Capítulo 134: Resistência
Uns dias depois, a situação do Raja tinha melhorado um bocado. As feridas dele estavam quase totalmente curadas, só deixando umas cicatrizes fracas na pele. Naquela manhã, ele se ocupou na cozinha, preparando um café da manhã simples para os dois.
Enquanto isso, a Alina tava sentada na frente do monitor, os olhos dela focados pra caramba nos movimentos ao redor do esconderijo deles. Os dedos dela dançavam rapidinho no teclado, às vezes franzindo a testa com o que via.
"Achou alguma coisa?" o Raja gritou da cozinha, mexendo na comida.
A Alina balançou a cabeça de leve. "Mais ou menos... mas tem algo estranho", ela falou, a voz baixa, mas clara.
"Que foi?" o Raja perguntou, trazendo duas travessas de comida quente. Ele colocou na mesa do lado da Alina e sentou do lado dela.
"Uns dias atrás", a Alina começou, ainda olhando pra tela, "um carro estranho chegou perto. Pararam perto de onde a gente escondeu o carro, ficaram um tempão... e depois foram embora. Sem procurar, sem perguntar."
O Raja concordou com a cabeça, pensando, olhando pra comida dele sem realmente ver. "Podia ser uns civis passando", ele pensou. "Ou talvez... não sejam os homens do Damien."
A Alina mordeu o lábio inferior, a desconfiança roendo ela. Algo não tava certo. Mas por enquanto, ela se obrigou a se acalmar e começou a comer a refeição que o Raja tinha preparado.
Depois do café, a calmaria frágil dentro da casa quebrou quando o monitor da Alina piscou. Uma mensagem apareceu na tela, puxando toda a atenção deles.
"Vocês estão bem?" a mensagem dizia. "Sou eu, Mahesa. Meus homens vão chegar logo de avião. Segurem firme até eles chegarem."
Os olhos da Alina se estreitaram pra tela, o coração batendo forte. O Raja, que tinha ficado calado, se aproximou rapidinho.
"Mahesa?" a voz do Raja tava grossa de choque. "Pai... ele mandou isso?"
A Alina concordou. "Parece que sim. Seu pai sabe onde a gente tá... e tá mandando ajuda", ela respondeu, a voz tremendo um pouco, percebendo o quanto isso devia significar pro Raja.
O Raja ficou quieto, as emoções rodopiando no peito dele: mágoa, saudade e gratidão, tudo misturado. "Ele sabe... ele ainda se importa", ele sussurrou.
A Alina olhou pra ele, e depois voltou pra tela. "Precisamos estar prontos. Se os homens do Damien chegarem primeiro, a gente segura até o time do seu pai chegar", ela falou firme, controlando a tensão.
O Raja concordou com a cabeça, os olhos dele endurecendo com a determinação. "A gente não vai cair. Vamos conseguir. Obrigado, Pai."
Como se fosse combinado, minutos depois, o monitor mostrou carros estranhos chegando rapidinho. A Alina entrou em ação, ativando as armadilhas que eles tinham preparado ao redor da casa.
"Tem um monte deles vindo", ela falou rápido.
"Eles são do meu pai?"
"Acho que não. Se prepara, Raja!"
Os carros foram chegando perto. A Alina ficou olhando pra tela, a pulsação dela batendo forte, mas as mãos dela ficaram firmes. Ela viu quando a caravana entrou no quintal da frente deles.
Com um toque só no console, uma explosão alta rasgou o ar. Fogo e fumaça explodiram embaixo de um dos carros, mandando ele pro ar rapidinho antes de cair com tudo.
O caos explodiu na hora.
Os outros carros pararam com tudo. Alguns dos que estavam lá dentro entraram em pânico, tentando dar ré, enquanto outros, que mancada, foram pra frente, pro perigo. Uns abandonaram os carros, rastejando pra casa, desesperados pra não serem pegos. Mas cada movimento já tava mapeado no monitor da Alina. Cada passo calculado.
O Raja assistiu, impressionado e assustado com a eficiência brutal das armadilhas da Alina.
"Você é incrível nisso", ele murmurou.
"Isso é só o começo", a Alina respondeu friamente. "Olha com atenção, Raja."
