Capítulo 85: A Queda do Inimigo
Alina ficou quieta, com as mãos que há pouco estavam ocupadas guardando o kit de primeiros socorros agora lentamente cerradas em punhos. Seu rosto ainda exibia um sorriso, mas a luz em seus olhos tinha sumido completamente.
'Memórias, hein…' ela sussurrou baixinho.
Então ela olhou para Leo de novo, desta vez sem um sorriso. Apenas a honestidade que ela tinha mantido enterrada por tanto tempo permaneceu.
'Mas você sabe, Leo… essas memórias ainda estão vivas bem aqui.' Ela colocou a mão no peito. 'E eu acredito… uma parte de você ainda se agarra a elas também, não é?'
Leo desviou o olhar. Ele não respondeu. Não porque não soubesse o que dizer, mas porque sabia que a verdade só ia doer mais.
Alina se levantou, respirando fundo para se acalmar.
'Eu não vou te forçar, Leo. Mas lembre-se disso, quando ela foi embora, eu fui quem ficou. E um dia… talvez você perceba quem realmente nunca saiu do seu lado.'
Ela caminhou em direção à porta, então olhou para trás brevemente.
'Cuide da sua ferida. Não deixe que seja a única coisa que te machuca hoje.'
E com isso, a porta se fechou suavemente atrás dela, deixando Leo em silêncio, seu coração começando a se partir.
Depois que Alina foi embora, Leo sentou-se pensativo no sofá, olhando para o celular por alguns segundos. Seus dedos finalmente se moveram, tocando em um nome que ele conhecia muito bem.
A chamada foi atendida rapidamente. A voz da mulher era alegre, mas havia uma tensão sutil em seu tom.
'E aí? Ela desconfiou de alguma coisa?' Lucy perguntou, parecendo curiosa.
Leo suspirou. 'Um pouco.'
Houve uma pausa antes que Lucy falasse novamente.
'Por que não acabamos com essa farsa? Você ama Alina, Leo. Então por que você está noivo de mim?'
Leo não respondeu imediatamente. Essa pergunta ecoava em sua cabeça por tanto tempo, mas ele nunca encontrou uma resposta satisfatória, pelo menos não uma que lhe trouxesse paz.
'Eu só queria me afastar de Alina…' ele murmurou. 'Mas a verdade é… meu coração ainda está lá.'
A imagem do rosto de Alina, seu sorriso, a maneira como ela gentilmente cuidou de sua ferida, tudo voltou, atingindo-o em cheio no peito. Ele podia enganar todo mundo. Mas não a si mesmo.
Lucy também ficou em silêncio, então falou suavemente, como se entendesse a dor de Leo.
'Tudo bem… Eu tenho que voltar ao trabalho. Descanse um pouco.'
E a chamada terminou. Deixando Leo em um silêncio ainda mais profundo do que antes.
Ele se recostou, fechando os olhos.
'Essa farsa toda só está me fazendo perder o rumo.'
Enquanto isso, longe da teia emaranhada de amor e mentiras na cidade, Indry encarava as paredes úmidas e sufocantes da prisão. Sua respiração era pesada, seus olhos cheios de raiva e determinação. Hoje, ela tinha que sair.
Não porque estivesse cansada da tortura, mas porque sua vingança estava longe de terminar. Quando a porta de ferro rangeu ao se abrir, um servo entrou com uma bandeja de comida. Ele parecia comum, alheio ao fato de que acabava de abrir os portões do inferno.
'Com fome?' ele zombou.
Indry deu um sorriso fraco. Ela se levantou lentamente, caminhando em sua direção com um corpo fraco, mas com os olhos brilhando em chamas.
'Um pouco…' ela sussurrou enquanto se aproximava. Muito perto.
Com um toque suave, ela puxou a gola da camisa do homem, provocando-o, distraindo-o. E quando ele baixou a guarda…
Talho
Uma pequena lâmina, Deus sabe onde ela conseguiu, cortou direto em seu pescoço. Sangue jorrou. Seu corpo desabou.
Indry não mostrou remorso. Ela pegou as chaves do corpo sem vida e, em questão de segundos, saiu da cela como uma sombra.
Navegando pelos corredores subterrâneos, espessos em segredos e traições, ela finalmente saboreou o ar fresco pela primeira vez em meses.
