Capítulo 39: Pressão Mental
Assim que as portas da sala de cirurgia se abriram, Alina respirou fundo, deixando de lado todas as distrações.
"Vamos começar a cirurgia."
Nesse momento, ela não era uma mulher assombrada pelo passado. Não era alguém cercada por inimigos. Agora, ela era uma médica – e, como médica, não deixaria seu paciente morrer.
A operação começou. O veneno se espalhou pelos órgãos vitais, mas ainda não era tarde demais. Com a máxima precisão, Alina começou a tratar o corpo envenenado de Axel. Cada segundo importava. Ela tinha que ser rápida.
"Estabilizem a pressão arterial dele!" ela ordenou.
As enfermeiras seguiram rapidamente suas instruções. Cuidadosamente, Alina separou o tecido danificado para evitar que a condição de Axel piorasse. Suas mãos permaneceram firmes, mesmo com o tempo passando e a pressão aumentando.
A cirurgia continuou sob o peso do relógio. Axel estava em estado crítico, mas Alina se recusou a desistir. Porque nesse campo de batalha, ela tinha apenas um objetivo: puxar seu paciente de volta do limiar da morte.
Suor frio escorria pela sua têmpora, mas ela ignorou. Agora, ela não era alguém sob escrutínio ou punição. Agora, ela era apenas uma médica, lutando contra a morte.
"A saturação de oxigênio está caindo!" gritou uma das enfermeiras.
Alina mordeu o lábio, os olhos fixos no monitor que exibia os sinais vitais de Axel em declínio. Não. Ela não deixaria isso acontecer.
"Mantenham a calma. Ainda não perdemos," ela disse, sua voz firme e inabalável.
Com movimentos rápidos e experientes, ela continuou o procedimento. Os segundos se arrastaram como uma eternidade, mas, lentamente, os sinais vitais de Axel se estabilizaram. O veneno que ameaçava sua vida foi gradualmente neutralizado.
Depois do que pareceu uma eternidade, a cirurgia finalmente acabou.
Alina tirou as luvas e soltou um longo suspiro. Seus olhos pousaram em Axel, agora respirando de forma mais constante, embora ainda fraco.
"Ele vai sobreviver," ela murmurou.
Mas isso não acabou. Alguém tentou matar Axel. E se eles ousaram uma vez, podem fazer de novo.
Enquanto saía da sala de cirurgia, o corredor do hospital parecia mais frio do que o normal. Não apenas de exaustão, mas da inquietação que se recusava a deixá-la.
Ela havia salvado Axel por enquanto, mas a verdadeira pergunta permaneceu: Quem o queria morto?
Passos pesados se aproximaram. Um oficial de segurança parou na frente dela.
"Como foi a cirurgia?"
"Foi bem, mas..." Alina o encarou com um olhar agudo. "Vigie bem aquele paciente. Alguém está atrás da vida dele."
O oficial fez um aceno firme antes de retornar ao seu posto. Enquanto isso, Alina finalmente se arrastou para a sala de descanso. A fadiga pesava em cada passo, e no momento em que sua cabeça quase tocou o travesseiro –
"WEEOOO! WEEOOO!"
O alarme de emergência soou, quebrando a breve paz da noite.
Uma voz seguiu pelos alto-falantes:
"Emergência! Um grande incêndio no centro da cidade! Equipe médica, preparem-se para pacientes em breve!"
Alina fechou os olhos por um segundo, xingando silenciosamente. Sua respiração estava pesada. Seu corpo estava exausto. Mas o dever não permitia descanso.
Em poucos instantes, ela estava de volta em seus pés, colocando seu jaleco branco mais uma vez. Sem tempo para exaustão.
Ao entrar no pronto-socorro, a visão à sua frente fez seu peito apertar.
A emergência estava transbordando de vítimas de queimaduras. Gritos de dor ecoavam de todos os cantos. Alguns pacientes estavam no chão devido à falta de leitos. Fuligem e cinzas grudavam em sua pele queimada; alguns tinham queimaduras graves, enquanto outros tossiam violentamente devido à inalação de fumaça.
Mas o que mais a irritou foi uma coisa – apenas sua equipe estava trabalhando. O resto da equipe médica?
Eles estavam sentados tranquilamente na estação das enfermeiras, olhando para as telas dos computadores, brincando como se nada estivesse acontecendo. Alguns médicos estavam conversando tomando café, como se não houvesse dezenas de pessoas lutando por suas vidas bem na frente deles.
Alina cerrou os punhos, a fúria fervendo dentro dela. Sem hesitar, ela correu em direção a um médico sentado ociosamente em um computador.
"O que diabos você está fazendo, doutor?" sua voz era aguda, entremeada de emoção. "Há pacientes morrendo, e você está apenas sentado aqui assistindo?"
