Capítulo 119: A Verdade
“Eu não consigo acreditar… Eu realmente voltei pra vida do Raja,” Alina sussurrou baixinho, com os olhos fixos na janela do quarto, onde o sol da manhã entrava, lançando um brilho suave no seu rosto sereno.
Os dias passaram rápido. Agora, ela vivia com Raja na mansão grandiosa que antes parecia tão estranha. Ele ainda era o mesmo protetor, teimoso, possessivo. Mas, estranhamente, Alina não se importava mais. Na verdade, ela estava começando a encontrar conforto nisso.
Mas por baixo dessa calma… uma tempestade estava se formando. Ve, a ex-noiva humilhada na frente de toda a família de Raja, ainda não tinha aceitado sua derrota. Seu orgulho tinha sido estilhaçado e, em silêncio, ela alimentava seu rancor. Impulsionada pela vingança, ela começou a cavar no passado de Alina, desesperada para encontrar uma rachadura que pudesse explorar. E ela conseguiu.
Um segredo. Uma verdade capaz de desfazer tudo. Alina já havia vivido com outro homem. Mais do que isso, ela esteve grávida. A criança, no entanto, nunca viu a luz do dia.
Era um capítulo sombrio que ela havia enterrado fundo. Um do qual ela nunca ousou falar… nem mesmo para Raja. Ve sorriu maldosamente enquanto revisava o relatório em suas mãos. Então, ela compôs uma mensagem afiada, condenatória e enviou-a diretamente para Raja, anexando fotos e documentos para provar cada palavra.
“Sr. Mahesa, você merece saber quem a mulher em sua casa realmente é. Aquela que você escolheu para estar ao seu lado, uma vez escondeu seu passado de você. Ela viveu com outro homem. Ela estava grávida. A criança morreu antes de nascer. Essa é realmente a mulher digna de ser sua rainha?”
Raja encarou a mensagem, sua expressão indecifrável. Suas mãos cerraram. Seu coração batia forte em seus ouvidos. Ele não respondeu, não com palavras. Mas seu silêncio era muito mais aterrorizante do que a raiva.
Ele não gritou. Ele não acusou. Ele simplesmente… mudou. Seu olhar se tornou afiado. Frio. O calor entre eles desapareceu, substituído por algo mais escuro. Alina podia sentir isso. A tensão. A pressão. Ele estava esperando, a empurrando para confessar.
Mas ela era boa demais em esconder a dor. E Raja, mais uma vez o homem que não conhecia misericórdia quando machucado, não mostrou sinais de parar. Ele a tocou não com ternura, mas com intensidade ardente. Exigindo respostas com cada beijo, cada aperto, cada contato que tirava suas defesas.
Alina tentou resistir. Mas quanto mais ela lutava, mais forte ele a segurava no lugar. Até que, finalmente… seu corpo cedeu. E de seus lábios trêmulos veio a verdade que ela havia guardado por tanto tempo.
“Sim… Eu vivi com Leo,” ela sussurrou, a respiração instável. “Mas o bebê não era dele.”
Raja congelou. Seus olhos se arregalaram em descrença.
“O que você quer dizer…?”
Lágrimas escorreram pelas bochechas de Alina quando ela encontrou seu olhar. “Aquele bebê… era seu. Nosso bebê.”
O tempo parou.
“Eu fui embora… porque eu estava com medo,” ela continuou, a voz embargada. “Eu pensei que você machucaria a criança. Você era tão perigoso naquela época… tão cruel com qualquer pessoa que o contrariasse. Mas, no final… eu fui quem falhou em proteger nosso bebê.”
Ela tremeu, não de frio, mas da dor que ela pensava ter sido enterrada há muito tempo. Raja não disse nada. Ele simplesmente a puxou para seus braços. Forte. Como se estivesse tentando compensar todo o amor e tempo que eles haviam perdido em um abraço desesperado. A verdade daquela noite mudou tudo.
Raja viu Ve pelo que ela realmente era, não uma memória, mas uma ameaça. Ele sabia agora que ela não pararia por nada para destruir Alina. E ele já estava de saco cheio de ficar parado. Na manhã seguinte, Alina estava de volta à clínica. A rotina constante lhe deu uma sensação de calma. Ela se concentrou em seus relatórios até.
Clique! Clique!
Saltos altos ecoaram nitidamente quando uma mulher entrou em seu escritório sem ser anunciada. Vestida com roupas de grife, cada passo que ela dava era recheado de arrogância.
“Você realmente acha que uma mulher como você pode me vencer?” A voz de Ve era fria e venenosa. “Você não passa de uma mancha no legado dele, Alina.”
Alina não se assustou. Ela olhou para Ve, calma e desinteressada. “Se você acabou, por favor, saia. Estou trabalhando.”
Mas Ve não tinha terminado. Ela se aproximou, levantando a mão para exibir um anel de diamante brilhante sob a luz.
“Está vendo isso?” ela zombou. “É nosso anel de noivado. Uma herança de família. Da mãe dele. Você honestamente acha que aquele anel barato que ele te deu pode ser comparado a isso?”
Alina olhou para ele brevemente. Seu peito apertou, mas seu rosto permaneceu indecifrável.
“Eu não preciso de uma herança para ganhar o amor dele,” ela respondeu suavemente, com firmeza. “Amor não é forjado em riqueza. E definitivamente não em anéis.”
A expressão de Ve escureceu. Ela não estava acostumada a perder a compostura, muito menos o controle.
“Você vai se arrepender disso. Homens como Raja não ficam leais. É apenas uma questão de tempo até que ele volte para mim. Quando ele voltar… você estará sozinha. Assim como antes.”
Alina não respondeu. Mas seus olhos mantinham uma calma que não podia ser abalada. De repente, a porta do escritório se abriu. Raja estava lá, cada passo trovejando com fúria. Seus olhos se fixaram em Ve e no anel em seu dedo. Sem uma palavra, ele avançou, agarrou a mão dela e puxou o anel.
“Raja! O que você está fazendo?!” Ve engasgou, mas ela estava impotente contra sua pegada.
Ignorando-a, Raja se virou para Alina. Ele pegou sua mão trêmula com as duas dele e, sem hesitar, deslizou o anel, o anel de sua mãe, em seu dedo.
“Ela é minha esposa agora,” ele declarou, a voz baixa e resoluta. “Você não tem o direito de ameaçá-la.”
Ve ficou parada. Então sorriu, amarga e cruel.
“Você acha que um anel torna isso oficial?” ela cuspiu. “Vocês nem estão legalmente casados ainda. Isso significa que eu ainda tenho tempo.”
Alina se levantou, sua postura graciosa, sua voz como aço.
“Você pode passar a vida inteira tentando,” ela disse, os olhos fixos em Ve. “Mas uma mulher que só sabe envenenar, não amar, nunca vencerá.”
Ve não teve resposta. Porque desta vez, a batalha não foi vencida pela raiva… mas pelo poder silencioso e inabalável do amor.