Capítulo 84: Questões do Coração
Lucy ficou chocada. O coração dela pareceu parar por um segundo, mas ela manteve a compostura, mesmo que seus olhos tremessem claramente.
"O quê…?!"
"Case-se comigo, Lucy." Elandra repetiu, desta vez mais suave, mas mais profundo. "Eu sei que isso é difícil. Eu sei que cometi muitos erros. Mas pelo menos, me dê uma chance de consertar as coisas."
Lucy prendeu a respiração. As palavras pareciam facas, cortando e tocando a parte mais frágil do coração dela.
Havia uma parte dela que queria acreditar. Se render e cair de volta naquele abraço. Mas…
"El", a voz dela falhou. "Eu não sou alguém a quem você pode ir e deixar quando quiser. Eu fui machucada por muito tempo. E agora você vem com uma proposta como se tudo pudesse ser consertado com apenas uma frase?"
Elandra olhou para ela, desesperada. "Eu não tenho muito tempo. E não muitas maneiras de fazer isso. Mas eu sei de uma coisa: eu não quero te perder."
Naquele momento, os olhos de Lucy se encheram de lágrimas. E entre dois corações quase partidos, o tempo pareceu prender a respiração.
Antes que Lucy pudesse responder, antes que seu coração pudesse decidir, uma voz profunda ecoou na porta.
"Chega, El."
Passos firmes seguiram a voz. Lá estava Leo, com o rosto calmo, mas os olhos ardendo.
Ele, que sempre pareceu composto, agora revelava outro lado de si mesmo.
"Eu te conheço, El. Eu te conheço há mais tempo do que Lucy conhece. E você sabe quem eu sou." Sua voz era firme, fria. "Lucy é minha noiva agora. Você não pode simplesmente entrar e tentar levá-la de volta."
Lucy congelou. Elandra também. Nenhuma delas esperava que Leo aparecesse, ali, agora.
O quarto que antes era quieto agora parecia estar explodindo, silenciosamente, mas violentamente. Lucy deu um passo à frente, tentando desescalar.
"Leo, pare. Não faça isso. Podemos conversar sobre isso."
Mas era tarde demais.
Tum!
Um soco forte atingiu. Elandra atingiu a mandíbula de Leo com fúria desenfreada. Leo caiu, mas rapidamente se levantou, sangue escorrendo do canto da boca.
"Você é o canalha aqui!" Elandra rosnou, respirando pesadamente. "Você sabia que ela era minha! Você sabia o quão próximos Lucy e eu éramos. Mas você a roubou em silêncio e anunciou seu noivado como se ela fosse sua!"
Leo limpou o sangue da boca, olhando fixamente.
"Se você realmente a amasse, por que a manteve escondida? Por que não conseguiu admitir isso publicamente? Eu dei a Lucy o que você nunca deu, certeza."
Lucy ficou entre eles, com os olhos marejados, as mãos tremendo. Isso era demais. Longe demais.
"Chega!" ela gritou, sua voz quebrando. "Vocês dois… parem. Eu não sou nenhum objeto para ser disputado!"
Eles ficaram em silêncio. Respirações pesadas e emoções espessas pairavam no ar, enquanto Lucy ficava no centro, no coração de um amor e uma batalha que queimavam muito intensamente.
"Esta é a minha vida, El." A voz de Lucy tremeu, mas seu tom era firme. "Eu decido. E eu escolho Leo para ser meu parceiro."
Como se seu mundo estivesse desmoronando, Elandra só podia encarar, atordoada, oca, descrente.
"Não… Você não pode estar falando sério, Lucy." Sua voz era mal um sussurro, seus olhos cheios de dor e arrependimento. "Você não pode escolhê-lo, depois de tudo o que passamos."
Lucy mordeu o lábio inferior, segurando as lágrimas que sabia que estavam chegando.
Mas ela sabia que isso tinha que acabar. A dor tinha que parar em algum lugar.
"Não venha atrás de mim de novo, El. Acabou."
Acabou. Essa palavra atingiu mais forte do que qualquer soco. Antes que Elandra pudesse se mover, Lucy já havia se virado, levando Leo com ela, deixando um quarto cheio de memórias e desgosto que não podiam ser reparados. Seus passos se afastaram cada vez mais do homem que um dia significou tudo.
Lá fora, a brisa da noite acariciava suavemente. Mas o coração de Lucy ainda estava em turbulência.
"Você tem certeza sobre o que disse?" Leo perguntou suavemente, olhando para ela. Sua voz não transmitia vitória, apenas incerteza.
Lucy parou de andar. Olhou para frente. Silêncio. Então ela respondeu, quieta mas firme o suficiente para abalar qualquer um que ouvisse:
"Não… mas eu tenho que estar."
