Capítulo 46: A Conspiração da Mesa de Operação
Lana mordeu o lábio, hesitante por um segundo. Mas aí, ela fez que sim com a cabeça. "Sim. Eu quero saber."
Alina deu um sorrisinho fraco, mas por trás tinha um segredo e tanto esperando pra ser revelado. Ela começou a explicar o que realmente tinha acontecido com ela. A tensão no quarto dava pra sentir. Silêncio tomou conta do lugar, quebrado só pelo bipe lento do aparelho de soro, no ritmo da respiração contida de Lana.
"Eu não sou a verdadeira Aileen", Alina finalmente confessou. A voz dela tava calma, mas tinha um peso enorme por trás.
Lana olhou pra ela fixamente. Ela tinha sentido que algo tava errado desde o acidente. Não era só trauma—o jeito de Aileen, a forma como ela falava, até o olhar dela, não pareciam mais os dela.
"O que você quer dizer…?", Lana sussurrou.
Alina respirou fundo, olhando pra sua amiga com os olhos firmes. "Eu… na verdade morri no mesmo dia que a Aileen."
A respiração de Lana falhou, sua mão na coberta apertando. "Quê?"
"Mas de alguma forma, eu acordei no corpo da Aileen… enquanto ela não tava mais lá." Alina balançou a cabeça de leve, o olhar escurecendo. "Eu não sei como isso aconteceu. Eu nunca pedi por isso… mas quando eu recuperei a consciência, eu já tava no corpo dela."
Silêncio de novo no quarto. Lana sentiu o peito apertar. Os olhos dela encheram de lágrimas. Ela queria negar. Mas no fundo, ela sabia que Alina não tava mentindo.
"Então… a Aileen foi mesmo?" A voz dela mal dava pra ouvir.
Alina fez que sim devagar. "Me desculpa, Lana… eu sei que é difícil de aceitar. Mas eu ainda me importo com você. Eu ainda quero te proteger. Eu ainda…"
Lana cobriu o rosto com as duas mãos, e os soluços dela quebraram a calmaria. "Eu… perdi minha melhor amiga…"
Alina só conseguiu ficar em silêncio, deixando Lana chorar. Ela sabia que não ia ser fácil. Mas pelo menos, não tinha mais mentiras entre elas.
Ela queria ficar mais com Lana, mas de repente, o celular dela tocou. O toque familiar lembrou ela que o plantão tava quase começando.
Alina olhou pra tela rapidinho antes de olhar pra Lana com uma expressão gentil. "Eu vou te dar um tempo. Eu tenho que ir agora."
Lana ainda tava soluçando baixinho, mas ela fez que sim com a cabeça. "Obrigada por me contar… Mesmo que eu ainda precise de um tempo pra processar tudo."
Alina deu um sorrisinho. "Eu entendo. Descanse, Lana."
Com passos lentos, ela saiu do quarto. Mas o coração dela ainda tava pesado. A verdade foi dita. Mas será que ia trazer paz, ou ia liberar um perigo ainda maior?
Ninguém sabia. Ela só podia esperar pelo que ia vir.
Enquanto isso, no escritório dela, Alina tava revendo os últimos resultados dos exames quando uma enfermeira entrou, parecendo em pânico.
"Dra. Alina! A família de um paciente tá causando um escândalo no quarto!" a voz da enfermeira tremia. "O paciente queimado que a senhora tratou há um tempo… ele morreu de repente!"
O coração de Alina parou. Ela levantou na hora, com uma expressão tensa.
"Qual quarto?" ela perguntou rápido.
"Quarto 207! A família tá furiosa e culpando os médicos!"
Sem perder um segundo, Alina correu pro quarto. De longe, ela já ouvia gritos de raiva ecoando pelo corredor do hospital.
Quando ela chegou na porta, ela viu um homem de meia-idade, o rosto vermelho de raiva, apontando agressivamente pras enfermeiras tentando acalmá-lo.
"Que tipo de médicos vocês são?! Vocês falaram que ele tava estável! Como ele morreu de repente?!" o homem gritou, os olhos ardendo de fúria.
Do lado dele, uma mulher—provavelmente a esposa—tava soluçando sem parar.
Alina respirou fundo antes de ir pra frente. "Eu fui a médica que tratei o paciente. Eu entendo sua raiva, mas a gente pode conversar com calma?"
