Capítulo 2 Renascimento no Corpo de Outro
“Acidente?”
**Alina** engoliu em seco, tentando processar essa informação.
“Eu… eu estou bem”, ela disse, ajustando o tom para não levantar suspeitas.
A **enfermeira** soltou um sorriso aliviado. “Que bom, Doutora. Mas a senhora devia descansar. O **Dr. Adam** quer ver como a senhora está.”
“Doutora?!”
A palavra ainda parecia estranha para ela. De líder da máfia temida… agora ela era **Aileen Monroe** – uma cirurgiã?
Ela quase riu da loucura daquilo, mas se segurou. Essa era a ironia no seu melhor.
“Tudo bem”, ela respondeu brevemente.
Quando voltou para a cama, um homem de meia-idade com cabelo grisalho entrou no quarto. Seu olhar penetrante parecia perfurá-la. A identificação no peito dele dizia **Dr. Adams** – Especialista em Neurologia.
“É bom ver você acordada, **Aileen**. Estávamos preocupados com danos cerebrais depois do acidente. Como você está se sentindo?”
**Alina** pensou rápido. Se ela fizesse muitas perguntas, poderia levantar suspeitas.
“Um pouco tonta… mas estou bem.”
O **Dr. Adams** assentiu. “É normal. O acidente foi bem grave. Não ficaria surpreso se você estivesse com alguma perda de memória. Mas não se preocupe, vamos ajudar você a se recuperar.”
“Perda de memória?”
Um sorriso fraco quase se formou nos lábios de **Alina**. Essa podia ser a desculpa perfeita se ela agisse estranho. Depois de terminar o exame, o doutor saiu, e o silêncio encheu a sala.
**Alina** se recostou na cama do hospital, olhando para o teto branco. A realidade estava afundando.
“Eu, **Alina Devereaux**, a líder da máfia que deveria estar morta… agora estou viva como **Aileen Monroe**, uma médica.”
Suas mãos se fecharam em punhos. Esta não era apenas uma segunda chance. Isso era um presente… e uma oportunidade de vingança.
“**Marco**…”
Seus olhos escureceram, e um sorriso frio curvou seus lábios. “Só espere. Vou fazer você sofrer mais do que você já me fez sofrer.”
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Em algum outro lugar…
Uma figura sombreada falou em tom baixo.
“Ela ainda está viva.”
A pessoa na frente deles se enrijeceu, sua expressão se tornando nítida.
“O quê?! Como isso é possível? Vocês garantiram que ela estava morta na cena!”
“Nós também não entendemos. Quando começamos a desligar o suporte vital… ela de repente voltou.”
O homem sentado se levantou abruptamente, seus olhos se estreitando perigosamente.
“Não importa o que aconteça, ela tem que ser eliminada. Ela sabe demais sobre nós.”
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**Alina** se encostou na cama do hospital, seus olhos percorrendo cada centímetro do quarto estranho. Era limpo demais, silencioso demais – tão diferente do mundo que ela costumava conhecer.
“Normalmente, depois de me machucar, eu estaria correndo, me escondendo dos meus inimigos”, ela murmurou. “Mas agora, posso descansar em uma cama confortável.”
Seus dedos agarraram o cobertor enquanto ela tentava processar tudo.
“Quem era essa mulher, realmente?”
A porta do hospital se abriu, e uma **enfermeira** entrou, carregando um copo d'água e alguns documentos.
“**Dra. Monroe**, este é o seu relatório médico. Você pode querer lê-lo para entender sua condição após o acidente”, ela disse com um sorriso gentil.
**Alina** aceitou os documentos com um breve aceno de cabeça. A **enfermeira** não parecia nada suspeita. Bom. Enquanto ela interpretasse o papel de **Aileen**, ninguém saberia a verdade.
Assim que a **enfermeira** saiu, ela imediatamente abriu o relatório, examinando os detalhes.
Nome: **Dra. Aileen Monroe**
Idade: 29 anos
Ocupação: Cirurgiã Geral no Bungalow International Hospital
Condição na chegada: Traumatismo craniano leve, fraturas menores no braço esquerdo, múltiplas contusões de um acidente de carro.
Status médico: Estável
“Acidente de carro?” **Alina** estreitou os olhos.
Ela olhou para o braço esquerdo, agora envolto em bandagens. Algo não parecia certo.
“Eu não acredito que isso foi apenas um acidente.”
Seus instintos de sobrevivência gritavam que algo maior estava em jogo. Mas por enquanto, ela tinha que se adaptar. Respirando fundo, ela fechou o relatório e o deixou de lado.
“Se eu sou **Aileen Monroe** agora, então eu tenho que agir como **Aileen Monroe**”, ela murmurou, deitando-se novamente. “Mas há um grande problema… Eu não sou médica.”
Como ela ia fingir ser cirurgiã sem levantar suspeitas? No entanto, quanto mais ela pensava sobre isso, mais percebia – o mundo médico e a máfia não eram tão diferentes.
Como líder da máfia, ela costurava ferimentos de bala, estabilizava homens morrendo e até mesmo realizava procedimentos de emergência com nada além de uma faca e álcool. A única diferença agora era que ela tinha equipamentos adequados, um ambiente estéril e não precisava fugir da polícia.
“Se for só cortar pessoas, eu consigo. Mas, mais importante, preciso descobrir a verdade por trás da morte de **Aileen**.”
Seus olhos brilharam com determinação. Pela mulher cujo corpo ela agora habitava, pela segunda chance que lhe fora dada – ela encontraria justiça e puniria os responsáveis.
“Eu vou fazer eles pagarem.”