Capítulo 52: Preso na Fenda
Frio. Escuro. Silêncio.
Alina se forçou a suprimir o medo que estava entrando na sua cabeça. A respiração dela vinha em baforadas rápidas, nuvens brancas escapando dos lábios dela a cada exalação.
"Eu tenho que sair daqui."
Cuidadosamente, ela estendeu a mão, sentindo as paredes geladas ao seu redor, procurando algo para agarrar. Seus dedos roçaram em uma superfície áspera e congelada. Ela tentou se levantar, mas suas mãos estavam dormentes.
"Não... eu não posso desistir..." ela sussurrou para si mesma.
O céu acima parecia tão distante. Uma luz fraca entrava por uma rachadura acima, mas estava muito alto para alcançar. Se eu ficar aqui por muito tempo, vou congelar até a morte. De repente —
Crack!
Alina estremeceu. O som agudo de gelo quebrando ecoou pelo abismo. Ela se virou rapidamente, examinando seus arredores.
Na distância, a imponente parede de gelo estava se movendo levemente, rachaduras finas se espalhando como uma teia de aranha. Seu coração disparou.
Isso é ruim. Muito ruim. Ela precisava se mover agora, antes que toda a fenda desmoronasse e a enterrasse viva.
Reunindo suas forças restantes, ela rastejou para frente, seus pés procurando um terreno estável em meio ao gelo escorregadio e irregular. Cada movimento era lento, seu corpo drenado pela temperatura congelante.
Então, assim que ela alcançou uma pequena abertura que poderia ser uma saída —
Tudum!
A neve sob ela cedeu novamente. Seu corpo mergulhou mais fundo, batendo contra o gelo irregular antes de finalmente parar em um espaço ainda menor e mais escuro.
"Droga... estou presa ainda mais!
Pânico surgiu, mas ela se forçou a pensar. Tinha que haver uma saída. Tinha que haver. Alina virou a cabeça — e seus olhos se arregalaram.
No canto da câmara de gelo, parcialmente enterrado sob uma fina camada de neve congelada, havia algo que enviou um arrepio em seus ossos.
Uma mochila. Alguém havia caído aqui antes dela. O que significava... poderia haver uma saída. Alina encarou a mochila, sua respiração falhando. Estava coberta de neve, quase se misturando às paredes congeladas, mas era claro que não fazia parte do deserto.
Com dedos rígidos, ela alcançou as alças, puxando com a pouca força que tinha sobrado. O som de neve se movendo encheu o silêncio enquanto ela a arrastava para o colo. Seu coração disparou.
"De quem era isso? Eles sobreviveram?"
Lutando, ela abriu o zíper da mochila parcialmente congelada, suas mãos tateando dentro em busca de algo útil. E dentro —
Um caderno. Uma lanterna. E… uma jaqueta grossa. Sem hesitar, Alina pegou a jaqueta e a envolveu em volta de si. Calor, por mais leve que fosse, penetrou em seus membros congelados, dando a ela um pequeno surto de esperança.
Ela ligou a lanterna. Um feixe amarelo fraco cortou a escuridão, iluminando as paredes de gelo brilhantes ao seu redor. Os reflexos as fizeram parecer espelhos — distorcidos, misteriosos, quase vivos.
Com as mãos trêmulas, ela abriu o caderno. A caligrafia na primeira página estava desbotada, mas ainda legível.
"Se você encontrou isso… significa que você também está preso aqui."
Alina prendeu a respiração. As páginas seguintes estavam cheias de esboços grosseiros — um mapa grosseiro deste abismo, notas espalhadas mal legíveis.
"Há uma saída. Mas você tem que encontrá-la antes que tudo desmorone."
Naquele momento, o gelo gemeu novamente. Mais alto. Mais perto. Alina ergueu a cabeça, o feixe da sua lanterna tremendo enquanto ela a apontava para o teto. Neve estava se movendo. Grandes pedaços de gelo estavam rachando, prontos para cair.
"Eu preciso me mover. Agora."
Seus olhos correram de volta para o caderno, seguindo as linhas esboçadas. Havia uma seta apontando para um túnel estreito na borda da fenda.
Ela se levantou apesar de sua fraqueza. A saída era real. Ela só precisava encontrá-la. Agarrando a lanterna e o caderno com força, ela começou a se mover, seus dedos roçando as paredes congeladas em busca de equilíbrio. Cada passo era pesado, mas ela se recusou a parar. Ela não morreria aqui.
No nível do chão… A Capitã Joy estava na beira da fenda coberta de neve, sua mandíbula travada. Eles haviam recuperado dois membros da equipe. Mas Alina ainda estava desaparecida.
Um dos socorristas relatou os últimos momentos antes de ela cair — Alina havia despencado no que parecia ser um buraco sem fundo. Quando eles voltaram para procurar, uma avalanche havia selado a abertura. O olhar da Capitã Joy se endureceu enquanto ele encarava o abismo congelado.
"Há alguma chance de que ela ainda esteja viva?" Sua voz era firme, mas no fundo, ele lutava contra o medo crescente em seu peito.
Um dos socorristas hesitou antes de balançar a cabeça. "Com essas temperaturas e sem equipamentos adequados... as chances são muito pequenas."
"Mas não zero." Os olhos de Joy queimavam com determinação. "Eu não vou deixar minha companheira de equipe para trás."
Ele pegou seu rádio. "Enviem uma equipe de busca adicional. Se tivermos que cavar, faremos isso."
A equipe dele trocou olhares incertos. Com a tempestade apenas se estabelecendo, o risco de outra avalanche era alto. Mas eles sabiam de uma coisa: a Capitã Joy não era alguém que desistia facilmente.
"Eu vou com você", disse um dos membros da equipe.
Os outros concordaram. Eles encontrariam Aileen. Morta ou viva.
No fundo da fenda… Alina caminhava pesadamente para frente, sua respiração vindo em baforadas curtas e irregulares. O ar estava ficando mais rarefeito. Sua lanterna iluminava uma passagem estreita à frente, envolta em sombras. Cada passo parecia uma batalha, mas ela se recusou a parar.
Ela mordeu o lábio, tentando ignorar os tremores percorrendo seu corpo, não apenas do frio, mas do medo pressionando seu peito.
Se o caminho por onde ela caiu agora estava selado, sua única esperança era encontrar outra saída. Então —
Crack! Crack!
Um som ecoou atrás dela. Alina congelou. Aquilo não era gelo se movendo. Parecia… algo se movendo.
Seu batimento cardíaco aumentou. Com as mãos trêmulas, ela levantou a lanterna e apontou para trás dela. Nada. Apenas o gelo azul sem fim e a névoa da sua respiração.
"Talvez seja só minha imaginação..."
Ela se virou para continuar. Algo se moveu nas sombras. Alina cambaleou para trás, sua lanterna tremendo. Era apenas um truque da luz? Ou… ela não estava sozinha neste abismo congelado?
Sua respiração acelerou. Se ela ficasse parada, poderia congelar. Se ela avançasse, tinha que estar preparada para o que estava por vir. De qualquer forma — ambas as opções carregavam perigo. Mas ela sabia de uma coisa com certeza. Ficar parada não era uma opção.
Rangendo os dentes, ela se forçou para frente, sem saber que, na escuridão, um par de olhos a observava. Ela mordeu o lábio, estabilizando sua batida cardíaca frenética. As sombras ao seu redor pareciam se fechar, fazendo com que o ar gelado parecesse ainda mais pesado.
"Mantenha a calma. Não entre em pânico."