Capítulo 10: Rumores do Hospital
Alina ficou tensa. A parada do Nathan cortou que nem uma faca.
"Que que você quer dizer?" A voz dela tava calma, mas o olhar cheio de desconfiança.
Nathan não respondeu na hora. Os olhos dele estudaram cada expressão na cara da Alina, tipo procurando algo perdido – algo que uma vez era da Aileen.
"Você mudou. Não é só trauma ou o acidente", ele falou devagar. "Seus movimentos, o jeito que você fala, seu olhar... tudo diferente. Você não é a Aileen que eu conhecia."
Alina ficou quieta. Ela percebeu que tinha sido descuidada demais. Devia ter tomado mais cuidado pra fazer o papel da Aileen. Mas agora não era hora de surtar.
Naquele momento, o celular da Lana tocou alto, quebrando a tensão. Ela saiu rapidinho pra atender.
Assim que a Lana foi, a Alina virou pro Nathan de novo. "Eu sofri um acidente, doutor", ela falou, tentando soar natural. "Qualquer um que quase morre muda."
Nathan balançou a cabeça. "Não é só uma mudança na personalidade. É mais que isso. É como se... você fosse outra pessoa, dentro do corpo da Aileen."
Alina prendeu a respiração. Nathan tava esperto demais. Se ela negasse, ele não ia parar até ter uma resposta que o satisfizesse. Antes que ela pudesse responder, a porta abriu com tudo.
A Lana tava na porta, com a cara cheia de confusão e medo. "Doutor... a gente tá com um problemão."
Nathan virou. "Que problema?"
"O paciente VIP... sumiu."
A Alina já foi em alerta. "Quê?!"
A Lana concordou com a cabeça rapidinho. "Quando a gente voltou pra ver ele, o quarto tava vazio. Os guarda-costas dele também sumiram. Como se eles nunca tivessem existido."
Nathan passou a mão no rosto, tentando processar a situação. "Meu Deus... Tem alguma gravação das câmeras?"
A Lana engoliu seco. "Esse é o problema. Todas as gravações do 20º andar da última hora sumiram."
A Alina fechou os olhos. Seus instintos gritaram uma coisa: isso não era um lance normal. Alguém tinha apagado os rastros do cara.
Nathan olhou pra ela. "Você foi a última pessoa que viu ele. O que realmente aconteceu?"
A Alina levantou o queixo, com o olhar frio e perigosamente calmo. "Eu só dei uma aulinha pra ele."
A Lana se arrepiou. Tinha algo na voz da Alina que deu um gelo na espinha dela.
Nathan soltou o ar com força. "Eu não sei quem você realmente é, mas se você tá envolvida nisso..." Ele manteve o olhar nela. "Eu não vou ficar parado sem fazer nada."
A Alina deu um sorriso de canto. "Então é melhor você começar a cavar mais fundo, doutor. Porque tem muita coisa que você não sabe."
Nathan e Lana trocaram olhares.
Enquanto isso, bem longe do hospital, um homem de uniforme preto falou no celular.
"Relatório: o alvo foi garantido", ele falou pra alguém do outro lado.
A voz no celular respondeu friamente. "Bom. Agora, garante que esse doutor fique fora disso."
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Sem perder tempo, a Alina foi direto pra sala das câmeras. A equipe do hospital e o Dr. Richard já estavam lá. Quando ela entrou, todos os olhos se viraram pra ela.
"Dra. Monroe, o que você tá fazendo aqui?" o Richard perguntou.
A Alina devolveu a pergunta pra ele. "E você? Você não devia estar no plantão na emergência?"
A cara do Richard ficou tensa, mas ele se recompôs rapidinho. "Eu tô checando as gravações das câmeras. O paciente VIP não sumiu?"
A Alina não era fácil de enganar. Richard não era do tipo que se importava com os pacientes sem motivo. Se ele tava ali, tinha alguma coisa rolando pra ele.
"Sério?" A Alina cruzou os braços. "Tem certeza que você só tá checando?"
Richard se manteve firme na resposta dele, mas a Alina tinha outro plano. Ela chegou mais perto, fingindo simpatia, e colocou um aparelhinho no processador do computador.
"Beleza, doutor. Você é dedicado mesmo." Ela virou de leve. "Então, vou voltar pro trabalho."
O aparelho de hackear tava no lugar. Quando ela voltou pro escritório dela, ela ouviu a equipe do hospital cochichando.
"Eu ouvi dizer que a Dra. Aileen brigou com o paciente VIP."