O primeiro lugar para onde ela foi, a casa de Dozer. A primeira pessoa que tinha que saber que ela não estava morta. E que o jogo estava longe de terminar.
Dozer estava jogado no sofá, enxugando o suor da testa, não por exaustão, mas por um desconforto que de repente surgiu.
Indry estava diante dele, seu corpo magro, mas seus olhos ferozes. A faca em sua mão brilhava sob a luz trêmula do candelabro.
'Me diga', sua voz tremia, não de medo, mas de conter a raiva, 'Por que você me tratou como lixo?'
Dozer riu. Uma risada cheia de desprezo. 'Então, você só está percebendo isso agora? Que engraçado.'
Indry se aproximou, a ponta da lâmina quase tocando seu peito, embora ele permanecesse sentado, cauteloso, mas ainda não assustado.
'Eu deveria saber desde o começo… você nunca foi um homem bom.'
Dozer sorriu.
'Depois de todos os pecados que você cometeu? As mentiras, a manipulação, até mesmo aqueles pequenos assassinatos…' ele zombou. 'Você realmente achou que um homem bom seria seu? Isso é hilário, Indry.'
'Cala a boca!' Indry gritou, e com um movimento rápido, a faca cravou no apoio de braço do sofá, a poucos centímetros de sua garganta. 'Eu sobrevivi ao inferno e não voltei para a paz. Eu voltei para pegar tudo o que você me roubou.'
Dozer se levantou lentamente, sua expressão não sendo mais brincalhona.
'Se você acha que pode entrar aqui e causar caos sem consequências, então você claramente não sabe quem eu realmente sou.'
Indry se aproximou, seus rostos a centímetros de distância.
'E se você acha que eu voltei para chorar, então você é ainda mais burra do que eu pensava.'
A tensão tomou conta da sala. Respiração pesada. Olhares penetrantes. Duas pessoas que antes se destruíram agora estavam prontas para fazer isso de novo.
Mas antes que qualquer sangue pudesse ser derramado, uma voz soou pela entrada dos fundos.
'Indry?'
Indry se virou bruscamente. Seus olhos se arregalaram ao ver a figura na porta. Alina.
Com o cabelo bem preso e um casaco comprido tremulando na brisa da noite, ela parecia composta, mas seu olhar queimava como fogo.
'Você ainda tem a audácia de aparecer depois de tudo?' A voz de Indry ecoou pela sala, fervilhando de dor e fúria.
Dozer pulou, em pânico. 'Alina, saia daqui. Não chegue mais perto.'
Mas Alina não se moveu. Ela entrou calmamente na sala, nunca quebrando o contato visual com Indry.
'Eu não vim aqui para jogar com segurança, Dozer.'
'Eu vim porque sabia que, mais cedo ou mais tarde, nós três nos destruiríamos.'
Indry apertou sua faca com mais força. 'O que você quer dizer?'
Alina se aproximou, parando a poucos metros dela.
'Lembra da festa de sete anos atrás? A noite em que minha vida mudou para sempre? A noite em que você e Dozer levaram embora a única pessoa que eu amei… e chamaram de acidente?'
Os olhos de Indry se arregalaram. Naquele momento, os fragmentos do passado voltaram, sangue, gritos e a risada de Dozer que nunca deixou sua mente.
'Sabe, Indry… posso parecer gentil. Mas não hoje.'
Alina abriu o casaco, revelando uma pequena pistola presa em sua cintura.
Dozer deu um passo para trás. 'Vocês duas estão loucas.'
Indry riu sombriamente. 'Engraçado. Eu vim para cobrar uma dívida… acontece que eu não sou a única.'
'Que tal acabarmos com todos os pecados hoje?' Alina perguntou calmamente, mas com frieza. 'Ninguém foge. Sem mais fingimentos.'
'Pode ser melhor se todos morrermos juntos hoje à noite', Indry sussurrou, com os olhos selvagens… mas de alguma forma em paz.
De dentro de sua jaqueta surrada, ela puxou uma pequena bomba caseira, fios, luzes vermelhas piscando e um pequeno controle remoto já em sua posse.
'INDRY, NÃO!' Dozer gritou, com os olhos arregalados.