Capítulo 69: A Derrota de Marco
A noite chegou devagar. O quartel-general tava silencioso, só com o zum-zum das máquinas e os passos de vez em quando dos soldados patrulhando. Num corredor tranquilo, a **Alina** tava sozinha numa varanda, olhando pro céu cinza. Na mão dela, um pingente velho escondido por baixo da roupa – a única parada do passado que sobrou.
Passos chegando. O **Leo** apareceu na porta, com duas canecas de algo quentinho.
"Achei que ia te fazer bem," ele falou, oferecendo uma das canecas.
A **Alina** pegou, sem virar.
"Valeu."
Um silêncio rolou. Só a brisa leve enchendo o espaço entre eles.
"Já pensou em desistir?" a **Alina** perguntou de repente, com a voz quase inaudível.
O **Leo** olhou pra ela. "Já. Quando perdi muitos pacientes, quando a galera do time morreu… Bateu vontade de vazar. Mas a culpa foi mais forte que o cansaço."
A **Alina** balançou a cabeça devagar. "Eu também. Mas não é tipo que eu desisti. Eu só… fiquei mais cruel."
Ela olhou pra ele agora. "Sabe, às vezes eu fico com medo. Medo de virar a pessoa que eu era antes."
"Mas a que eu vejo agora… não é essa **Alina**," o **Leo** chegou mais perto. "Essa… ainda tem algo humano."
A **Alina** deu um sorriso cansado. "Um lado humano que todo mundo tá caçando?"
"Pelo menos agora, tem alguém que quer lutar do teu lado."
A **Alina** olhou nos olhos do **Leo**. No silêncio, tinha tanta coisa não dita. Feridas, amor, perda, e a esperança que eles nunca puderam ter.
"Se eu morrer—"
"Não começa," o **Leo** interrompeu.
"Só escuta," a **Alina** segurou um sorriso. "Se eu morrer, e você viver… arruma alguém mais calma. Não alguém como eu."
O **Leo** balançou a cabeça. "Se você morrer, **Alina**… o mundo vai perder a única pessoa que sabia como botar o inferno pra quebrar e sair de cabeça erguida."
Eles ficaram quietos de novo. Mas dessa vez, tava mais calmo. Mais perto. Enquanto isso, na sala de monitoramento, o **Jio** tava vendo eles pela câmera de segurança. A cara dele tava tensa – não por causa dos planos de guerra, mas porque ele tava começando a perceber que a admiração dele pela **Alina** tava indo mais fundo do que ele achava.
"Você sempre foi um mistério, **Alina**," ele murmurou. "E, que burro, eu sempre quero te decifrar."
No dia seguinte, a base acordou pra vida. Figuras do passado chegaram uma por uma. Alguns vieram de helicóptero, outros por terra. Ex-soldados, agentes das sombras, e especialistas sumidos do mundo. O **Leo** reconheceu algumas caras. O resto eram lendas, até o governo não tinha arquivos deles. O **Jio** ficou na frente do mapa estratégico com a **Alina** e o **Leo**.
"Vamos atacar por três frentes – norte, leste, e uma equipe pequena se infiltra por baixo," o **Jio** explicou, apontando pra um mapa digital.
"A entrada subterrânea só é conhecida por duas pessoas… eu, e… **Marco**," a **Alina** cortou. Os olhos dela estavam afiados. "Ele sempre soube como escapar. Dessa vez, a gente tranca todas as saídas."
O **Leo** balançou a cabeça. "E se a gente falhar?"
"Aí não vai ter próxima vez," o **Jio** respondeu, seco.
Mais tarde, na parte das armas, o **Kai** reapareceu. Mas tinha algo estranho. Ele parecia mais frio, os movimentos duros.
"Você veio," a **Alina** falou, checando as armas dela.
"Claro. Eu ainda te devo minha vida."
Mas quando a **Alina** virou, ela viu algo no bolso do **Kai** – um aparelho de comunicação pequeno, que não era da sede. Ela ficou em alerta, mas não falou nada.
Naquela noite, as tropas se prepararam. Todo mundo na posição. Mas, minutos antes da operação começar, todo o sistema de energia caiu. Os alarmes silenciaram. Portas trancadas automaticamente.
"Fomos sabotados," o **Jio** falou rápido.
"Alguém de dentro…" o **Leo** começou a sacar.
A **Alina** chamou a equipe de comando, mas não teve resposta. De repente, a voz do **Marco** veio pelos alto-falantes da base.
"Valeu por juntar todos os meus inimigos num lugar só. Agora, é só apertar um botão."
A **Alina** apertou a mandíbula. "**Kai**…"
"Eu achei que você fosse mais esperta. Parece que vocês são só fantasmas agarrados em memórias. Aproveitem os últimos momentos, **Alina**. A contagem regressiva começou."
A **Alina** jogou o fone no chão, com raiva nos olhos. "Ele nos pegou…"
O **Leo** correu pros sistemas de backup, tentando reiniciar o gerador. O **Jio** juntou uma equipe tática de três pessoas, checando as rotas de evacuação.
"O **Kai** deve ter plantado o transmissor. Se a gente achar, dá pra bloquear o controle do **Marco**," o **Jio** falou, urgente.
"Eu vou achá-lo," a **Alina** falou, firme, sem hesitar.
O **Leo** pegou o braço dela. "Sozinha não."
"Eu preciso. Ele jurou lealdade pra mim. Se eu achar ele… talvez ainda me escute."
O **Leo** olhou nos olhos dela, então balançou a cabeça. "Beleza. Mas se ele levantar uma arma… eu sou o primeiro a puxar o gatilho."
