Capítulo 86: A Sensação que Persiste
Mas o sorriso da Indry não vacilou. 'Você me fez um monstro, Dozer. E hoje à noite, você vem para o inferno comigo."
Bip!
A luz da bomba brilhou intensamente. Sem pensar, Dozer empurrou Alina com força para fora da porta dos fundos da casa. Ela caiu no quintal, coberta de poeira e estilhaços de vidro.
'DOZER!' Alina gritou, rastejando, tentando correr de volta. Tarde demais.
BOOOOM!
Uma explosão sacudiu a casa. O fogo irrompeu pelas janelas e portas, ondas de calor irradiando para as árvores próximas. Vidro estilhaçado. Fumaça preta subindo para o céu noturno.
Alina protegeu seu rosto dos destroços, ofegante, com os olhos arregalados de descrença.
'Não...' ela sussurrou.
À distância, as sirenes começaram a soar. Mas para Alina, tudo parecia silencioso. O mundo havia congelado.
Dentro da casa, agora nada mais que entulho e brasas, não havia sinal de Indry. Nenhum sinal de Dozer. Apenas cinzas, sangue e um passado queimado.
Alina afundou no chão empoeirado, a respiração presa na garganta. Seus olhos fitavam as ruínas que não guardavam mais lembranças, apenas arrependimentos. Dozer a salvou, assim como Axel uma vez fez.
Embora ela soubesse que seu irmão mais novo morreu por causa dos jogos cruéis de Indry e Dozer, o irmão que ela nunca poderia salvar. E agora, o homem que ela antes odiava foi quem salvou sua vida.
Dozer pagou por seus pecados. Com sua vida. Lágrimas caíram incontrolavelmente, não apenas de tristeza, mas de um estranho e profundo alívio.
Indry se foi. Dozer se redimiu. Sua vingança finalmente se completou. Mas as lembranças permaneceriam. Nenhuma vingança realmente te liberta.
Alina se levantou lentamente e se afastou da destruição em chamas, agora sendo subjugada pelos bombeiros. Seus passos eram pesados, mas seu coração se sentia um pouco mais leve.
Em seu coração, ela sussurrou: 'Axel, sinto muito por não ter conseguido proteger sua irmã.'
'Eles pagaram o preço, mas eu também paguei, com um pedaço de mim mesma.'
Alina finalmente chegou em sua casa. Sua caminhada era instável, seu corpo coberto de poeira e sangue seco. Sua respiração era pesada, como se o peso do mundo estivesse preso em seus ombros.
Leo já estava esperando na varanda. Seus olhos se arregalaram quando ele viu sua condição.
'Alina!' Ele correu, as mãos tremendo enquanto agarrava seus ombros. 'O que aconteceu? Por que você está assim?'
Alina olhou para ele. Seu olhar estava vazio, como se estivesse olhando através dele para um vazio além.
'Eles, Dozer e Indry...' sua voz estava rouca, mal audível. 'Eles se foram. Mortos, pelas próprias mãos.'
Silêncio. A brisa noturna farfalhou suavemente, carregando o leve cheiro de terra e sangue.
Leo olhou fixamente, tentando ler sua expressão, mas não havia nada ali. Apenas vazio. Como se a alma de Alina tivesse sido enterrada com os dois nomes que ela acabara de proferir.
Ele congelou. Suas palavras o atingiram como um soco no peito. 'Como assim, eles estão mortos?'
Sua voz estava baixa, com medo da resposta. Alina tirou a jaqueta queimada e desabou no sofá, exausta.
Seu rosto ainda estava manchado de cinzas e sangue seco.
'Indry trouxe uma bomba. Ela queria que todos morrêssemos juntos. Mas Dozer me empurrou antes que explodisse.'
Leo olhou para ela incrédulo. 'Então, Dozer te salvou?'
'Sim.'
Aquela única palavra carregava mil pesos.
'E eu perdi mais uma pessoa que uma vez preencheu minha vida.'
Leo sentou-se em frente a ela. 'Eu sei que não sou a pessoa que deveria estar aqui agora, mas você não precisa passar por isso sozinha.'