Os dedos dela voaram pelo painel de controle. No canto do quintal, uma segunda armadilha ativou: uma chuva de tiros de metralhadora varreu o chão aberto. Gritos ecoaram, alguns dos atacantes caíram antes mesmo de poderem reagir.
Os sobreviventes correram pra se esconder, atrás de carros pegando fogo e paredes destruídas, sem fôlego de medo. Pra Alina, eles eram só números numa equação mortal.
Ela apertou outro botão. No lado esquerdo, o chão afundou numa armadilha escondida, engolindo um carro inteiro e quem tava dentro na escuridão.
Dando um zoom no monitor, a Alina viu um homem ferido rastejando em direção à porta da frente, sangue manchando as roupas rasgadas, determinação gravada no rosto dele. Ela conhecia o tipo. Desesperado. Perigoso.
Sem hesitar, ela ativou a última linha de defesa. Acima da porta, uma torre automática desceu silenciosamente, mirando nele com precisão cruel.
Um tiro. Limpo, brutal. O corpo do homem bateu pra trás, o sangue manchando o chão. A Alina respirou fundo, a expressão dela fria como pedra. Isso não era só sobrevivência, mais. Era retribuição.
Tiros explodiram do lado do jardim. Os poucos inimigos restantes, imprudentes e frenéticos, lançaram um ataque de última hora. Balas estilhaçaram as janelas e rasgaram pedaços das paredes.
A Alina se afastou do console, pegando um fuzil de assalto encostado na porta. Ela abriu um pouco e respondeu aos tiros medidos, letais, cada bala encontrando o alvo. Mas eram muitos.
Recuando mais pra dentro da casa, ela cobriu todos os ângulos, se recusando a deixá-los cercá-la. Em cima, um estrondo forte sacudiu o ar da noite. A Alina olhou pra cima e sorriu, malvada.
Reforços tinham chegado.
Através das nuvens, um helicóptero preto surgiu, os holofotes dele cortando o caos. Da escotilha aberta, uma equipe de operacionais táticos desceu rapidinho pro chão, armas na mão.
Tão logo tocaram no chão, a maré virou. A equipe varreu o quintal com precisão aterrorizante, neutralizando os inimigos restantes em silêncio brutal. A Alina pegou no braço do Raja.
"Anda, Raja!"
Eles correram pra fora, encontrando um dos operacionais: um homem mascarado que jogou pra Alina um colete à prova de balas extra.
"Estamos atrasados uns minutos", ele falou pelo comunicador, a voz dele rouca.
"Sem problema", a Alina respondeu friamente, prendendo o colete. "Ainda tem trabalho pra fazer."
O helicóptero pairava acima, jogando uma pressão forte sobre o campo de batalha. Naquela noite, a casa da Alina tinha virado uma zona de guerra e ela mandava nela sem piedade. Enquanto o inimigo cambaleava, a Alina e o Raja se moveram rápido.
O homem mascarado latiu ordens pelo rádio. "Protejam eles a todo custo!"
A Alina pegou a corda pendurada do helicóptero e começou a escalar, o corpo balançando no caos pegando fogo lá embaixo. O Raja seguiu, cobrindo a subida dela com tiros firmes.
Embaixo, a equipe tática segurou o lugar, jogando balas em qualquer inimigo que fosse burro o suficiente pra se aproximar. Segundos pareciam horas, mas, por fim, a Alina alcançou a beirada do helicóptero. Mãos fortes puxaram ela pra dentro. O Raja seguiu rapidinho depois. Assim que eles estavam seguros, o piloto sinalizou pra equipe.
Um por um, os operacionais foram extraindo, subindo nas cordas em meio ao inferno rugindo. Pequenas explosões ecoaram na distância: sinais dos atos finais desesperados do inimigo.
Assim que o último homem saiu do chão, o helicóptero balançou pra longe, os motores rugindo na noite. Embaixo deles, o campo de batalha desapareceu em fumaça, fogo e morte.
Lá dentro, a Alina lutou pra controlar a respiração, cada músculo tenso, os olhos dela procurando por ameaças. Do lado dela, o Raja sentou curvado, o rosto dele endurecido, sangue seco na pele dele.
"Sobrevivemos", a Alina falou baixo. "Mas o Damien não vai nos deixar ir tão fácil."