Capítulo 38: Trabalhando Sob Pressão
O Dr. Richard encostou na cadeira, parecendo estar curtindo a situação.
"Ele pode ser popular agora, mas não vai durar. Com uma agenda dessas, ele vai estar exausto em semanas."
"Não só ele," outro médico entrou na conversa. "A equipe dele vai sofrer também. Eles vão sentir a pressão e, cedo ou tarde, alguém vai quebrar."
"Quanto antes, melhor," o Dr. Richard acrescentou. "Se eles pedirem demissão por conta própria, não precisaremos sujar as mãos."
A sala ficou em silêncio por um momento antes que, um por um, os outros começassem a concordar com a cabeça. Não havia necessidade de pressa. Eles só precisavam esperar a Alina cair.
Desde que voltou da aldeia, a Alina estava enterrada em trabalho no hospital – ou, melhor dizendo, deliberadamente sobrecarregada.
A agenda dela, que costumava ser de quatro dias por semana, tinha se transformado em uma rotina implacável de sete dias por semana, sem folgas. Sem folga, sem descanso.
Uma cirurgia após a outra era agendada sem parar. A administração do hospital parecia ter esquecido que os médicos também eram humanos. Não importava a que horas ela chegasse em casa, sempre havia uma nova tarefa esperando por ela na manhã seguinte.
A princípio, ela pensou que fosse temporário. Mas quando viu a Raka e as enfermeiras da equipe dela sofrendo o mesmo destino – exaustas, olheiras escuras se aprofundando sob os olhos, algumas até adoecendo – ela percebeu que aquilo não era coincidência.
Isso era uma punição. E não apenas para ela, mas para aqueles que estavam próximos dela. A Alina poderia aceitar se ela fosse a única sendo alvo. Mas ver pessoas inocentes sendo arrastadas para isso a deixava doente.
Então, ela decidiu confrontar o Dr. Richard diretamente, esperando conseguir algum alívio para sua equipe. Mas, em vez de uma solução, ela recebeu uma ameaça.
"Se você não aguenta, sempre tem a opção de sair," o Dr. Richard disse com um sorriso frio.
A Alina apertou os punhos sob a mesa, lutando para manter o controle. "Isso é totalmente irrazoável, Doutor," ela disse, com a voz tensa. "Não é só sobre mim – é sobre minha equipe. Isso é desumano."
O Dr. Richard riu, como se suas palavras fossem engraçadas. "Você pode entregar sua demissão a qualquer momento, Dra. Aileen. Ninguém está te forçando a ficar."
A Alina encontrou seu olhar bruscamente, finalmente entendendo o jogo que eles estavam jogando. Eles não queriam demiti-la diretamente. Eles queriam empurrá-la para que pedisse demissão por conta própria.
Enquanto saía do escritório, os olhares dos outros médicos que ela cruzava pareciam dolorosamente familiares – vazios, meio simpáticos, mas sem a coragem de intervir.
Alguns até sussurravam pelas costas dela.
"Parece que eles querem que ela desmorone de exaustão…"
"Talvez seja apenas uma questão de tempo até que ela desista…"
A Alina rangeu os dentes. Cansada? Sim. Com raiva? Com certeza. Mas desistir? Eles estavam muito enganados se pensavam que ela se renderia tão facilmente.
Se esse era o jogo deles… então ela aguentaria. Até que fossem eles que caíssem.
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Antes de voltar ao trabalho, a Alina tirou um tempo para checar a Lana. No momento em que sua amiga a viu entrar, a Lana sorriu calorosamente, apesar de seu rosto pálido.
"Como você está?" a Alina perguntou suavemente, com os dedos habilmente verificando a condição da Lana, certificando-se de que tudo estava bem.
A Lana soltou um pequeno suspiro, então ofereceu um sorriso fraco. "Estou bem," ela disse baixinho, dando um tapinha no espaço vazio ao lado dela. "Sente-se um pouco. Eu sei que o diretor está sendo injusto com você."
A Alina ficou em silêncio por um momento antes de forçar um pequeno sorriso. Honestamente, ela queria esconder isso da Lana. Mas, como sempre, a Lana conseguia enxergá-la.
"Não se preocupe comigo. Concentre-se em melhorar," a Alina respondeu, tentando mudar de assunto. "Recupere-se logo. Sinto falta de ter você de volta na nossa equipe."
A Lana sorriu, mas seus olhos estavam cheios de compreensão. Ela sabia que a Alina estava guardando muita coisa. Mas, por enquanto, ela optou por não insistir.
