Capítulo 144: A Derrota do Inimigo
Marco deu um passo para trás, devagar, com a coluna encostada na parede de vidro atrás dele. Pela primeira vez, ele não tinha saída.
"Você não vai me matar", disse ele, forçando um sorriso cínico. "Você é sentimental demais."
Os olhos de Alina estavam afiados, seus passos firmes. "Você já torturou vidas o suficiente. Acha que vou deixar você escapar?"
Marco olhou para Raja, que estava ao lado dela, com a arma levantada. "O mundo saberá de todos os seus pecados."
Mas Raja não disse nada. Ele ficou parado, encarando o homem que havia feito seu pai idoso refém.
De repente, Marco avançou, puxando uma faca escondida dentro de sua jaqueta. Ele cortou em direção a Alina, mas esqueceu quem estava enfrentando. Ela se esquivou com graça, bloqueou o ataque e o desarmou em um único movimento. Marco caiu no chão com força. A faca caiu longe. De baixo, ele olhou para Alina, com o rosto sujo, a respiração ofegante.
"Faça isso... Me finalize", sussurrou ele, quase implorando.
Alina pegou a faca e a colocou em sua garganta. O silêncio caiu. O tempo congelou. Mas então... ela jogou a lâmina para o lado.
"Não vou manchar minhas mãos com seu sangue. Mas sua queda é inevitável."
Ela acenou para Raja, que apertou o comunicador em sua mão. Momentos depois, a porta se abriu com violência. Forças internacionais armadas entraram e algemaram Marco sem resistência. Seus olhos estavam vazios, em descrença.
"Deixe a lei terminar o que começamos", disse Alina com firmeza.
Horas depois, quando a primeira luz da aurora banhou o prédio agora seguro, Alina sentou-se no telhado, observando o céu clarear. Raja se juntou a ela, sentando ao seu lado em silêncio.
"Acabou", disse ele suavemente.
Alina assentiu. "Mas as cicatrizes não vão sumir facilmente."
Raja olhou para ela. "Cicatrizes são prova de que sobrevivemos."
Ele estendeu a mão para ela. "Você vai ficar comigo, mesmo depois de tudo isso?"
Alina lhe deu um leve sorriso. "Você é a única razão pela qual continuei lutando."
E, pela primeira vez, eles sentaram em paz. Sem guerra. Sem sangue. Apenas o céu da manhã e a frágil promessa de um novo começo.
Semanas se passaram após a prisão de Marco. O mundo começou a se acalmar, mas a cura nunca foi instantânea. Alina ainda acordava com pesadelos. O passado se agarrava a ela como fumaça. Raja entendeu. Ele nunca pressionou. Ele simplesmente ficou ao seu lado em silêncio, na escuridão, quando as sombras retornavam.
Uma noite, eles voltaram ao lugar onde tudo começou: uma casa escondida nas montanhas, longe do barulho do mundo. Alina sentou-se na varanda, observando a névoa rolar como fantasmas.
"Eu tirei muitas vidas, Raja", sussurrou ela. "Às vezes... não sei se sou melhor que Marco."
Raja se aproximou e se ajoelhou na frente dela.
"Você não é ele", disse ele calmamente. "Você matou para sobreviver. Ele matou para dominar. Essa é uma linha que não pode ser apagada."
Alina olhou para ele, com os olhos nublados. "Mas quem poderia amar alguém como eu, com toda essa escuridão?"
Sem hesitar, Raja tirou uma pequena caixa de dentro do casaco. Seus olhos não vacilaram.
"Eu poderia."
Alina congelou. Raja abriu a caixa. Dentro havia um anel preto, metal fosco, gravado com o símbolo de uma serpente e uma adaga. Seu passado, refeito.
"Eu sei quem você é, Alina. Cada cicatriz. Cada pecado. Cada gota de sangue. E eu ainda escolho você. Porque nosso amor nasceu nas cinzas do inferno... e cresceu entre espinhos. Este não é um conto de fadas. Mas é real."
Alina não chorou. Ela era forte demais para isso. Mas seus olhos tremeram.
"Este não é um pedido romântico", murmurou ela.
Raja deu um leve sorriso. "Flores não crescem em solo como o meu. Mas você... você floresceu de qualquer maneira."
Ele ofereceu o anel. "Case-se comigo, Alina. Seja minha rainha em um reino de sombras, que pertence apenas a nós."
Alina olhou para o anel por um longo tempo. Então, com dedos trêmulos, ela o colocou. E, pela primeira vez... ela não se sentiu sozinha.
