Capítulo 6: Inimigo do Passado
Alina conseguia sentir o olhar do homem nela—cheio de desconfiança. Mas será que ele realmente sabia o que estava a acontecer, ou estava apenas a adivinhar? Ela tinha que ser cuidadosa.
"Eu não sei do que estás a falar", respondeu ela, seca, a tentar suprimir a tensão na sua voz. "Sou apenas uma médica que sobreviveu a um acidente."
O homem estudou-a por um momento, depois soltou uma gargalhada discreta, como se não acreditasse nela. "É mesmo?"
Ele levantou-se, ajeitou o fato e caminhou para a porta. Mas antes de sair, fez uma pausa.
"Mais uma coisa", disse ele, com os olhos fixos nos dela. "Se és mesmo Alina, sugiro que deixes de investigar coisas que não te dizem respeito."
Alina sentiu a sua expressão endurecer. Ele suspeitava de algo, mesmo que ainda não tivesse a certeza.
"E se não fores Alina…" O homem inclinou ligeiramente a cabeça, com um leve sorriso nos lábios. "Então, certamente, vamos encontrar-nos de novo… Alina Devereaux."
A porta fechou-se lentamente, deixando Alina parada. Eles sabiam, mas ainda não tinham a certeza. Uma coisa era certa—o tempo estava a acabar.
Assim que teve a certeza de que o homem tinha ido embora, Alina correu para o seu portátil. Tinha que investigar mais a fundo. Se alguém a queria morta, tinha que haver uma razão.
"Eles conhecem-me como Alina?" murmurou ela, com os olhos fixos no ecrã. "Isso significa que Aileen também está ligada a eles."
Passaram horas antes que ela finalmente encontrasse a pasta que procurava—bloqueada com encriptação complexa. Quando finalmente conseguiu abri-la, dezenas de documentos encheram o ecrã.
"Consegui!" respirou ela, com os olhos brilhando. "Isto é o que Aileen sabia."
Enquanto lia os relatórios com atenção, a verdade tornou-se mais clara—Aileen Monroe não morreu num acidente. Ela foi assassinada depois de descobrir algo perigoso. E pior…
A organização por trás disso estava diretamente ligada a Marco.
"Como eu suspeitava. Eles sabiam tanto da Aileen como da Alina", murmurou ela, com a raiva a crescer.
Isto não era apenas sobre expor uma conspiração no hospital. Era sobre vingança. Marco tinha que pagar por tudo o que tinha feito.
Alina fechou lentamente o seu portátil, com os olhos a arder com uma fúria há muito suprimida. "Então, trair-me não foi suficiente para ti, Marco? Estavas envolvido nisto também?"
As suas mãos cerraram-se. Ela tinha que agir depressa. Se soubessem que ela estava a investigar, a sua vida estaria em perigo mais uma vez. E desta vez, ela não ia deixar-se morrer.
No dia seguinte, Alina voltou ao hospital, a tentar agir normalmente. Mas desta vez, cada conversa e interação tornou-se uma oportunidade para recolher mais informação.
Começou a observar Dr. Samuel Wright, o cirurgião-chefe conhecido por lidar com transplantes de órgãos. Ele pode não ter percebido que estava a ser observado, mas Alina conseguia sentir—ele estava a esconder algo.
Então, surgiu a oportunidade perfeita. Alina seguiu Dr. Wright para a sala de arquivos. Quando ele teve a certeza de que mais ninguém estava por perto, começou a pesquisar nas gavetas.
"À procura de alguma coisa?" A voz de Alina era suave, mas letal. "Dr. Wright."
O homem assustou-se, fechando apressadamente a gaveta e virando-se. O rosto dele ficou pálido. "Dr. Monroe, assustou-me."
Alina aproximou-se, com o olhar calmo, mas penetrante. "Parece que estás à procura de algo importante."
Wright engoliu em seco, parecendo desconfortável. "Eu estava apenas… a verificar alguns arquivos antigos."
"Arquivos antigos?" Alina inclinou ligeiramente a cabeça. "Ou talvez algo relacionado com pacientes que perderam os rins sem consentimento?"
A sua expressão mudou instantaneamente. Os seus olhos arregalaram-se, suor formou-se na sua testa.
"O que sabes?" sussurrou ele.
Alina sorriu, sabendo que tinha a vantagem.
"Sei o suficiente para fazer as pessoas envolvidas ficarem com muito medo", disse ela suavemente. "E sei que tu não és o número um desta corrente. Então, porque não conversamos… calmamente?"
Wright olhou para ela por um longo momento antes de finalmente expirar pesadamente.
"Tudo bem", concedeu ele. "Mas não aqui. Se eles descobrirem que estou a falar contigo…"
"Não te preocupes." Alina sorriu misteriosamente. "Eu tenho maneiras de nos manter em segurança."
Porque, mesmo que ela já não fosse Alina Devereaux no papel, a alma de uma máfia nunca morre realmente.
"Vamos encontrar-nos amanhã à noite, doutor", disse ela, colocando um pequeno pedaço de papel no bolso do casaco dele. "Num lugar seguro."
Aproximando-se a reunião daquela noite, um sentimento desconfortável invadiu Alina.
"Porque sinto que algo de ruim vai acontecer?" murmurou para si mesma. "Ah, talvez eu esteja a ser paranóica."
Mas ela não estava. Enquanto caminhava pelo corredor, ouviu duas enfermeiras a conversar.
"Ouviste? Um médico foi encontrado inconsciente no estacionamento ontem à noite."
"Sim, disseram que foi uma espécie de ataque repentino… tão estranho."
O sangue de Alina gelou—eles já estavam a agir. Isso significava que o tempo estava a acabar. Se ela queria sobreviver e vingar-se, tinha que agir primeiro. E desta vez, ela não ia fazer isso sozinha.
Ela sabia que o relógio estava a tocar. Eles estavam cientes de que "Alina" não estava quieta. Se eles tivessem a ousadia de atacar Dr. Wright, ela poderia muito bem ser o próximo alvo deles.
"Mas eu não sou o tipo de mulher que se entrega facilmente."
Naquela noite, Alina vestiu-se toda de preto, mascarou-se e saiu furtivamente do hospital. Com toda a informação que tinha recolhido, só faltava uma coisa a garantir—um aliado poderoso.
"Preciso encontrá-lo."