Capítulo 154: Mella Arrogante
Vários dias tinham passado desde o lance perigoso. O hospital tava calmo de novo. A Alina também. Feridas antigas estavam sarando devagar, e o Raja, que agora tava sempre lá, nunca perdia a chance de checar se ela tava de boa.
Aquela manhã, finalmente saiu uma notícia boa. A Alina foi oficialmente indicada como a nova diretora do hospital, no lugar que a Diana tava usando errado. A indicação veio direto do maior acionista do hospital, o Raja Mahesa.
Mas a Alina continuava sendo a Alina. Ela não curtia só ficar sentada atrás de uma mesa, com um blazer formal e cheia de papelada.
"Eu ainda sou médica, não uma estátua atrás de uma parede de vidro", ela falou firme pro Raja durante a indicação.
Aquele dia, o clima tava meio diferente. O hospital recebeu uma cirurgiã nova, mandada da filial principal. O nome dela era Mella. Ela tinha um rosto bonito, uma aparência arrumada e confiante, e era inegavelmente uma gênio na sala de cirurgia. Infelizmente, ela também era arrogante, cheia de nariz empinado e não tinha respeito.
"Dr. Aileen?" a Mella zombou na sala de discussão médica. "Desculpa, quem é essa? Uma enfermeira sênior? Ou talvez uma médica reserva?"
Alguns médicos e enfermeiras trocaram olhares. Eles sabiam direitinho quem era a Alina. Mas antes que alguém pudesse falar, a Alina levantou a mão devagar, sinalizando pra eles ficarem quietos.
Ela só sorriu calmamente. "Eu sou só parte da equipe médica. Prazer em trabalhar com você, Dra. Mella."
A Mella bufou baixinho e soltou uma risadinha. "Nesse caso, espero que você não me atrapalhe. Eu só trabalho com gente que vale a pena."
A sala ficou tensa. Mas a Alina não se abalou. No fundo, ela sentiu curiosidade em vez de raiva.
"Pessoas que ficam se achando demais com a própria inteligência geralmente não percebem que tão sendo testadas", ela pensou quieta.
E naquele dia, a Mella não sabia… a médica que ela tinha acabado de menosprezar era a pessoa mais importante que ia decidir a carreira dela.
Depois da reunião formal de boas-vindas cheia de elogios, a Mella rapidinho mostrou o desempenho dela no trabalho. As mãos dela eram rápidas e precisas nos procedimentos cirúrgicos. Ela era rápida, eficiente, e os resultados dela eram quase perfeitos. Mas tudo isso teve um preço alto: um ambiente de trabalho que parecia tenso e sufocante.
"Todo mundo focado. Não falem, a menos que eu dê permissão", ela disse friamente na sala de cirurgia.
As enfermeiras, acostumadas com um clima mais quente e colaborativo, começaram a se sentir pressionadas. A Mella tratava elas como máquinas, não como seres humanos. Até os médicos juniores designados pra ajudar ela tinham as falas cortadas no meio.
"Eu não preciso da sua opinião", ela cortou uma residente uma vez.
Dia após dia, a equipe da Mella começou a sentir que tava num campo de batalha. Sem risadas. Sem espaço pra discussão. Tudo tinha que andar do jeito dela.
A Alina monitorava tudo isso quieta. Ela recebeu reclamações das enfermeiras de plantão e até da chefe do departamento de cirurgia. Mas quando perguntavam por que a Mella ainda podia agir daquele jeito, a Alina só respondia com um sorriso calmo.
"Cada pessoa revela sua verdadeira face na hora certa."
Mas pra equipe da Mella, essa hora tava demorando demais. Uma enfermeira até chorou na sala de descanso, se sentindo desvalorizada. Outros começaram a pedir transferência pra outros departamentos só pra não ter que trabalhar com a Mella.
Silenciosamente, a Alina tava anotando tudo. Ela esperava o ponto de pressão chegar no auge, não pra derrubar a Mella, mas pra ajudar ela a perceber quem tava realmente sendo testado.
Nos dias que seguiram, a Mella ficou mais fora de controle. Não satisfeita com o poder que já tinha, ela começou a se meter nos casos dos pacientes de outras equipes. Ela corrigia diagnósticos de médicos experientes na frente dos pacientes. Ela ignorava as instruções dos médicos de plantão sem permissão.