Porque, mesmo que a Alina parecesse forte por fora… ela sabia o quão pesado era o fardo que sua amiga carregava.
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Depois de sair do quarto da Lana, a Alina continuou em direção ao centro cirúrgico. Mas, ao passar pelo corredor, uma reportagem em uma tela de televisão chamou sua atenção, fazendo-a parar no lugar.
Na tela, o chefe da aldeia estava em frente à mídia, cercado pelos moradores, com seus rostos cheios de gratidão e orgulho.
"Somos incrivelmente gratos à Dra. Aileen e ao Dr. Leo por sua ajuda," disse o chefe, com a voz cheia de sinceridade.
Atrás dele, os trabalhadores estavam ocupados construindo infraestrutura. Estradas que antes eram lamacentas estavam sendo pavimentadas, postes de eletricidade estavam altos, e o mais surpreendente de tudo – uma grande placa que dizia.
"Local de Construção do Novo Hospital" estava em destaque.
A Alina prendeu a respiração. "Um hospital? Eles estão realmente construindo um hospital lá?"
O calor se espalhou por seu peito. O cansaço que a atormentava parecia desaparecer. Todo o seu trabalho duro… não tinha sido em vão.
Mas ela não teve tempo de aproveitar o momento. De repente, passos apressados se aproximaram por trás.
"Dra. Aileen!"
A Alina se virou para ver a Raka correndo em sua direção, com o rosto cheio de urgência.
"Um paciente crítico na emergência! Precisamos de você agora!"
Sem hesitar, a Alina correu para a emergência. Não importava o quão exausta ela estivesse. Não importava a pressão de seus superiores. Porque, para a Alina, a vida de seus pacientes sempre viria em primeiro lugar. E ela sempre estaria lá… para salvá-los.
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Ao entrar na emergência, os passos da Alina vacilaram.
Seu coração batia forte no peito enquanto seus olhos se fixavam no paciente deitado na cama do hospital.
Seu corpo estava conectado a vários monitores, sua respiração fraca, seu rosto ainda mais pálido do que ela se lembrava. Mas a coisa mais marcante era sua roupa – um macacão laranja emitido pela prisão. Dois oficiais estavam ao lado da cama, suas expressões tensas e cautelosas.
"Ele tentou suicídio ingerindo veneno," disse um oficial sem rodeios.
A Alina congelou. Seus olhos se arregalaram quando o reconhecimento a atingiu. "Axel?" ela sussurrou.
Por um momento, sua mente ficou em branco. Não… o Axel não era do tipo que faria isso. Ele era forte, inteligente e – acima de tudo – alguém que amava a vida.
"Você tem certeza de que isso foi uma tentativa de suicídio?" ela perguntou, com a voz mais tensa do que pretendia.
O oficial assentiu. "Ele foi encontrado inconsciente em sua cela. Os testes iniciais confirmaram veneno em seu sistema."
A Alina olhou para o rosto pálido do Axel, sua mente correndo. "Não, isso não foi suicídio."
Alguém o incriminou. E, se suas suspeitas estivessem corretas… a vida do Axel ainda estava em perigo.
Ela deixou de lado sua confusão e entrou em ação. Avaliando rapidamente sua condição – seu pulso estava fraco, pressão arterial perigosamente baixa, sinais claros de envenenamento.
"Há quanto tempo ele foi encontrado?" ela perguntou com urgência.
"Cerca de trinta minutos atrás," respondeu uma enfermeira.
A Alina cerrou a mandíbula. Se o veneno tivesse se espalhado muito, suas chances de sobrevivência despencariam.
Endireitando-se, ela ordenou com firmeza: "Prepare o centro cirúrgico! Precisamos eliminar o veneno imediatamente!"
A equipe médica se moveu de uma vez. Apesar de seu cansaço após turnos intermináveis, eles não hesitaram.
Segundos depois, a cama do Axel foi levada para a sala de cirurgia. A Alina caminhou ao lado dele, com os olhos fixos em seu rosto.
Seus traços estavam alarmantemente pálidos, quase sem vida. Um tubo de oxigênio foi colocado em seu nariz, o monitor cardíaco apitando fracamente – muito fracamente.
Uma tempestade de perguntas girava em sua mente. Quem tentou matar o Axel? Por quê? Isso foi um aviso? Ou havia algo ainda maior em jogo?
Mas agora não era hora de respostas. No momento, a única coisa que importava era salvar sua vida.
A Alina agarrou a beira da cama do hospital por um momento, então sussurrou suavemente – quase baixo demais para ouvir.
"Espere, Axel… Eu vou te salvar. Não importa o que aconteça."