Capítulo 95: A Cobra Venenosa
“Sai agora!” gritou Leo, com a voz ecoando.
“Senão eu vou chamar a segurança pra te botar pra fora daqui!”
A mão dele já tinha ido pra beirada da mesa pra apertar o botão de ajuda, mas Felis foi mais rápida. Ela afastou a mão do Leo com um movimento rápido e suave, como se já soubesse cada reação dele.
“Ah, Leo…” A voz dela ficou fria. “Você ainda acha que manda em tudo nesse hospital?”
Ela se aproximou, com os olhos brilhando de triunfo. “Já esqueceu quem te salvou daquele escândalo há sete anos?”
Leo ficou quieto. Os olhos dele arregalaram por um segundo, mas logo ficaram sem expressão. Mesmo assim, a reação dele foi suficiente pra Felis saber. Ela tinha apertado o botão certo.
“Não finja que esqueceu. O caso de negligência que quase te custou a licença médica… quem limpou essa sujeira? Quem carregou a vergonha?” Felis sorriu amargamente. “E agora você tá me botando pra fora?”
Leo cerrou os punhos. O corpo dele ficou tenso. “Eu nunca pedi pra você se sacrificar naquela época,” murmurou Leo. “Foi escolha sua.”
“Uma escolha que eu fiz porque eu te amava!” disse Felis com firmeza, com as emoções transbordando. “E agora? Você se apaixona por aquela garota docinho? Aileen Monroe?”
Leo não respondeu. O silêncio dele foi a resposta.
“Eu não vou ficar parada vendo você viver feliz depois de tudo que você me tirou.” Felis deu um passo pra trás e abriu a porta. “Lembre-se disso, Leo. Eu voltei… não só pra trabalhar.”
E com passos confiantes, Felis saiu da sala. Deixando Leo num espaço silencioso, assombrado por um passado que tinha voltado com um rosto bonito e um coração cheio de vingança.
Há sete anos. Na sala de cirurgia principal do Hospital Internacional Bungalow. Aquela noite parecia mais sinistra do que o normal. As luzes da cirurgia brilhavam forte, mas o humor de Leo era negro. Ele estava liderando uma cirurgia de emergência em O paciente VIP, ainda um médico jovem e ambicioso, confiante demais.
Ao lado da mesa de cirurgia, Felis estava como assistente. Na época, ela era uma colega que amava Leo em segredo.
Mas naquela noite, aconteceu um erro fatal. Um instrumento cirúrgico escorregou, causando uma lesão interna que não foi detectada até que fosse tarde demais. O paciente sofreu sérias complicações.
“Temos que falar a verdade!” disse uma das enfermeiras em pânico. “Se a auditoria descobrir essa negligência, sua carreira pode acabar, Doutor!”
Felis olhou para Leo, que estava paralisado. Ela sabia que se Leo caísse, todo o futuro dele desmoronaria. Naquela noite, Felis tomou uma decisão que mudou tudo.
“Eu vou confessar. Só digam que fui eu quem cometeu o erro.”
“Felis, não!” Leo tentou impedi-la.
Mas Felis apenas sorriu amargamente. “Se você cair, quem vai mudar o mundo da medicina?”
No dia seguinte, Felis foi punida. Sua reputação foi arruinada. Ela foi retirada da carreira cirúrgica e transferida à força para um hospital regional. Sua carreira foi destruída antes mesmo de começar.
Enquanto isso, Leo subiu cada vez mais. Ele se tornou um médico preferido, conhecido por suas mãos habilidosas e intelecto excepcional. Embora ele tenha sido expulso pelo ex-Diretor devido a política interna, Leo nunca desistiu de verdade. Ele voltou não apenas como médico, mas como um jovem diretor liderando o próprio hospital onde tudo começou.
Por um tempo, Leo tentou encontrar Felis. Mas ela desapareceu, como se tivesse sido engolida pela terra. Nenhuma notícia. Nenhum vestígio. Como se ela realmente quisesse ser esquecida.
Leo sentou-se em silêncio na beira da cama do hospital. Seus dedos se enrolaram lentamente em punhos, seu olhar vazio enquanto ele olhava pela janela.
