Capítulo 26: Operações de Emergência
Leo concordou com a cabeça. "Se a gente não agir agora, a infecção vai se espalhar pelo corpo dele. Ele vai morrer."
A mulher idosa que tinha falado antes abaixou a cabeça, pensando. "Então... não é porque os ancestrais estão bravos?"
**Alina** deu um sorrisinho gentil. "Não é nenhuma maldição, nem castigo. É só como o corpo funciona. Mas a gente ainda pode salvá-lo."
Leo adicionou, "Imagina uma árvore. Se um galho apodrece e ninguém faz nada, a podridão vai para o tronco e, no fim, mata a árvore toda. A única maneira de salvar é cortar o galho podre."
Alguns aldeões pareciam estar pensando nas palavras dele.
"Mas... o corpo humano não é uma árvore", alguém objetou.
"Você tá certo", **Alina** respondeu, "mas nossos corpos funcionam de um jeito parecido. Se deixa um tecido morto parado, as toxinas vão se espalhar. Ervas podem ajudar de várias formas, mas não conseguem trazer carne morta de volta à vida."
Silêncio. Então, o **Chefe da Aldeia** perguntou, "Se vocês cortarem, ele ainda vai viver?"
"Sim, se a infecção não tiver chegado nos órgãos", Leo disse firme. "A gente vai fazer de tudo pra isso não acontecer."
Eles olharam para o **homem idoso**, que tinha aberto os olhos de novo. Os lábios dele se mexeram, a voz quase inaudível.
"Façam..."
"Precisamos de um lugar limpo e das ferramentas certas", Leo disse.
"E precisamos de permissão pra usar nossos métodos por inteiro", **Alina** adicionou.
O **Chefe da Aldeia** concordou com a cabeça, então fez sinal pra vários homens ajudarem.
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Umas horas depois, numa cabana que eles transformaram numa sala de emergência, Leo e **Alina** estavam se preparando para o procedimento. Limparam a ferida o máximo que puderam, esterilizaram o bisturi com fogo e misturaram uma solução antisséptica dos seus suprimentos médicos.
O **Chefe da Aldeia** ficou no canto, observando cada movimento com uma expressão tensa. Lá fora, uns anciãos da aldeia sussurravam entre si, ainda indecisos.
Leo respirou fundo. "Vamos começar."
Com cuidado, eles começaram a amputação. **Alina** pressionou o pulso do paciente pra diminuir o sangramento, enquanto Leo trabalhava rápido. Cada corte era preciso, garantindo que não sobrasse tecido morto. Suor escorria da testa deles, mas eles se mantiveram focados.
Quando a ferida finalmente foi costurada e enfaixada, a sala ficou em silêncio. Leo olhou para o **Chefe da Aldeia**. "Agora, a gente espera pra ver se ele é forte o suficiente pra sobreviver."
Lá fora, os aldeões se reuniram, sussurrando entre si. Alguns pareciam ansiosos, enquanto outros pareciam curiosos.
Um homem se aproximou do **Chefe da Aldeia**. "O que a gente faz agora? Se ele sobreviver... a gente confia no conhecimento deles?"
O chefe olhou para a cabana onde Leo e **Alina** ficaram, monitorando o paciente pra ver se tinha sinais de infecção piorando.
Ele não respondeu de imediato. No fundo, ele sabia que não era só sobre um velho e sua perna. Era o começo de algo muito maior.
"A gente vai ver", ele finalmente disse. "Se ele viver... talvez a gente tenha algo pra aprender com eles."
O **homem idoso** estava deitado fraco, respirando superficialmente, seu corpo ainda queimando de febre. A cirurgia tinha dado certo, mas agora a batalha de verdade começou — lutar contra a infecção e garantir que ele sobrevivesse.
Leo enxugou o suor da testa e virou pra **Alina**. "A febre dele tá subindo. Precisamos agir rápido."
**Alina** concordou com a cabeça e tirou um pequeno frasco de antibióticos em pó. "Vamos dar antibióticos pra ele primeiro pra controlar a infecção."
Os aldeões se reuniram fora da cabana, sussurrando entre si. Alguns pareciam preocupados, enquanto outros continuavam céticos.
"Vocês disseram que isso não é uma maldição... mas e se os ancestrais estiverem nos testando?", uma **mulher idosa** murmurou. "Se ele sobreviver, não vai ser por causa do remédio deles, mas porque os ancestrais perdoaram ele."
Leo segurou a respiração. Ele sabia os medos enraizados naquela aldeia. Não era só sobre curar um homem — era sobre desafiar crenças passadas por gerações.