O médico nem se virou, não reagiu. Como se Alina não estivesse lá. Rangendo os dentes, ela se virou para um grupo de enfermeiras que estavam no canto, deliberadamente evitando os pacientes.
"Vocês também! Por que não estão ajudando?! Eles precisam de cuidados imediatos!"
Em vez de responder, as enfermeiras recuaram, evitando seu olhar como se ela fosse uma praga. Um arrepio percorreu sua espinha. Algo estava errado. Foi quando Raka correu até ela, com o rosto tenso.
"Doutora, veja isso!" ele disse, enfiando um tablet em suas mãos.
Alina o pegou, seus olhos imediatamente percorrendo o anúncio em negrito na tela.
"Ordem do Diretor do Hospital:
Todo o pessoal médico está proibido de auxiliar ou cooperar com a Dra. Aileen e sua equipe.
Os infratores serão transferidos para hospitais fora da cidade."
Seus olhos se arregalaram em descrença. Raka continuou, com a voz embargada de raiva. "Não só isso, doutora. Essas vítimas de incêndio ainda não têm financiamento claro. O governo está atrasando seu orçamento de saúde. A junta do hospital decidiu que, até que suas taxas de tratamento sejam pagas, não podemos usar nenhum equipamento médico para ajudá-los."
Parecia um soco no peito. Eles não estavam apenas tentando removê-la e sua equipe. Eles estavam deixando as pessoas morrerem – só por dinheiro. Alina examinou os rostos ao seu redor, procurando qualquer sinal de desafio. Mas a maioria apenas olhou para baixo.
Raka cerrou a mão com força, hesitando. Ele queria lutar, mas sabia das consequências. Sua mãe ainda estava doente. Ele precisava desse emprego. Alina viu aquele conflito em seus olhos.
"Dr. Raka," ela disse suavemente, mas com firmeza. "Afaça-se da equipe. Eu não vou pedir que você arrisque sua família por isso."
Raka congelou, mordendo o lábio. Ele se sentiu um covarde. Mas Alina estava dando a ele uma escolha – algo que poucos fariam nessa situação.
Com muita relutância, Raka assentiu. "Sinto muito, doutora..." ele sussurrou.
Alina lhe deu um pequeno sorriso de compreensão. "Cuide da sua mãe."
Um por um, os médicos que antes estavam ao seu lado se afastaram. Não porque não se importavam, mas porque sabiam das consequências. No final, apenas Alina e um punhado de enfermeiras ficaram.
Ela deveria ter se sentido derrotada. Mas, em vez disso, ela se sentiu mais forte. Respirando fundo, ela olhou para sua pequena, mas determinada equipe.
"Tudo bem," ela disse. "Podemos ser poucos, mas isso não significa que vamos desistir. Vamos salvá-los. Com ou sem a permissão do hospital."
Alina se ajoelhou ao lado de um paciente com queimaduras graves no peito e nos braços. Suas respirações eram pesadas, seus olhos mal abertos. Se eles não agissem agora, ele não conseguiria.
Rapidamente, Alina puxou um bisturi do kit de primeiros socorros. Sem sala cirúrgica estéril. Sem monitores. Apenas suas mãos e sua experiência.
"Doutora... isso é muito perigoso," sussurrou uma das enfermeiras, com a voz trêmula.
Alina não respondeu. Seu foco estava fixo no paciente à sua frente.
"Mergulhem um pano limpo em água mineral – não temos antisséptico suficiente," ela instruiu rapidamente.
apesar de sua hesitação, as enfermeiras se moveram. Elas sabiam que isso era imprudente. Mas também sabiam que, se não fizessem isso, esse homem morreria.
Alina começou. Ela fez uma incisão precisa para aliviar a pressão das queimaduras profundas. Quase não havia anestesia – apenas os suprimentos limitados que ela havia cuidadosamente racionado.
O paciente tremia de dor, mas ela continuou. Uma vida salva. Depois, outra. E outra.
Por horas, ela trabalhou, ignorando seu esgotamento. Todo paciente que precisava ser salvo – ela salvou.
Mas ela não percebeu – alguém estava observando. Uma câmera escondida registrou tudo. E, em breve, o mundo se voltou contra ela.
[MAU DESEMPENHO! DRA. AILEEN – A MÉDICA DESPIEDOSA QUE FAZ QUALQUER COISA POR DINHEIRO!]
A manchete piscou na tela do celular dela. Um vídeo viralizou. Mostrando suas mãos ensanguentadas. Os pacientes se contorcendo. Como se ela fosse uma açougueira, não uma curandeira.
Alina congelou. O mundo que ela tentou salvar – a havia traído.
"Quem... fez isso?"