O homem virou na hora o olhar furioso pra ela. "Conversar?! O que tem pra conversar?! Você matou meu irmão!" Ele foi pra cima como se fosse atacar, mas as enfermeiras seguraram ele rápido.
Alina ficou firme. "Eu posso explicar a condição médica dele, e se vocês quiserem uma autópsia pra determinar a causa exata da morte, a gente pode providenciar."
Antes que o homem pudesse responder, alguém que tava parado quietinho no canto do quarto finalmente foi pra frente. O clima ficou ainda mais tenso quando Alina cruzou o olhar com ele.
"Só admita, você foi descuidada, Alina", ele zombou, a voz cheia de superioridade. "Eu te falei, fazer cirurgia numa área aberta era arriscado. Mas você foi em frente mesmo assim."
Alina não se abalou. Ela deu um passo mais perto, o olhar afiado. "Aquele paciente sobreviveu à cirurgia. Então por que ele morreu agora?" ela desafiou. "Se a minha operação fosse a causa, ele teria morrido na hora. Mas isso? Já faz três dias! Eu tenho certeza que alguém matou ele de propósito."
Os olhos dela, penetrantes, pararam em Richard, o homem agora na frente dela com uma expressão estranhamente calma.
Richard deu um sorriso cínico, e depois se virou pra família enlutada. "Vocês realmente querem confiar na Dra. Alina?" A voz dele tava suave, mas com um tom manipulador. "Vocês aguentam a ideia do corpo do seu ente querido ser aberto numa autópsia? Não seria melhor deixá-lo descansar em paz?"
Infelizmente, as palavras dele tocaram no ponto certo. As expressões da família, que antes eram de dúvida, agora estavam nubladas de raiva. Em vez de procurar a verdade, eles escolheram culpar Alina. Deixar a morte suspeita ser enterrada junto com o falecido.
Alina fechou os punhos. Isso não era justo. Mas ela ainda não tinha perdido. Se eles se recusavam a ver a verdade, então ela ia ter que descobrir sozinha.
"Se vocês recusarem a autópsia, vocês podem nunca saber o que realmente aconteceu", Alina falou calma, embora o coração dela estivesse furioso. "Mas lembrem—se alguém for responsável por essa morte além das causas naturais, vocês estão deixando essa pessoa livre."
O homem furioso olhou pra ela, os olhos vermelhos, o rosto cheio de incerteza. Mas antes que ele pudesse hesitar, Richard entrou suavemente no meio deles, o sorriso cínico ainda no rosto.
"Já chega, Alina", ele falou casualmente, mas com uma ponta de ameaça. "Para de fingir que se importa. Você só quer proteger sua reputação."
Alina estudou ele com cuidado. Richard tava calmo demais, como se tivesse planejado tudo isso.
"Eu só quero ter certeza de que não teve nenhuma sacanagem aqui, Dr. Richard", ela retrucou. "E você parece muito ansioso pra desviar a atenção."
Richard deu uma risada. "Você adora arrumar confusão, né?" Ele se aproximou, baixando a voz. "Tome cuidado, Dra. Alina. Nem todo mundo nesse hospital quer você viva."
A ameaça velada dele fez Alina se arrepiar, mas ela não deixou transparecer. Ela viu a família finalmente indo embora, escolhendo deixar o caso sem solução. Mas o que incomodou mais ela foi Richard, ainda parado ali, olhando pra ela com um olhar calculista, como se estivesse esperando o próximo movimento dela.
Alina não recuou. Ela se aproximou e sussurrou, "Mande lembranças pro Dr. Borgio."
Por uma fração de segundo, a expressão de Richard mudou. Mas ele mascarou rapidinho com um sorriso cínico.
"Eu não vou ser tirada desse hospital tão fácil." A voz de Alina tava baixa mas cheia de determinação.
Richard estudou ela por um momento, e depois soltou uma risada de deboche antes de se virar.
Alina respirou fundo devagar. Agora, ela tinha certeza. Isso não era só negligência médica. Isso era um recado.
Os punhos dela estavam fechados. Os olhos dela continuavam fixos na figura de Richard se afastando.
"Eu sei que você vai fazer alguma coisa", ela murmurou friamente. "Mas se você acha que eu vou simplesmente me entregar… você tá muito enganado."