Alina soltou uma risada amarga. 'Engraçado, né? Eu vivi para a vingança. E agora que acabou, eu só me sinto... vazia.'
Leo gentilmente pegou sua mão. Estava quente, mas hesitante. 'Talvez isso signifique que é hora de uma nova vida começar.'
Alina olhou para Leo. Por um longo tempo. Seu olhar era aguçado, mas frágil, como vidro rachado que pode estilhaçar com apenas mais um toque. Mas ela permaneceu em silêncio. Talvez não fosse hora de falar. Ou talvez a dor fosse profunda demais para colocar em palavras.
Leo esperou. Ele não a forçou. Mas seus olhos estavam cheios de saudade e culpa que nunca realmente desapareceram.
Finalmente, a voz de Alina cortou o silêncio, fria e aguda.
'O que você está fazendo na minha casa? Você não tem uma noiva?'
Leo exalou e tentou um sorriso. Mas parecia mais uma ferida fingindo estar curada.
'Eu só vim te dar isso', ele disse suavemente, oferecendo um pequeno envelope de marfim.
Alina olhou para ele, mas não o pegou imediatamente.
'A festa de aniversário do hospital', Leo continuou, ainda mais quieto. 'Você provavelmente esqueceu.'
Alina permaneceu em silêncio. Mas seus dedos pegaram lentamente o convite. Ela o virou, os olhos percorrendo o texto impresso em ouro. Um mundo que antes parecia quente agora parecia uma lembrança distante e dolorosa.
'Tudo bem', Alina disse por fim, sua voz monótona, mas escondendo os restos de emoções que antes queimavam. 'Obrigada por sair do seu caminho para me trazer.'
Ela olhou para Leo. Seus olhos não imploravam mais. Não pediam mais respostas. Apenas uma amargura silenciosa.
'Então, o que você está esperando?' ela acrescentou, mantendo-se alta apesar dos joelhos trêmulos. 'Seu trabalho está feito, não está?'
Leo não disse nada. Suas palavras atingiram mais forte do que ele esperava. Havia tanto que ele queria dizer, sobre como ele ainda se importava, sobre como as coisas não eram tão simples quanto pareciam. Mas seus lábios permaneceram selados.
Alina se virou. Ela sabia a linha que não deveria ser cruzada. Ela não seria a razão pela qual o coração de outra mulher se quebrava. E, mais do que isso, ela se recusava a cair novamente em uma esperança que nunca encontrou um lar.
Leo olhou para ela pela última vez. Havia algo em seus olhos, algo inacabado. Mas no final, ele simplesmente assentiu.
'Tudo bem. Estou indo. Cuide-se.'
Então, ele se virou e se afastou, seus passos firmes, muito certos. Nenhum abraço. Nenhuma última palavra. Apenas silêncio pairando entre eles.
Alina ficou na porta. Congelada. Seu coração gritou, mas seu corpo não se moveu. Ela não estava desapontada que Leo partisse...
Ela estava desapontada por ter esperado que ele ficasse, só um pouco mais. Mas essa esperança a traiu novamente. Ela não o impediu. Não porque fosse fraca. Mas porque sabia
O amor lutado sozinho só dói mais fundo. Então, tudo o que ela pôde fazer foi observar suas costas desaparecerem na distância, deixando as memórias do passado irem embora com ele, de um lugar que suas mãos não podiam alcançar, apenas seu coração.
Leo continuou andando, mas a cada passo ficava mais pesado. Algo ficou para trás. Mais do que apenas palavras inacabadas. Mais do que apenas um convite. Seu coração estava inquieto. Ele deveria ter ficado só um pouco mais.
Talvez sentado ao lado dela, sem precisar de palavras. Mas ele foi embora. De novo. E agora, enquanto o ar frio da noite o envolvia, o arrependimento começou a se infiltrar. Silenciosamente. Torturantemente.
'Por que eu fui embora tão cedo?' ele pensou.
Ele agarrou o ar vazio, como se esperasse puxar o tempo de volta para suas mãos.