Meses depois, Alina estava na emergência de um hospital, vestida com um jaleco branco com um estetoscópio pendurado no pescoço. Lá fora, o mundo ainda estava envolto em escuridão. Mas dentro dessas paredes estéreis, ela encontrou uma paz frágil. Nunca durava muito.
Ela respirou fundo antes de entrar na sala de trauma. Um paciente crítico estava inconsciente. Alina não era uma cirurgiã comum: ela era uma gênio na sala de operações, uma lenda em sua área. E isso a tornava uma ameaça.
Um homem em particular a desprezava, Dr. Mirza, um colega ciumento cuja orgulho não podia suportar seu sucesso. E Alina sabia que ele estava observando, esperando que ela tropeçasse.
"Qual é a condição do paciente?" Alina perguntou, com os olhos fixos no monitor.
"Crítico. A cirurgia pode ser necessária. Mas... talvez você não devesse se envolver, Dra. Aileen", respondeu Mirza friamente, com um tom cheio de desdém. "Existem procedimentos padrão a serem seguidos."
Alina encontrou seu olhar sem hesitar. "Eu sei exatamente o que estou fazendo. Se você não consegue lidar com isso, então saia do caminho."
Mirza zombou. "Este não é um lugar para heróis, Aileen."
Ela lhe deu um aceno frio. "Talvez não. Mas se eu puder salvar essa vida, farei o que for preciso."
Ela assumiu o controle da situação, iniciando um procedimento de emergência. Mirza só podia assistir furioso, mas impotente. A reputação de Alina era intocável.
Horas se passaram em tensão de alto risco. Mas, no final, Alina salvou o paciente. Ao sair do centro cirúrgico, ela sentiu triunfo e inquietação. Hoje não foi apenas sobre salvar uma vida: foi sobre lutar uma guerra interna.
Seu telefone vibrou. Uma mensagem de Raja.
"Preciso te ver hoje à noite. É importante."
Alina exalou, olhando para a tela. Raja nunca ligava sem motivo. Eles haviam prometido ficar longe do mundo do poder e do sangue, mas algo havia mudado.
Ela respondeu rapidamente. "Estou ocupada no hospital. Pode esperar?"
A resposta dele veio rápido. "Não. Isso é sobre nós. Sobre o futuro. Não fuja de mim."
Ela mordeu o lábio. Ela sabia que aquela noite mudaria tudo.
Naquela noite, ela chegou à mansão dele, na beira da cidade. Pisos de mármore frios. Salões vazios. Tensão no ar. Ela entrou sem dizer uma palavra. Seus olhos se encontraram. Algo não dito passou entre eles.
Raja ficou de pé, com a voz firme. "Eu sei que isso é difícil para você. Mas isso não é apenas sobre nós, Alina. É sobre controle. Sobre o que poderíamos construir juntos."
Os olhos de Alina se estreitaram. "Eu deixei esse mundo para trás, Raja. Eu quero viver. Curar. Salvar pessoas, não jogar jogos de poder."
"Você não pode fugir do que você é", disse ele. "Nós somos assim. E eu quero você comigo, moldando este mundo."
Ela afastou a mão dele quando ele a alcançou.
"Então, é uma escolha agora?" ela perguntou amargamente. "Minha carreira ou você?"
"Eu não vou te forçar", disse Raja. "Mas lembre-se... somos mais fortes juntos. Podemos mudar tudo."
Ela olhou para ele, dividida entre o amor e a liberdade. Sua voz falhou.
"Se nos unirmos, Raja... não há como voltar atrás. Vamos afogar naquela escuridão."
A voz de Raja suavizou, mas sua determinação nunca vacilou. "A escuridão... é o nosso lar. E eu não vou deixar você lutar contra ela sozinha."
Alina fechou os olhos. Medo e força guerreavam dentro dela. Mas ela sabia que havia um tipo de poder que ela só poderia exercer ao seu lado.
"Eu vou ficar", disse ela calmamente. "Mas não me culpe se eu escolher não seguir você na escuridão."
Raja sorriu, desejo e domínio em seu olhar. "Eu não vou te forçar. Mas lembre-se, Alina... a escuridão sempre retorna. E nós enfrentaremos juntos."
Na manhã seguinte, Alina voltou ao hospital. Mas a sombra de seu passado se agarrava a ela como uma segunda pele. Raja permaneceu no mundo que ela tentou deixar para trás, esperando, sabendo que, por mais longe que ela fugisse, ele sempre faria parte de sua história.