"A gente não tá pedindo pra vocês abandonarem seus ancestrais", **Alina** disse calmamente. "A gente só quer usar todos os métodos disponíveis pra salvá-lo. Tem alguma planta que vocês usam pra baixar a febre?"
A **mulher idosa** olhou pra ela com desconfiança, mas acabou respondendo, "Folha amarga. A gente ferve pra beber."
**Alina** sorriu. "Bom, a gente vai usar — mas com segurança."
Eles trabalharam rápido. Leo ajudou o **homem idoso** a engolir os antibióticos primeiro. **Alina** pediu pra um aldeão ferver a folha amarga, mas explicou que o remédio de ervas deveria ser dado várias horas depois dos antibióticos, não ao mesmo tempo.
Mas, em outro lugar da aldeia, nem todo mundo tava feliz com a presença deles. Numa cabana com pouca luz, vários xamãs da aldeia tinham se reunido, com as caras fechadas.
"Esses médicos da cidade trazem conhecimento novo", murmurou um **homem idoso** em voz baixa. "Se as pessoas começarem a acreditar neles, a gente vai perder tudo."
"Não podemos deixar isso acontecer", outro concordou. "Eles precisam ir embora antes que destruam o equilíbrio da aldeia."
Um deles deu um sorriso cínico. "Então a gente vira a aldeia contra eles. Espalhamos a notícia de que o **homem idoso** foi amaldiçoado e que, se ele sobreviver, a desgraça vai vir."
Naquela noite, os boatos começaram a se espalhar. Alguns aldeões ficaram com medo, sussurrando entre si e lançando olhares desconfiados pra cabana onde Leo e **Alina** faziam a guarda.
De manhã, o **homem idoso** se mexeu. A respiração dele tava mais estável, a febre tinha baixado. Apesar de ainda estar fraco, ele abriu os olhos.
Um **jovem** correu pra casa do **Chefe da Aldeia**. "Ele tá vivo!", ele gritou.
Mas antes que a boa notícia pudesse se espalhar, o sino antigo da aldeia tocou alto. Os xamãs se reuniram na praça, vestidos com suas roupas de ritual. Um deles ficou em cima de uma pedra grande, sua voz ecoando pela aldeia.
"Os ancestrais falaram!", ele declarou. "Nós permitimos conhecimento estrangeiro na nossa aldeia, e vejam só! O céu tá escuro, o vento sussurra avisos! Se não pararmos isso, a desgraça vai vir!"
Os aldeões ficaram inquietos. Alguns acreditaram nas palavras, enquanto outros continuaram indecisos. Dentro da cabana, **Alina** e Leo ouviram a comoção lá fora.
"Parece que eles não vão deixar a gente trabalhar em paz", Leo murmurou.
**Alina** suspirou. "Então a gente mostra pra eles com prova. Se o **homem idoso** sobreviver... eles não vão conseguir negar."
Mas eles não sabiam que uma ameaça maior espreitava nas sombras. Os xamãs não queriam só que eles fossem embora — queriam que eles fossem embora pra sempre.
A raiva começou a ferver entre os aldeões. Alimentados pelos sussurros dos xamãs, eles marcharam em direção à cabana velha na beira da aldeia, onde o **homem idoso** descansava. Gritos se misturavam com o som dos pés no chão.
No meio do caos, o **Chefe da Aldeia** ficou em silêncio. A cara dele tava tensa, os olhos dele examinando a multidão como se estivesse pesando suas opções. Mas a hesitação dele não passou despercebida.
"Chefe!" A voz rouca do **xamã mais velho** ecoou. "Não me diga que você foi envenenado pelas mentiras desses forasteiros!"
Vários aldeões gritaram em concordância, com as caras distorcidas de raiva.
"Nós vivemos por essas tradições por gerações!", outro gritou. "Não deixem eles mancharem isso!"
A pressão aumentou. Os aldeões pressionaram o chefe a agir. Nos olhos deles, tinha exigência, fúria e medo. A decisão era dele.
Mas antes que o chefe pudesse falar, Leo deu um passo à frente.
"Por favor, me escutem!", ele gritou, tentando quebrar a onda crescente de raiva.
Ele olhou nos olhos de cada xamã, examinando suas expressões — dúvida, convicção e raiva. Mas então seu olhar pousou no **xamã mais velho**.
Leo percebeu algo. Ele tava doente. Não era só sobre superstição ou controle. Tinha uma doença de verdade consumindo ele. Mas expor essa verdade poderia ser mais perigoso do que enfrentar uma multidão furiosa. Leo tinha que encontrar uma maneira de convencê-los. E ele tinha que fazer isso antes que fosse tarde demais.