Corredor oeste. O **Kai** tava tentando abrir uma porta de saída escondida quando a **Alina** apareceu atrás dele.
"Ainda usando as portas dos fundos, **Kai**. Você não mudou."
O **Kai** virou, conflitado. "Eu não tive escolha. O **Marco** tem minha irmã."
"Então você escolheu sacrificar todo mundo por uma vida?"
"Se você fosse eu, você—"
"Eu fui você." A **Alina** chegou mais perto. "Mas eu não traí todo mundo que acreditava em mim."
O **Kai** abaixou a cabeça, as mãos tremendo. Antes que ele pudesse correr, o **Jio** e o **Leo** chegaram do outro lado.
"Entrega o transmissor," o **Jio** mandou.
O **Kai** puxou o aparelho pequeno do bolso devagar e botou no chão.
"O **Marco** botou um vírus no nosso sistema. Mas se a gente inverter o sinal pelo seu transmissor… dá pra bloquear o controle dele," o **Jio** falou rápido.
A **Alina** pegou o aparelho. "Vamos dar uma virada nessa guerra."
Sala de Comando, 00:48. Com coordenação rápida, o **Jio** e o **Leo** conseguiram cortar o sinal do **Marco**. A energia voltou. O mapa digital reconectou.
"Ainda temos tempo," o **Leo** falou.
"Não muito," o **Jio** adicionou. "Mas o suficiente pra revidar."
A **Alina** ficou no centro da sala tática. A cara dela fria, mas os olhos pegando fogo. "A gente sabe onde o **Marco** tá. A gente sabe o caminho. Dessa vez, a gente acaba com isso. Não pra sobreviver, mas pra terminar."
As tropas se reuniram. Armas distribuídas. O silêncio virou o ritmo da guerra.
Uma hora antes do amanhecer. 03:27, floresta da fronteira leste. A equipe de elite, liderada pela **Alina**, **Leo**, e **Jio**, se infiltrou no território do **Marco**. Um complexo industrial velho, super guardado com drones, sensores de movimento, e guardas armados. Mas, por causa do caminho secreto do **Jio**, eles chegaram perto sem serem detectados.
"Vamos dividir em duas equipes. Equipe A ataca pela frente depois da distração. Equipe B, comigo, por baixo," a **Alina** sussurrou.
O **Leo** olhou pra ela. "Tem certeza que quer liderar a rota mais perigosa?"
"Não é sobre certeza. É sobre terminar o que eu deixei pra trás."
04:02. Uma pequena explosão no lado oeste funcionou perfeitamente, tirando os guardas de perto. A **Alina**, o **Leo**, e mais cinco pessoas se enfiaram pelos túneis subterrâneos, cheios de fios danificados e buracos de armadilha. O **Marco** claramente esperava um ataque.
"Cuidado. Isso é mais que uma guerra… é psicológico," o **Jio** sussurrou.
Um por um, eles derrubaram os guardas quietinhos. Quando chegaram perto do centro de comando, uma voz ecoou pelos alto-falantes internos.
"Bem-vinda de volta, **Alina**. Eu achei que sua cara nova ia esquecer o caminho desse inferno."
O **Marco** sabia que eles estavam chegando.
04:30. A sala de comando do **Marco**. Uma batalha intensa rolou. A Equipe A quebrou as defesas de fora. Enquanto isso, a **Alina** e o **Leo** chegaram no centro de controle. O **Marco** esperava sozinho, calmo, com uma pistola na mesa, e um sorriso de canto de boca.
"Então é você agora? **Alina**… cheia de feridas, amor, e asas quebradas?"
A **Alina** entrou. "Eu não vim conversar."
"Mas eu quero conversar. Você precisa saber que não começou com traição. Eu queria te salvar."
O **Leo** se moveu cautelosamente, observando os cantos.
"Você traiu ela," o **Leo** falou frio. "Ela confiava em você."
O **Marco** soltou uma risada curta. "Você acha que eu tenho medo de morrer? Não, **Leo**. Eu tenho medo de ver ela ficar fraca por causa do amor."
Os olhos da **Alina** encheram de lágrimas. "Eu tava fraca porque ninguém acreditava em mim. Agora eu tenho eles. Eu tenho o **Leo**. E eu sei quem eu sou."
"Então me mata."
"Com prazer," a **Alina** sussurrou.
PAH.
Uma bala no peito do **Marco**. Mas não da **Alina**. Do **Kai** que surgiu atrás deles. Tarde, mas redimindo a traição dele. O **Marco** caiu, chocado, mas sorrindo.
"Então… você consegue mudar, **Kai**…"
Horas depois. A base do **Marco** foi destruída. Todos os dados apagados. O passado apagado. Eles ficaram no meio das ruínas feridos, exaustos, mas vivos.
A **Alina** olhou pro sol nascendo. "Nós vencemos," ela falou suave.
O **Leo** pegou a mão dela. "E ainda estamos vivos."
"Por enquanto."
"Pra sempre, se você deixar."
A **Alina** soltou uma risada pequena – dessa vez não amarga, mas aliviada. "Não me pede em casamento em cima da ruína."
"Esperando um lugar mais dramático?"
"Pelo menos um com flores, não com minas terrestres."
Mas, bem atrás do sorriso dela, o **Jio** segurava algo diferente. Os olhos dele mudaram enquanto ele via a **Alina** e o **Leo** indo embora.
"Eu não vou deixar vocês ficarem juntos," ele sussurrou, com determinação crescendo. "É hora de eu lutar por você, **Alina**."
O coração dele acelerou. Talvez todo esse tempo, ele fingiu não se importar. Mas não mais. Dessa vez, ele não ia desistir.