Capítulo 168: A Máscara do Senhor Supremo
Na manhã seguinte, uma tempestade abalou o Hospital Royal Mahesa. Uma a uma, porradas implacáveis do escritório do Presidente caíram sem parar. Começou com acusações de evasão fiscal, seguido por alegações de remédios e equipamentos vencidos. Até o sistema operacional militarizado do hospital foi alvo de fogo legal.
A mídia nacional caiu matando. As manchetes inundaram as ondas do rádio, declarando que o Hospital Royal Mahesa não era apto a funcionar. Mas Davin agiu rápido. Sob uma pressão esmagadora, ele se tornou o escudo do hospital. Suas manobras táticas foram quase impecáveis, executadas sob ordens diretas de Alina.
E Alina? Ela escolheu agir em silêncio. Ela sabia que aquilo não era apenas coincidência. Alguém estava tentando derrubá-los. Então, sem alarde, ela voltou ao Presidente. Em sua mão estava um segredo. Uma bomba.
Entregue há anos, evidências dos crimes fundadores do Hospital GlobalMed. Ninguém mais sabia. Nenhuma alma, exceto ela e o falecido Raja Mahesa. E agora, Alina não estava mais na defensiva.
Ela ia para o ataque. Os olhos do Presidente se fixaram nela, pesados de pressão. As palavras o falharam, mas seu olhar gritava uma coisa: medo.
Não demorou muito para ele entender os documentos que ela trouxe. Os crimes do fundador da GlobalMed ligados a ele, indiretamente. Se vazasse, o dano seria catastrófico. Sua reputação. Seu poder. Tudo se foi. Com a mão trêmula, ele pegou uma caneta. Alina ficou parada. Fria. Imperturbável.
'Eu não quero promessas', ela disse secamente. 'Eu quero por escrito. Agora.'
Ele não teve escolha. Linha por linha, ele escreveu uma retratação formal, livrando o Hospital Royal Mahesa de todas as acusações. Declarando-os inocentes. Prometendo restaurar seus nomes e interromper todas as investigações. Mas por trás do risco da caneta, algo invisível permaneceu.
Um sorriso fraco. Alina não percebeu. Ela pensou que tinha vencido. Ela não tinha. Ao sair do escritório, segurando aquela confissão escrita, ela não percebeu... ela acabara de entrar em um campo de batalha muito mais sombrio.
No dia seguinte, a nação acordou com manchetes chocantes. Hospital Royal Mahesa Livre de Todas as Acusações. Seu nome foi restaurado. Acusações foram retiradas. Por um momento, Alina se permitiu respirar. Mas apenas por um momento. Poucas horas depois, outra manchete atingiu a nação como uma bala.
'Presidente Chantageado por uma Mulher! Evidências Vazadas de Ameaça e Extorsão!'
Fotos se espalharam como fogo selvagem: Alina, parada diante do Presidente, que parecia aterrorizado e encurralado. A narrativa havia sido distorcida. O Presidente a havia traído.
Antes que ela pudesse saborear a vitória, o mundo se voltou contra ela... Mas Alina não era uma mulher comum.
Ela pegou o telefone, calma, mas afiada como uma navalha. Ela discou um velho amigo, o chefe de uma mídia independente que lhe devia um favor.
'Liberte os arquivos que enviei ontem. Agora.'
Minutos depois, outra tempestade explodiu.
'Experimentos Ilegais Por Trás da GlobalMed: Presidente Diretamente Envolvido!'
Tudo veio à tona. GlobalMed não era apenas um hospital. Era uma fachada para um projeto negro e horrível: experimentos humanos artificiais baseados em IA, financiados por dinheiro secreto do governo e liderados pelo cientista criminoso Dr. Volkov, agora um fugitivo. Junto com sua filha, Mella, atualmente presa, eles testaram em sujeitos vivos. Inúmeras vítimas. E tudo com o apoio do Presidente.
