele, e agora tá ligando", ela murmurou, mostrando o nome na tela para quem tava por perto.
Sem hesitar, a Lucy atendeu a ligação. Antes que ela pudesse dizer um "oi", a voz do outro lado explodiu.
"Que que você tá fazendo, Lucy? Por que você anunciou que vai casar com outro cara? E a gente?"
A voz dele tava cheia de emoção, raiva e… pânico. A Lucy respirou fundo. Os olhos dela olhavam pro nada, mas a voz continuou firme.
"El, você devia saber. Eu também preciso de certeza. Era pra eu ter anunciado o nosso rolo primeiro? Eu que tenho que ser a mulher que corre atrás de homem pra ser reconhecida?"
"Eu te falei, né? Só mais um tempinho. Eu ia anunciar tudo…"
"Até quando? Até minha família tomar a frente? Até ser tarde demais? Talvez essa seja a resposta, El. Talvez a gente não seja pra ser. Esquece de mim."
Houve uma pausa. Aí a voz voltou, mais grossa, mais possessiva.
"Eu nunca vou te deixar ir, Lucy. Você é minha. Minha mulher. Ninguém pode te tocar, a não ser eu."
A respiração da Lucy tremeu. Mas ela não se abalou. A voz dela foi fria quando ela respondeu.
"Desculpa. Já tô noiva. Então, vê se maneira nas palavras… Querido Sr. Elandra."
Click!
A ligação acabou. A Lucy ficou olhando pra tela por um tempinho, e depois guardou o celular. A cara dela tava tensa, as emoções fervendo por baixo da pele. Mas ela logo endireitou a postura, escondendo tudo atrás de um sorriso profissional.
"Bora. A sessão de fotos já vai começar. Não vamos decepcionar os patrocinadores", ela falou, e saiu andando como se nada tivesse acontecido.
Em outro lugar, o Elandra fechou o punho com força, de tão puto. O celular na mão dele tava quente de tanto tentar ligar pra Lucy de novo. Mas nenhuma ligação foi atendida.
"Lucy…" ele sussurrou, cheio de arrependimento e raiva de si mesmo.
Finalmente, ele tomou uma decisão. Ele tinha que vê-la. Pessoalmente.
Enquanto isso, no estúdio, os flashes das câmeras não paravam. A Lucy mudava as poses e as roupas, se mantendo profissional mesmo com a cabeça longe dali. Ela se enterrou no trabalho, tentando esquecer a voz que tinha ouvido.
De repente, o silêncio dela explodiu. Quando os olhares se cruzaram. O olhar dela e o do Elandra, que agora tava parado no fim do estúdio. O coração da Lucy pareceu parar. O mundo congelou por um segundo. Depois, começou de novo, mais rápido, mais alto, mais incontrolável. Tinha nervosismo, carinho e… orgulho.
Mas, como profissional, ela guardou tudo. Ela focou de novo, continuou soltando o sorriso meigo e o olhar afiado pra câmera, como se nada tivesse acontecido.
"Ok, dez minutos de pausa!" o fotógrafo gritou.
A Lucy soltou o ar e foi pra perto do monitor. O fotógrafo foi atrás, mostrando as fotos uma por uma pra ela. Ele ficou muito perto – perto demais. Isso fez o Elandra, que tava vendo de longe, começar a ferver.
"Chega!"
O Elandra foi pra cima deles, com os olhos brilhando. Sem falar nada, ele ficou entre a Lucy e o fotógrafo, separando os dois.
"Desculpa, preciso falar com ela. Agora."
A atmosfera ficou tensa na hora. O fotógrafo ficou confuso, mas acabou recuando. A Lucy só ficou encarando o Elandra em silêncio, tentando esconder o nervosismo que tava subindo no rosto.
Mas o Elandra já tava perto demais. Os olhos dele falavam mais alto que as palavras.
"Que que você quer, Lucy?!" a voz do Elandra era grossa, cheia de pressão. "Por que você vive testando minha paciência?!"
As palavras dele atingiram forte. A Lucy, que tava se segurando, não conseguiu mais segurar as emoções. O nervosismo sumiu, dando lugar a uma raiva fervendo.
"O quê?!" a Lucy explodiu. A voz dela subiu uma oitava, aguda e magoada. "Você não ousa distorcer a verdade, El! Não é você que vive testando a minha paciência?!
Eles se aproximaram, como duas chamas se chocando. A equipe se olhou, tensa, mas ninguém se atreveu a se meter.