E de longe, Elandra ainda estava no mesmo lugar. Congelado. Como se metade de sua alma tivesse ido embora com a mulher que não era mais dele.
"Ela realmente se foi?" Elandra murmurou, olhando fixamente para a porta fechada.
Mas a resposta era clara. Lucy não voltaria, não hoje.
Em outro lugar, o sol estava se pondo quando Alina estava parada em frente ao apartamento de Leo. Ela esperava falar com ele hoje.
Mas o tempo passou. E Leo nunca veio. Até que finalmente, passos. Não um par, mas dois. Leo chegou, com Lucy.
Alina se tensionou. Seu peito queimou. Seus olhos capturaram a mão de Lucy ainda segurando o braço de Leo.
Ela quis se virar e ir embora sem dizer uma palavra. Mas—
"Alina!" Lucy chamou, surpreendendo-a. "Por favor, nos ajude."
Ela olhou para Leo. "Leo tem um hematoma no rosto. É ruim?"
Aquela frase sozinha foi suficiente para congelar os passos de Alina. Relutantemente, ela se virou e se aproximou, forçando um pequeno sorriso.
"Deixe-me ver."
Seus dedos tocaram suavemente o rosto machucado de Leo.
O rosto que um dia, e talvez ainda, significava algo para ela.
"O hematoma é profundo. Venha, traga-o para dentro. Eu vou tratar."
Dentro do apartamento, com movimentos precisos e confiantes, Alina pegou um kit de primeiros socorros em uma pequena gaveta da cozinha.
Lucy estreitou os olhos, sem perder uma batida do comportamento muito familiar de Alina.
"Você sabe exatamente onde as coisas estão na casa de Leo."
Alina fez uma pausa por um segundo. Então rapidamente encobriu com uma risada leve.
"Oh, eu passei uma vez. Machuquei minha mão e Leo me mostrou onde estava o kit. Então eu me lembrei."
"Entendo", respondeu Lucy suavemente, então se levantou. "Tudo bem então, vou deixá-lo sob seus cuidados."
"Espere, para onde você está indo?" Alina perguntou rapidamente, quase instintivamente.
"Eu tenho uma sessão de fotos inacabada. Minha agenda está lotada hoje", disse Lucy levemente, pegando sua bolsa. "Cuide de Leo por um tempo, ok?"
Sem hesitar, Lucy deixou seu noivo nas mãos de outra mulher. E quando ela desapareceu, Alina a encarou, com os olhos ardendo.
Mas o que mais a incomodou foi o silêncio de Leo. Ele não disse nada. Nenhum protesto. Nenhuma explicação.
Como se ele estivesse deixando tudo acontecer. E quando a porta fechou novamente, apenas duas pessoas permaneceram na sala. E um coração começando lentamente a queimar.
Alina sentou-se na beira do sofá, aplicando suavemente pomada no rosto de Leo. Seu toque era macio, macio demais para uma ferida como aquela.
Mas não era isso que deixava Leo inquieto.
"Então…" Alina quebrou o silêncio. Sua voz calma, mas seu tom cheio de significado. "O que exatamente está acontecendo entre vocês dois?"
Leo se virou lentamente para olhar para ela. "O que você quer dizer?"
Alina deu um sorriso fraco, sua mão nunca parando. "Você e Lucy. Por que ela parecia tão desconfiada de mim? Como alguém com medo de te perder."
Leo ficou quieto. Ele sabia que era uma armadilha. Mas os olhos de Alina eram intensos demais para ignorar.
"Estamos noivos. E ela está sob muita pressão."
Alina olhou para ele por mais tempo desta vez, como se estivesse lendo cada piscar de olhos dele.
"Hum. Mas se ela realmente confia em você, por que ela te deixou tão facilmente com outra mulher?"
Seu sorriso era doce, mas suas palavras duras. Leo abaixou o olhar. A ferida em seu rosto pode doer, mas o ato que todos estavam encenando doía muito mais fundo.
"Ela confia em mim. Ela está ocupada demais para se importar agora."
Alina riu baixinho. "Ou talvez, ocupada demais para pensar direito."
Ela fechou a pomada e guardou o kit. Então, gentilmente, ela olhou nos olhos de Leo.
"Sabe, Leo… eu ainda estou aqui. Sempre estive. Mesmo quando ela vai embora, eu ainda sou a que está tratando seus ferimentos."
Leo prendeu a respiração, olhando para Alina profundamente, como se estivesse se preparando contra uma maré de emoções ameaçando explodir.
"Alina…" sua voz estava rouca, quieta mas firme. "Acabou. O que tínhamos é apenas uma memória agora."