O mundo virou de cabeça para baixo. Protestos eclodiram. Cidades inundadas com faixas e cânticos. Hashtags como #JustiçaParaAsVítimas foram tendência em todas as plataformas.
Fotos das crianças desaparecidas, adolescentes, adultos, apareceram na TV. Famílias choraram no ar, exigindo uma coisa: justiça.
O Palácio Presidencial se tornou uma fortaleza de medo. Cartas chegaram, algumas com símbolos sinistros, avisos de que o povo não ficaria mais em silêncio.
A polícia armada patrulhava as instalações. As forças de inteligência lançaram investigações. Mas a pressão não era apenas externa. De dentro do próprio governo, rachaduras começaram a aparecer.
Uma reunião de emergência foi convocada. Alguns oficiais permaneceram leais, seja por medo ou culpa. Mas outros começaram a desertar. Os dados que Alina divulgou chegaram aos ouvidos estrangeiros. A pressão diplomática aumentou. E, em meio a esse caos, Alina se apresentou.
Não era mais apenas a diretora do hospital, ela se tornou a testemunha-chave, a portadora da verdade inegável.
A diante de uma comissão especial de investigação, ela apresentou tudo: registros financeiros de transferências ilegais, filmagens dos experimentos, arquivos conectando o Dr. Volkov e Mella às atrocidades e a lista roubada de vítimas. Com uma voz calma, mas cortante, ela se virou para a câmera da transmissão ao vivo.
'Você pode escolher ficar com a verdade ou se afogar com a sujeira que você protegeu.'
Suas palavras incendiaram a nação. Manifestações explodiram. As ruas rugiram com o grito: 'Renuncie, Sr. Presidente!'
A demanda pública aumentou. O clamor global seguiu. Governos estrangeiros se juntaram, pedindo responsabilidade e um tribunal de crimes de guerra. Mas, à medida que a maré virava, Alina se tornou o novo alvo.
Os leais ao Presidente revidaram. Ameaças inundaram sua casa e escritório. E-mails, ligações, até animais mortos deixados em sua porta. Alguns não pararam nas ameaças.
Seu carro foi vandalizado. Suas janelas estilhaçadas. Seu hospital infiltrado à noite. Tentativas de sabotagem ou pior começaram.
Para os fanáticos, Alina era a vilã. Ela foi quem abriu a ferida que eles ignoraram por tanto tempo. Mas Alina permaneceu firme. Cada passo que ela deu foi assombrado, mas nunca interrompido. Porque ela sabia. A verdade sempre tem um preço. E ela tinha pago.
Aí veio o golpe final. Após uma pressão insuperável e as evidências condenatórias de Alina, uma sessão secreta de emergência foi realizada. A decisão?
O Presidente foi oficialmente suspenso. Ele seria julgado por crimes contra a humanidade, abuso de poder e envolvimento em experimentos humanos ilegais.
A nação aplaudiu. Seu transporte para o tribunal foi agendado. Guardas armados alinharam as rodovias. As câmeras rolaram quando o comboio de presos partiu. Mas então, o caos.
Em uma curva da rodovia supostamente segura, um veículo preto e sem identificação apareceu em alta velocidade, direto para a comitiva. Com precisão cirúrgica, ele bateu na van da prisão.
Uma batida ensurdecedora. E do carro preto, uma figura emergiu. Vestido de preto, mascarado, movendo-se como um fantasma. Ele forçou a abertura da van. Dentro, o Presidente sorrindo.
'Está na hora', ele murmurou.
O homem o escoltou para fora. Eles desapareceram no veículo, atravessando as barricadas antes de se fundirem no submundo da cidade.
A polícia só conseguiu perseguir sombras. O que deveria ser o fim se tornou o começo de algo muito mais sinistro.
E Alina sabia. Não tinha terminado. Alguém nas sombras ainda estava protegendo o monstro.