"Você fala que eu tô te testando, mas é você que me fez questionar tudo! Quanto tempo eu tinha que esperar pra ser reconhecida? Quantas feridas eu tive que engolir sozinha enquanto você se escondia atrás da sua família e da sua reputação?!"
O Elandra ficou quieto, com a mandíbula travada. Ele tentou falar, mas a Lucy não deu chance.
"Não me faça sentir mais nojo da sua falta de consideração, El. Cansei de ser a mulher que sempre entende… enquanto você nem sabe o que é esperar em silêncio!"
O estúdio ficou em silêncio, como se todo mundo estivesse prendendo a respiração. E naquele silêncio, os olhos da Lucy e do Elandra ficaram grudados, cheios de fogo não resolvido.
Quando a tensão chegou no auge, passos rápidos se aproximaram. A assistente e melhor amiga da Lucy entrou no meio deles, tentando acalmar a situação.
"Vocês dois, chega! Calma aí!" ela falou, firme mas preocupada. "Vocês tão ligados onde tão? Todo mundo tá olhando. Querem ser o drama de hoje na frente da equipe e dos patrocinadores?"
A Karin olhou pra eles um por um, exigindo a consciência que eles perderam nas emoções. "Se tem problema, resolvam em casa. Não misturem assuntos pessoais com trabalho."
O Elandra parecia que ia discutir, os olhos dele brilhando com a bronca em público. Mas ele também sabia que o nome, a reputação e a posição dele podiam ser destruídos por um surto de emoção no lugar errado.
Mas, antes que ele pudesse falar, a Lucy interrompeu. A voz dela era fria e decidida.
"Karin", ela falou baixo mas firme, "não se mete. Isso é entre mim… e ele. Deixa a gente decidir como termina."
A Karin ficou quieta por um momento. Ela sabia que a Lucy tava no limite, e um passo errado podia afastar ela de qualquer pessoa, inclusive da amiga mais próxima.
Com um leve aceno de cabeça, a Karin recuou devagar. Mas os olhos dela continuaram afiados, pronta pra entrar em ação se as coisas piorassem. Agora, eram só os dois de novo. A Lucy e o Elandra.
Dois corações igualmente teimosos. Duas feridas que não cicatrizaram, mas que continuavam se tocando, cortando e deixando marcas mais profundas. Nenhuma palavra foi dita por vários segundos. Só os olhares, cheios de desafio, trancados em silêncio.
Finalmente, o Elandra cedeu. Ele respirou fundo e foi pra frente. Com um gesto calmo mas firme, ele segurou o pulso da Lucy.
"Vem comigo. Só por um momento", ele sussurrou baixo o suficiente pra só ela ouvir, mas firme o bastante pra mostrar que tava falando sério.
A Lucy hesitou. Mas, antes que ela pudesse protestar, o Elandra já tava levando ela pra longe dos olhares do público. Não com força, mas também não com delicadeza. Era mais como… desespero envolto em contenção.
"Ei!" a Karin chamou, se aproximando por instinto. "Você acha que pode só arrastar ela assim? Isso não é—"
"Karin." O Elandra olhou pra ela, os olhos implorando mas firmes. "Me dá um tempo. Só um tempinho. Eu prometo… Eu só quero conversar."
A Karin travou a mandíbula, claramente descontente. Mas, vendo a Lucy não resistir, ela finalmente assentiu, mesmo que relutante.
"Cinco minutos. E se você machucar ela de novo, eu vou atrás de você", ela falou friamente.
O Elandra não respondeu. Ele só olhou pra Lucy por um segundo, e depois continuou andando. Levando a mulher que ele quase perdeu pra um lugar mais privado, mais calmo.
Um quarto silencioso no fundo do estúdio. Silencioso. Longe das câmeras e dos sussurros. Lá, tudo finalmente ia ser exposto – sem encenação, sem máscaras.
\ naquele quarto silencioso, eram só os dois. Paredes brancas, ar parado e um espaço que, de repente, parecia pesado demais pra respirar.
A Lucy olhou pro Elandra, ainda ofegante da raiva de antes. Mas o Elandra não parecia mais com raiva. Ele não explodiu mais. Tudo que sobrou foi uma calma tensa e olhos cheios de arrependimento.
Eles ficaram em silêncio por alguns segundos. Aí, o Elandra foi pra frente. A voz dele era quase um sussurro, mas cada palavra carregava um peso enorme.
"Casa comigo."