Capítulo 151: A Derrota do Inimigo
A sala de conferências do hospital tava mais cheia do que o normal. Chefes de departamento, diretores, representantes dos investidores e dois membros do conselho tavam sentados em fileiras organizadas. O clima tava tenso, todo mundo sentia que ia rolar uma treta, mas ninguém sabia de onde ia vir.
Diana tava sentada na cadeira da diretora com uma confiança, toda chique num terninho creme caro. Do lado dela, Mirza parecia desconfortável, agitado, mas calado.
Daí, a porta abriu. Alina entrou numa boa, com uma pasta preta na mão. Sem falar muito, ela foi até uma cadeira vazia e sentou, de cabeça erguida.
Um dos membros do conselho abriu a reunião.
'Obrigado a todos por estarem aqui. Hoje vamos discutir as irregularidades operacionais relatadas por—'
'Eu,' Alina cortou, com a voz firme. Todas as cabeças viraram.
'Eu que mandei o relatório. E peço permissão pra apresentar as provas diretamente pra essa galera.'
Diana deu um sorrisinho, fingindo estar de boa.
'Acho que relatórios unilaterais, sem verificação—'
'Mas eu já verifiquei,' Alina interrompeu de novo, entregando um pendrive pro assistente do conselho. 'Todos esses dados foram pegos do sistema de backup interno do hospital.'
O conselho concordou, e a tela na frente da sala acendeu, mostrando as provas uma por uma: o horário de trabalho da Alina, de repente vazio sem motivo. Registros de pacientes alterados usando o login do Mirza. E-mails internos provando as ordens da Diana pra manipular os dados. E os logs do sistema mostrando a exclusão dos arquivos originais de madrugada, sob a direção da Diana.
Silêncio. Todos os olhos viraram pra Diana, que começou a ficar pálida.
'Isso é calúnia,' ela finalmente falou. 'Esses arquivos podem ter sido falsificados por qualquer um.'
Mas um membro do conselho balançou a cabeça.
'Esses dados vêm do nosso sistema de backup estrutural. Não dá pra acessar sem autorização interna.'
Alina levantou, com a voz calma, mas certeira.
'Eu não quero um cargo. Eu não quero respeito. Eu quero justiça. Eu vim pra esse hospital pra ser médica, não pra ser vítima da vingança de alguém.'
Diana se levantou de supetão, o pânico tomando conta.
'Você acha que alguém vai acreditar numa médica que não passa de amante do dono do hospital?'
'Eu vim aqui pra mostrar a verdade, não pra ficar falando da minha vida pessoal. E não vou recuar por causa das suas fofocas, Diana.'
O clima mudou. Um membro do conselho assentiu devagar, sinalizando pro pessoal do hospital.
'A diretora Diana será suspensa até o fim da investigação.'
Diana congelou. Enquanto isso, pela primeira vez em muito tempo, Alina encarou a sala com a cabeça erguida. Ela não só tinha ganhado, como tinha recuperado a dignidade.
No escritório, Raja tinha acabado de sair de uma reunião com um cliente quando o celular dele vibrou. Uma mensagem do assistente dele iluminou a tela.
'Reunião do conselho finalizada. Aileen ganhou, de lavada. Diana suspensa, investigação em andamento.'
Ele fechou o punho, não de raiva, mas de alívio. E orgulho. Sem hesitar, ele foi pro estacionamento, cancelou o resto da agenda e ligou o carro.
A cabeça dele só tava na Alina, a mulher que, na noite anterior, insistiu em encarar tudo sozinha. Hoje, ela tava ali, por conta própria, sem ajuda de ninguém. Nem a dele.
Raja achava que proteger ela com poder era a melhor forma de amar. Mas hoje, ela provou outra coisa: que a força de uma mulher não vem de quem tá do lado dela, mas da vontade de se manter de pé quando o mundo tenta derrubar.