"Ela até quebrou o dedo dele!"
"Não acredito! A Dra. Aileen não faria isso!"
"Eu vi com meus próprios olhos. Ela não tava nem um pouco arrependida."
Devagar, os cochichos viraram acusações.
"Ela não tinha esfaqueado o Dr. Richard antes?"
"Sim! Eu lembro! A cara dela naquela época... era tipo a de um psicopata."
A confusão chegou aos ouvidos do diretor do hospital.
Um membro da equipe veio avisar. "Doutor, aquela garota tá causando problema de novo. Dessa vez com o paciente VIP."
O homem de cabelos brancos sentado confortavelmente na cadeira só deu um sorrisinho discreto. Ele levantou a xícara de chá calmamente.
"Sério? Ela escapou da morte mesmo." O olhar dele era frio. "Mas agora, ela tá cavando a própria cova."
O doutor na frente dele deu um sorriso de canto, curtindo o jogo. "Exatamente, doutor. Ela não aprendeu com o passado."
O homem de óculos sorriu. "Fique de olho nela. Não deixe ela interferir nos nossos planos."
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No escritório da Alina, a tensão tava aumentando. A equipe de segurança tinha começado a investigação deles, mas de forma discreta, pra não dar na vista.
De repente, a Lana apareceu do nada. "Aileen, você não tá com medo?"
A Alina se assustou. Ela tava ocupada trabalhando nos relatórios dos pacientes. Sem olhar pra Lana, ela respondeu calma: "Por que eu estaria com medo? Eu não fiz nada de errado."
A Lana estudou a Alina de perto. A Aileen que ela conhecia teria entrado em pânico se a segurança se envolvesse. Mas essa? Calma demais.
Logo, um oficial de segurança chegou perto. "Dra. Monroe, é a sua vez de ser interrogada."
A Alina concordou de leve e seguiu eles pra sala de interrogatório. Lá dentro, um homem forte tava esperando, lendo a ficha dela.
"Aileen Monroe, jovem cirurgiã, certo?" ele perguntou sem enrolação.
"Sim, sou eu", a Alina respondeu suave. "Vamos direto ao ponto. Eu não tenho o dia todo."
O homem olhou pra ela com intriga. Além de ser bonita, tinha algo nela – firmeza, coragem.
"Você foi a última pessoa que interagiu com a vítima, não foi?"
"Sim. E daí?"
"Você parecia querer matar ele."
A Alina olhou pra ele, sem se abalar. "Médicos também são humanos." Ela encostou na cadeira. "E como mulher, eu tenho o direito de me defender se um homem tentar me atacar, não tenho, oficial?"
O oficial hesitou, pensando nas palavras dela. Depois de várias perguntas, a Alina foi liberada.
A equipe do hospital cochichou quando ela passou.
"Como ela não foi presa?"
"Ela não é culpada?"
A Alina só deu um sorrisinho de canto. Deixa eles acharem o que quiserem – só ela sabia a verdade.
Não muito depois, os oficiais saíram do hospital, e as coisas acalmaram um pouco.
Mas a Alina continuou de boa. Ela continuou o trabalho dela apesar dos boatos que estavam rolando. Palavras não significavam nada pra ela. A não ser que alguém ousasse encostar nela – aí ela não ia hesitar em revidar.
Enquanto esperava o fim do turno dela, ela checou o sistema de câmeras do hospital através do aparelho de hackear. Os dedos dela voaram no teclado, e em segundos, as gravações sumidas foram restauradas.
Ela examinou rapidinho, mas o culpado ainda era um mistério. A frustração aumentou. Aí, ela de repente lembrou do paciente com um furo de faca no estômago.
Sem perder tempo, ela correu pro quarto dele e encontrou o cara acordado, encostado na cama.
"Como você tá se sentindo?" ela perguntou, com a voz seca.
O cara levantou a cabeça, dando um sorrisinho. "Melhor, doutora."
A Alina estudou a cara dele. Calmo demais pra alguém que quase morreu.
"Você foi esfaqueado", ela continuou. "O que realmente aconteceu?"
O cara hesitou por um momento antes de responder, "Eu sem querer me esfaqueei enquanto trabalhava."
Os olhos da Alina se afiaram. A ferida era limpa demais, precisa demais – feita por alguém que manjava da faca.
"Tem certeza?" ela pressionou. "Os oficiais tão lá fora. Eu posso ligar pra eles agora."
A cara do cara ficou dura. As mãos dele tremeram.
"Por... por favor, não, doutora."