O ponto de ruptura veio quando ela surtou com uma residente de enfermagem na sala de cirurgia só porque os instrumentos não eram do jeito que ela queria.
"Vocês acham que isso é um hospital de vila? Isso é uma instalação internacional! E eu não sou uma médica com quem vocês podem ser descuidosamente!" ela gritou alto, fazendo os monitores apitarem por causa da tensão emocional.
Todo mundo congelou. Até o paciente meio inconsciente pareceu afetado pelo clima pesado. A notícia do comportamento dela se espalhou rápido. Mas em vez de refletir, a Mella ficou ainda mais arrogante.
"Eu tô tentando impor disciplina. Esse hospital é muito permissivo. Até a diretora é como um fantasma, nunca aparece. Não é à toa que tudo é uma bagunça", ela disse de propósito alto na cafeteria.
Sem que ela soubesse, um médico jovem, algumas mesas dali, apertou o botão de gravar no celular.
Enquanto isso, a Alina chegou na sala de cirurgia sem avisar pra observar a equipe médica de perto. Mas a recepção dela foi tudo, menos calorosa.
"Com licença, você tá atrapalhando", a Mella disse friamente sem se virar. "Nós não precisamos de espectadores parados no canto sem contribuir."
Ela não sabia com quem ela tinha acabado de falar. A Alina ficou parada por alguns segundos. As palavras da Mella tinham machucado, mas o rosto dela continuou calmo. Ela olhou pra uma enfermeira ali perto – uma mulher jovem que tinha acabado de dar um sorriso tímido pra ela.
"Você sabe quem eu sou?" a Alina perguntou na lata. Mas o olhar dela era afiado como um bisturi pronto pra cortar a arrogância.
A enfermeira jovem congelou. Os olhos dela arregalaram, o rosto ficou pálido. "É-é a Dra. Aileen… a melhor cirurgiã desse hospital", ela gaguejou.
A Mella virou rápido, com o queixo levantado. O olhar dela agora, ainda mais afiado, mais cheio de nariz empinado. Ela sorriu de leve, erguendo o queixo na direção da Alina.
"Eu sou uma distração?" a Alina perguntou, quase num sussurro. Mas as palavras dela ecoaram no silêncio da sala de cirurgia, como um martelo batendo contra uma parede de ego.
A Mella cruzou os braços. "Me desculpe… Minha equipe não precisa da melhor médica só parada por perto. Se você não tem outro propósito aqui, por favor, saia", ela disse alto, cheia de orgulho, como uma leoa guardando a toca.
A Alina deu um passo à frente. Um passo, dois. Cada um espalhando uma pressão invisível. Ela parou a poucos centímetros da Mella. Perto o suficiente pra deixar o silêncio fazer o corte.
"Você não sabia. E você nunca tentou descobrir", ela disse suavemente, friamente, mas com uma força que abalou a sala. "É melhor você cuidar da sua atitude antes que se arrependa."
A Mella prendeu a respiração. Pela primeira vez, os olhos dela piscaram nervosamente. Os punhos antes cerrados agora tremiam levemente. Algumas enfermeiras trocaram olhares. A sala tava tensa. Ninguém ousou dizer uma palavra.
A Alina encarou a Mella por mais alguns segundos. O olhar dela não mudou – frio, afiado e cheio de aviso. Então ela respirou fundo, virou e foi embora.
"Obrigada", ela disse brevemente pra enfermeira que tinha falado antes – a voz dela calma, mas deixando uma impressão profunda.
Os saltos dela bateram no chão, ecoando como um relógio da desgraça na sala de cirurgia agora silenciosa. Ela não olhou pra trás. Ela não precisava. O que restou foi o silêncio e o medo entrando sorrateiramente em quem tinha se sentido seguro demais por muito tempo.
A Mella ficou parada, com a mandíbula travada, os punhos tremendo atrás do casaco. Mas por dentro, o coração dela tava batendo forte. A enfermeira que tinha respondido ficou parada, com os olhos seguindo a figura da Alina se afastando.
"Nós… acabamos de nos meter numa encrenca", ela sussurrou pra uma colega do lado.
Ninguém respondeu. Mas todo mundo sentiu o mesmo. A tempestade ainda não tinha chegado, mas o céu já tava escurecendo.