Capítulo 150: A Revelação
“Por que você não me contou que as coisas estavam tão ruins no hospital?”
Raja encostou no sofá no escritório da Alina, com o olhar fixo no rosto dela, esperando a resposta que ele suspeitava há muito tempo, mas nunca tinha ouvido.
A Alina fechou a porta atrás dela em silêncio. Ela ficou de costas para ele por um momento, respirando fundo antes de responder com uma voz calma, mas firme.
“Porque eu podia lidar com isso. E você não deveria se envolver, Raja.”
Raja franziu a testa. “Eu estou envolvido porque me importo. Porque eu não consigo ficar parado enquanto eles tentam te derrubar.”
A Alina virou-se para encará-lo. Seus olhos estavam afiados, não de raiva, mas de exaustão. “Você acha que comprar o hospital é suficiente para me proteger? Não é. Eles não estão me atacando porque eu sou médica. Eles estão me atacando porque eu sou a mulher que você escolheu.”
Ele ficou em silêncio. Pela primeira vez, ele percebeu que o poder que ele achava que poderia protegê-la também poderia ser a coisa que a estava oprimindo.
“Você já sabe… sobre mim e a Diana?” ele perguntou, com a voz suavizando.
A Alina assentiu. “Eu sei há um tempo. E não importava até que ela começasse a usar o passado para arruinar o presente.”
Raja exalou, com a voz baixa. “Nós namoramos na faculdade. Eu era ingênuo, ela era ambiciosa. Quando terminamos, achei que tinha acabado. Mas alguns rancores… eles são profundos quando alguém se sente abandonado.”
A voz da Alina caiu, lenta e honesta. “Diana e eu… estávamos na mesma turma uma vez. Mas eu nunca terminei meu programa clínico. Meu pai me tirou para administrar os negócios da família. Eu mudei de curso. E a Diana sabia. Ela sabia que eu tinha desistido de ser médica.”
Raja olhou para ela com admiração silenciosa. “Mas você voltou.”
“Eu voltei porque é aqui que eu pertenço. Mas a Diana, ela não suportava ver alguém que ela uma vez pensou que tinha perdido... de pé na frente dela de novo.”
Raja deu um passo à frente, encurtando a distância entre eles.
“Então fique mais alta, Alina. Não para provar nada para ela, mas para lembrar a si mesma que você é mais forte do que o passado de qualquer pessoa.”
Ela encontrou seus olhos. A raiva tinha sumido, mas traços de dúvida permaneceram. “Você tem certeza… que pode andar ao meu lado em tudo isso?”
Raja tocou suavemente seu ombro. “Eu não vou andar ao seu lado, Alina. Eu vou ficar atrás de você bloqueando o vento. E se você cair… eu serei o primeiro a te pegar.”
A Alina finalmente olhou para baixo, um pequeno sorriso tocando seus lábios. Não porque tudo estivesse resolvido, mas porque agora ela sabia que não precisava lutar sozinha.
No escritório do diretor, o silêncio se estendeu pela sala. A Diana estava sentada atrás de sua mesa, batendo os dedos na madeira com crescente impaciência. Em sua tela estava a reclamação formal da Alina já encaminhada à diretoria do hospital.
Seus olhos se estreitaram. Sua voz, mal audível. “Se isso realmente chegar até eles… eu posso perder tudo.”
Duas batidas na porta. O Mirza entrou casualmente, mas sua expressão mudou quando viu o rosto dela.
“Sente-se”, a Diana disse secamente. “Eu preciso da sua ajuda.”
“Que tipo de ajuda?” ele perguntou cautelosamente, sentando-se na cadeira em frente a ela.
Ela deslizou uma pasta fina em sua direção. Dentro, fotos de câmeras de segurança, relatórios falsos e documentos falsificados.
“Eu preciso que você se certifique de que tudo que a Alina enviou seja desacreditado. Incluindo suas supostas testemunhas.”
O Mirza examinou os documentos rapidamente, levantando uma sobrancelha. “Você quer arruiná-la. Completamente?”
A Diana deu um sorriso frio. “Eu quero que ela vá embora. Que seu nome seja desacreditado. E se possível, eu quero ter certeza de que ela nunca mais possa praticar.”
“Isso é arriscado, Diana. Se o Raja descobrir—”
“Raja não é um deus”, ela o interrompeu bruscamente. “Ele é apenas um homem. E homens como ele perdem o controle no momento em que a mulher que eles estão protegendo cai com força suficiente.”
O Mirza hesitou, mas a Diana se inclinou para trás, com os olhos afiados.