O carro preto acelerou na estrada principal em direção ao hospital. No volante, Raja não conseguia esconder o sorriso. Cada batalha que Alina lutava, cada traição que ela engolia… finalmente, justiça. Mas na última curva, um carro branco apareceu de repente, sem faróis, correndo mais do que devia.
CRASH!
Metal bateu em metal. O carro do Raja rodou e bateu na mureta antes de parar torto. Fumaça subiu. O alarme tocou. Pessoas correram. Alguém chamou a ambulância. Lá dentro, Raja não tava se mexendo.
De volta no hospital, uma enfermeira correu até a Alina, sem fôlego. 'Doutora Aileen! Teve um acidente na esquina. É o carro do Sr. Raja...'
O tempo parou. Alina deixou a pasta na mão cair e correu, com o coração batendo forte. Na emergência, Raja tava numa maca. Sangue escorrendo de um corte na têmpora. Ele tava consciente, mas fraco.
'Raja...' Alina sussurrou, segurando a mão dele.
'Eu tô bem,' ele roubou. 'Mas... isso não foi um acidente.'
Ele olhou pra ela, com os olhos afiados. 'Tenho certeza que foi de propósito.'
Horas depois, os investigadores da polícia chegaram. Um oficial se aproximou da Alina com uma cara séria.
'Doutora, revisamos as imagens das câmeras de segurança. O carro que bateu no Sr. Raja era da diretora do hospital, Diana Laras.'
A respiração da Alina falhou.
'E o vídeo mostra que ela fez uma pausa, e depois virou de propósito na direção dele.'
Ela tinha suspeitado. Só restava um jeito de fazer a Diana confessar: Alina tinha que ser a isca.
Aquela noite, Alina ficou parada em silêncio na janela do hospital, vendo a chuva cair. Já tinha chegado longe demais. Não era mais sobre o trabalho dela. Era guerra.
No dia seguinte, ela esperou no jardim de vidro de um hotel antigo, o lugar de encontros particulares da Diana. O vento sussurrava pelas folhas caídas.
Pisos ecoaram. Diana chegou, vestida de preto, com os olhos escondidos atrás dos óculos escuros.
'Você é corajosa pra vir sozinha,' ela zombou.
Alina encarou ela, fria e sem piscar.
'Eu quero uma coisa. A verdade.'
Diana riu baixinho.
'Ah... o acidente? Sim. Fui eu que fiz. Eu sabia que o Raja ia te ver.'
O maxilar da Alina ficou tenso.
'Ele podia ter morrido, Diana.'
'Mas não morreu,' Diana rosnou, com os olhos brilhando. 'Que pena, né? Aí você ia saber o que é perder alguém que você ama... como eu perdi o Raja por sua causa!'
De repente, ela bateu na cara da Alina. Mas a Alina não se moveu. Ela ficou firme.
'Você não vai machucar mais ninguém, Diana,' ela disse baixinho. 'A polícia tá lá fora. Eles ouviram tudo.'
Diana congelou. Por um segundo, os olhos dela foram pra um microfone escondido no mato. Os policiais tinham ouvido tudo. Passos se aproximando. Oficiais entraram no jardim.
'Diana Laras, você está presa por tentativa de assassinato e abuso de poder—'
Mas a Diana foi rápida. De baixo do casaco, ela tirou um vidrinho com um líquido transparente. A cara dela ficou vazia.
'Melhor desaparecer... do que ver você ganhar.'
'Diana, não—!' Alina gritou.
Tarde demais. Ela bebeu.
O corpo dela entrou em convulsão, os lábios ficando azuis. A polícia correu pra frente. Alina se ajoelhou perto dela, segurando a mão.
'Tem dor… mas também tem tristeza nos seus olhos,' ela murmurou. 'Por que teve que chegar a isso?'
Diana olhou pra ela pela última vez e deu um sorriso amargo. 'Porque eu nunca aprendi... a perder com classe... como você fez.'