Capítulo 147: Quem é aquele homem?
Raja correu atrás da Alina até a frente do prédio do escritório. Mas bem na hora que ele ia gritar o nome dela, ele parou. O peito dele apertou, fervendo de ciúmes.
A Alina tava falando com um cara que ele não reconhecia. Eles estavam muito perto, e o cara se inclinou, sussurrando algo que parecia íntimo demais.
Mas as palavras estavam longe de ser românticas.
'Você não devia voltar pro hospital," o cara sibilou. 'Aquele lugar não é pra alguém como você."
A Alina respondeu com um sorriso doce, mas claramente forçado. A voz dela, no entanto, era afiada como uma lâmina.
'Talvez você devesse manter essa boca imunda fechada, Mirza. O hospital não precisa de um médico como você."
Raja deu um passo à frente, pronto pra intervir, mas a Alina foi embora antes que ele pudesse chegar neles. E bem quando ele se virou pra confrontar o cara, o Mirza, um carro de luxo parou e levou ele embora antes que o Raja pudesse fazer qualquer coisa.
Ele tentou ligar pra Alina. Sem resposta. Sem outra opção, o Raja voltou pro escritório, a expressão dele sombria e o coração dele fervilhando de perguntas sem resposta.
De volta na mesa dele, ele não conseguia se concentrar. Os pensamentos dele voltavam pro tal cara desconhecido que tava muito perto da Alina e ela ignorando a mensagem dele. O coração dele queimava não só de ciúmes, mas de um pressentimento ruim que ele não conseguia tirar da cabeça.
Ele abriu a gravação das câmeras do prédio. A cara do cara apareceu claramente na tela.
'Quem você realmente é?" Raja murmurou, os olhos se estreitando.
Ele imediatamente mandou a imagem pro time de confiança dele. Enquanto isso, a Alina tinha voltado pro hospital, a cabeça dela ainda fervilhando não só por causa da ameaça do Mirza, mas pela tensão não resolvida entre ela e o Raja. Ela sabia que ele tinha entendido tudo errado, mas ela tava cansada de sempre ter que explicar. O mundo deles era intenso demais. O relacionamento deles nunca foi simples.
Na sala dos médicos, a Alina sentou sozinha. Os dedos dela tremiam um pouco enquanto ela abria a última mensagem do Raja. Mas ela não tava pronta pra responder, não porque ela não se importava, mas porque o próprio coração dela ainda tava tentando se recompor.
Daí apareceu uma notificação nova. Uma mensagem de um número desconhecido.
'Não pense que vamos ficar quietos. Você tocou no que devia ter ficado intocado."
A Alina congelou. Ela sabia, então, que não era mais só sobre trabalho ou amor. Era vida ou morte. Mas não tinha tempo pra pensar nisso. Hoje era o dia da inauguração da nova Diretora do hospital, e a Alina tinha que seguir as regras.
Todos os funcionários eram obrigados a ir pro salão principal, a Alina inclusive. Rostos curiosos enchiam a sala, esperando pra ver a nova chefe deles. Quando a mulher entrou com uma confiança imponente, todos os olhos se voltaram pra ela.
Dr. Diana. Bonita. Elegante. Irradiando uma aura poderosa que instantaneamente comandava a atenção. Alguns dos médicos homens sussurravam entre si, sem conseguir esconder a admiração.
A Alina ficou nas fileiras do meio, sem expressão. A cara da mulher era desconhecida, mas o olhar dela contava outra história. A Dr. Diana conhecia a Alina muito bem. Assim que o evento formal acabou, a Diana foi direto pra cima da Alina.
Com um sorriso fino e cheio de si, ela disse, 'Então, você é a Dra. Aileen? Sinceramente… não é tão impressionante quanto dizem os boatos. Mas de alguma forma, os homens ricos sempre parecem cair por você."
A Alina olhou de volta calma, mas com os olhos afiados. 'E você deve ser o tipo de mulher que prospera no drama só pra parecer extraordinária."
Sem esperar por uma resposta, a Alina foi embora. Os funcionários que ouviram a conversa rapidamente desviaram o olhar, fingindo estar ocupados. Desde o primeiro dia, ficou claro: o hospital tinha virado um campo de batalha. E a Dra. Diana não era só uma diretora qualquer, ela tinha uma vingança pessoal contra a Alina.