“Você tem uma escolha, Mirza. Fique comigo… ou caia com ela.”
Segundos se passaram antes que o Mirza desse um aceno relutante. “Tudo bem. Mas precisamos agir rápido. Vamos pintá-la como emocionalmente instável, estresse, pressão no trabalho, talvez até problemas pessoais. Vamos manipular os registros.”
A Diana sorriu satisfeita. “Bom. Certifique-se de que ela não tenha tempo para revidar.”
Três dias se passaram desde que a Alina enviou seu relatório. Mas, em vez de apoio, ela foi recebida com silêncio… e estranhos acontecimentos.
A agenda de seus pacientes foi novamente apagada. Enfermeiras com quem ela trabalhou de perto foram transferidas. Pacientes disseram a ela que foram redirecionados para outros médicos, sem seu conhecimento. E o pior de tudo, os registros médicos que ela havia atualizado foram alterados.
Em pé na mesa de registros, ela segurava um prontuário do paciente na mão, com as sobrancelhas franzidas. “Este diagnóstico… não é meu.”
“Sinto muito, Dra. Alina”, disse um membro da equipe nervoso. “Ontem à noite, nosso sistema teve um erro. Alguém o acessou e fez alterações… mas não há registro disso.”
“Quem estava de plantão no servidor?” Alina perguntou, com a voz tensa.
“O Mirza. Ele disse que foi por ordens da diretora.”
A mandíbula da Alina se contraiu. Tudo se encaixava muito bem para ser coincidência.
Em uma sala separada, o Mirza entregou um pendrive para a Diana. “Todos os dados antigos dela foram embora. Se ela tentar usar alguma coisa, vai parecer que ela inventou.”
A Diana assentiu, satisfeita. “Bom. Agora é hora do passo final.”
“Passo final?” A voz do Mirza estava hesitante.
“Nós a pressionamos para quebrar. Deixe-a explodir na frente da equipe ou dos pacientes. Vamos gravar, circular… torná-lo viral dentro do sistema. Isso vai acabar com ela.”
O Mirza engoliu em seco. Mesmo para ele, isso estava ficando feio. Mas a Diana já tinha ido longe demais para voltar atrás.
Naquela noite, a Alina sentou-se em seu escritório, cruzando os registros em papel com o que restava no sistema. De repente, a tela do computador ficou preta. Alguns segundos depois, ele reiniciou. Vazio. Todos os seus arquivos: sumiram. Ela alcançou a gaveta trancada. Quebrada. A pasta com seus originais desapareceu.
Ela ficou ali, parada. Suas mãos tremiam com a fúria que ela continha. Mas seus olhos… estavam calmos. Calmos demais. Ela pegou o telefone e discou.
“Dante”, ela disse quando a ligação foi conectada. “Lembra-se daquele projeto de auditoria independente que você uma vez ofereceu ao hospital?”
“Eu me lembro”, respondeu a voz. “Mas se isso tocar nos registros dos pacientes, pode se tornar um escândalo.”
“Eu não me importo com escândalo”, disse a Alina friamente. “Eu quero a verdade.”
Ela encerrou a ligação e foi direto para os arquivos. Lá, ela encontrou a Sra. Tati, uma antiga funcionária que ainda a respeitava em silêncio.
“Sra. Tati, existe um sistema de backup interno para registros médicos?”
A mulher mais velha olhou em volta e, em seguida, fez um lento aceno de cabeça. “Somente a TI tem acesso.”
“Você pode me ajudar?” Alina perguntou gentilmente.
“Eu me aposento no próximo mês. Eu não posso te ajudar diretamente… mas eu posso te mostrar onde está a porta.”
A Alina sorriu. “Obrigada. Eu não vou esquecer isso.”
Naquela noite, quando o hospital estava quieto, a Alina entrou na sala do servidor. Usando o acesso fornecido pela Sra. Tati, ela entrou no sistema de backup. E lá estavam eles. Todos os registros originais. Intocados.
Ela copiou tudo para um disco rígido. Os registros mostraram que os dados foram alterados sob o ID de usuário do Mirza com a autorização da Diana.
No dia seguinte, a Alina entrou no hospital como se nada tivesse mudado. Calma. Focada. Mas em sua bolsa, ela carregava uma pasta grossa de evidências. E desta vez, ela não a entregaria em silêncio.
Ela iria apresentá-la na frente de toda a diretoria do hospital em uma reunião aberta com todos os diretores e pessoal médico assistindo. A Diana ainda não sabia. Mas seu tempo… estava acabando.