As sombras do passado encheram sua mente de novo, aquela noite, a decisão de Felis, como ele a deixou carregar tudo sozinha.
Mas o que aterrorizava Leo mais não era o passado. O que realmente o preocupava era a possibilidade de Felis ter voltado não apenas por vingança, mas para recuperar tudo o que ela uma vez sacrificou. Incluindo seus sentimentos por Leo.
Enquanto isso, as suspeitas de Alina aumentaram. Por acaso, ela viu Felis saindo da sala de Leo. Com um sorriso satisfeito demais para ser considerado meramente profissional. Algo sobre os passos de Felis, sua expressão, deixou o coração de Alina inquieto.
Ela não esperou. Sem bater, Alina entrou na sala de Leo. Seus olhos afiados, sua expressão contendo a raiva.
“O que você tá fazendo aqui de novo? Sai!”
Leo gritou, de costas para a porta, sem saber quem tinha entrado. Alina hesitou por um momento. Sua raiva se transformou em mágoa.
“Sair de novo? Você tá me botando pra fora?”
Leo se virou rapidamente. Seu rosto mudou. “Não, Alina, eu quis dizer… tinha um membro da equipe que entrou sem permissão, e eu—”
“Você quer dizer Felis?” interrompeu Alina. Sua voz estava fria. “O que vocês dois estavam conversando?”
Leo pareceu nervoso, lento demais para esconder. Seus olhos se desviaram. “Nós só estávamos falando sobre trabalho,” ele finalmente disse. “Eu avisei ela para não usar seus privilégios para pressionar os outros funcionários.”
Alina ainda estava na porta, olhando fixamente. “É mesmo? Engraçado… porque Felis parecia mais alguém que tinha acabado de ganhar, não alguém que tinha acabado de ser repreendida.”
Leo ficou em silêncio. Ele sabia que Alina não era fácil de enganar. E naquele silêncio, a confiança começou a rachar aos poucos.
Alina finalmente cedeu. Ela engoliu o desconforto em seu coração e tentou manter a calma, embora seu peito estivesse queimando de raiva contida.
Com uma voz monótona, mas educada, ela disse: “Tudo bem. Eu só vim entregar o seu relatório médico. Você pode ir para casa amanhã. Em casa, cuide bem da sua saúde. Reduza sua carga de trabalho e descanse bastante. Você pode voltar ao trabalho na próxima semana… lembre-se do que eu disse.”
Sem esperar uma resposta, Alina se virou. Cada passo que ela dava parecia pesado, como se estivesse segurando mil emoções que não podia liberar. Ela não queria chorar. Não na frente de Leo.
Na sala de descanso dos médicos, Alina sentou-se enquanto revisava os registros dos pacientes do turno da noite. Quando estava prestes a relaxar, uma notificação apareceu em seu telefone.
“O turno da noite foi reassignado para você. Você estará de plantão na emergência com Doutor Felis.”
Alina olhou para a tela por um longo tempo. Seus olhos não piscaram. “Claro…” ela murmurou suavemente.
Como se o universo realmente quisesse testá-la hoje à noite. Alina olhou para a mensagem por um tempo, mas acabou colocando o telefone para baixo sem responder. Não adiantava protestar. Ela sabia que neste mundo, nem tudo poderia ser vencido com lógica.
“Tudo bem… se isso é um teste, eu vou enfrentá-lo.”
Ela fechou os olhos, tentando descansar por um momento antes que o turno da noite começasse.
O tempo passou rápido. O alarme do telefone tocou alto, marcando o início de seu turno. Alina abriu lentamente os olhos.
Seu corpo ainda estava pesado, mas ela sabia que não era apenas por exaustão, mas por um fardo mais profundo que o físico.
Ela sentou-se na beira da cama e começou alguns alongamentos leves. Ela respirou fundo e expirou lentamente. Se acalmando.
“Você consegue, Alina…” ela sussurrou para si mesma. “Como sempre, seja profissional. Não deixe seus sentimentos interferirem.”
Naquela noite, ela se preparou. Compondo seu coração, arrumando o cabelo e vestindo seu jaleco de médico como se fosse uma armadura pronta para protegê-la no campo de batalha da noite. E na emergência, Felis já estava esperando.