Mais tarde naquela noite, os corredores do hospital estavam silenciosos. Luzes fracas lançavam sombras longas pelos pisos brancos. A Alina tinha acabado de terminar o plantão dela. O corpo dela tava exausto, mas a mente dela ainda tava presa no caos da manhã, especialmente no vislumbre do Raja observando ela.
Mas bem quando ela virou pra sala de troca de roupa, ela congelou. No final do corredor estavam a Diana e o Mirza. A Diana se aproximou primeiro, usando o jaleco branco como armadura, um sorriso arrogante curvando os lábios.
'Aileen," ela chamou docemente, a voz cheia de veneno. 'Eu pensei que você já teria ido embora. Acontece que você é mais teimosa do que eu esperava."
A Alina endireitou os ombros. 'Eu só tô fazendo meu trabalho. Tem algum problema?"
A Diana cruzou os braços. 'Este hospital não é um parquinho. Precisamos de profissionais aqui, não de rainhas do drama desesperadas por atenção."
Atrás dela, o Mirza sorriu. 'Especialmente aquelas que passam muito tempo ficando à vontade com pacientes VIP. Ou ex-noivos de diretoras."
A Alina apertou os punhos, segurando a raiva. 'Eu tô aqui por causa das minhas habilidades. Não por causa de mais ninguém."
A Diana se inclinou, a voz baixa. 'Mas quanto tempo você consegue aguentar, de verdade? Podemos fazer com que todos aqui te vejam como um fardo. Mesmo um pequeno erro pode virar um escândalo."
A Alina encarou os olhos deles, o olhar dela firme. 'Se você acha que eu vou correr só por causa de ameaças assim, você claramente não me conhece."
A Diana riu suavemente, então se virou. 'Nós vamos ver, Aileen."
O Mirza seguiu, mas não antes de sussurrar no ouvido da Alina, 'Nós não jogamos limpo. Só pra você saber."
Assim que eles sumiram pelo corredor, a Alina ficou parada. O coração dela batia não de medo, mas de fúria. O hospital, um lugar feito pra curar, tinha virado uma zona de guerra. E a batalha dela tinha acabado de começar.
Aquela noite, o ar frio cumprimentou ela quando ela abriu a porta do apartamento dela. A exaustão grudava em cada passo dela até que ela viu alguém esperando na sala dela. Raja.
Ele sentou no sofá dela, a camisa escura um pouco amassada, a expressão dele indecifrável, em algum lugar entre preocupado, bravo e com saudade.
'Tá tarde," a Alina disse quieta, fechando a porta. 'O que você tá fazendo aqui?"
Raja se levantou. 'Eu tava te esperando."
A Alina deixou a bolsa dela no chão sem olhar pra ele. 'Você não precisava."
'Mas eu precisava." A voz dele era baixa, urgente. 'Nós precisamos conversar, Alina."
Ele se aproximou, mas manteve uma distância respeitosa. 'Sobre essa manhã. Eu… eu não queria te deixar chateada ou com ciúmes. A Lia caiu de propósito. Não fui eu. Eu corri atrás de você pra explicar, mas daí eu te vi… com ele."
A Alina olhou pra ele brevemente. Fria, mas não cruel. 'E você achou que eu tava te traindo, bem na frente do seu escritório?"
Raja suspirou. 'Não é isso. Mas o jeito que vocês dois estavam, o jeito que ele falou… Eu só queria saber quem ele é."
A Alina foi pra cozinha, se serviu de um copo de água como se a conversa não importasse. Então ela respondeu, friamente.
'Mirza. O novo médico do hospital."
Raja franziu a testa. 'Só isso?"
Ela se virou pra encarar ele. 'Sim. Só isso. Mas eu duvido que você aceite uma resposta curta, né?"
Raja travou o maxilar. Parte dele queria acreditar nela, mas a imagem de mais cedo ainda assombrava ele. 'Eu só quero saber se ele tá… te incomodando."
A Alina soltou uma risada seca. 'Você tá preocupado agora, ou só me interrogando, Raja?"
Ele não respondeu. Ele sabia que ela tava construindo as paredes dela. E se ele forçasse demais, ele talvez nunca mais conseguisse passar por elas.
'Eu só quero que você seja honesta comigo," ele disse finalmente. 'Porque eu me importo. Só isso."
A Alina não disse nada. Ela só olhou pela janela, pro céu escuro da noite. O coração dela era uma tempestade de sentimentos enrolados. Mas uma coisa era certa. A presença do Raja aqui, essa noite… não parecia mais ser o suficiente.