Capítulo 40: O Verdadeiro Inimigo
Antes da Alina conseguir se mexer, uma confusão explodiu do lado de fora do hospital. Dúzias de repórteres se amontoaram na entrada principal, cercando a figura que estava no holofote o Dr. Richard.
O homem parecia entusiasmado, respondendo a todas as perguntas com uma expressão de confiança. No entanto, cada palavra que saía de sua boca só fazia o sangue do Raka ferver.
De trás da janela do hospital, a Alina conseguia ouvir claramente como o homem estava falando sobre ela.
"Então, eles são os culpados?" ela murmurou baixinho. "Não é à toa que o Dr. Richard está tão ansioso para esclarecer a notícia."
Mas o que mais chocou o Raka foi a reação da Alina. Nenhuma raiva, nenhuma negação – apenas silêncio.
"Dra. Aileen! O que você está fazendo?!" Raka olhou para ela. "Tudo o que o Dr. Richard disse sobre você é mentira! Por que você está apenas parada ali?! Por que você não está se defendendo?!
A Alina apenas deu um sorriso fraco, seu olhar calmo e firme. "Não adianta", ela sussurrou. "Ninguém acreditaria em mim agora."
Um repórter de repente notou a silhueta da Alina atrás do vidro do hospital. Seus olhos se arregalaram antes de sinalizar rapidamente para seus colegas. Em segundos, os repórteres mudaram sua atenção, abandonando o Dr. Richard, que estava pronto para dar sua declaração.
O homem congelou, sua expressão endurecendo ao perceber que as câmeras não estavam mais focadas nele. Ele não teve escolha a não ser engolir a pílula amarga quando cada jornalista agora cercava a figura que acabava de sair do hospital.
"Dra. Aileen! O vídeo sobre você é real?" um repórter imediatamente disparou uma pergunta afiada.
"Por que você fez a cirurgia em uma área aberta? O hospital não tem salas de operação dedicadas?"
Sob as câmeras piscando e os olhares de investigação, a Alina permaneceu calma. Com um leve sorriso, ela respondeu: "Como eu poderia usar as instalações do hospital quando minhas intenções foram bloqueadas pelos meus superiores?"
Por um momento, o silêncio caiu sobre a multidão. Os repórteres trocaram olhares, atordoados com a declaração da Alina. Mas antes que a tensão pudesse aumentar ainda mais, a voz do Dr. Richard ecoou, quebrando o silêncio.
"Ela está mentindo!" ele gritou, sua voz cheia de emoção. "Ela é uma médica imprudente! Ela não sabe a maneira correta de tratar os pacientes!"
No entanto, nem um único jornalista desviou sua atenção da Alina. Pelo contrário, seus olhares se tornaram mais aguçados, cavando mais fundo na verdade por trás das palavras da jovem médica.
"O que você quer dizer, Dra. Aileen?" um dos repórteres perguntou curiosamente. "Por que você não conseguiu usar as instalações do hospital quando trabalha lá?"
A Alina deu um pequeno sorriso significativo. Sem hesitar, ela direcionou a atenção de todos para a pessoa que deveria ser responsabilizada.
"Para mais detalhes", ela disse calmamente, "você pode perguntar diretamente ao Dr. Richard. Ele é um médico sênior e o queridinho do diretor do hospital."
Os repórteres imediatamente se voltaram para o Dr. Richard, bombardeando-o com perguntas implacáveis. O homem parecia perturbado, o suor começando a aparecer em sua testa.
Enquanto isso, a Alina se afastou com uma postura calma. Ela não precisava se defender – porque agora, a tempestade havia se voltado contra seu oponente.
No entanto, dentro do escritório do diretor, alguém a estava observando de perto. O olhar do homem de meia-idade era sombrio, cheio de fúria contida.
"Essa garota…" ele murmurou, cerrando os punhos na mesa. "Ela realmente ousa me desafiar."
Seu rosnado baixo ecoou na sala silenciosa. Sua respiração era pesada, como se estivesse lutando para conter a raiva que ameaçava explodir.
"Ela ainda tem a audácia de resistir", ele continuou, seus olhos afiados fixos no monitor transmitindo o incidente ao vivo do lado de fora do hospital. "Qual é a fraqueza dela?"
Ele estreitou os olhos, pensativo. A Alina não era uma médica comum – ela era uma oponente inteligente e formidável. Mas todo ser humano tem um ponto fraco. E o diretor jurou que encontraria o dela.
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No dia seguinte, a Alina entrou em um quarto de paciente VIP. O Axel, que acabara de recuperar a consciência, olhou para ela em choque.
"Chefa… você é médica?!" ele exclamou, ainda lutando para acreditar no que estava vendo.
A Alina deu um sorriso fraco e se aproximou da cama do hospital. "Não me chame assim", ela disse suavemente. "Apenas me chame de Aileen."
Do lado de fora, dois oficiais de polícia estavam de guarda, garantindo que nenhuma ameaça se aproximasse. Mas dentro da sala, só estavam os dois – tempo suficiente para a Alina falar livremente.
O Axel a estudou atentamente. "Então, você estava fingindo ser médica?" ele perguntou desconfiado.
A Alina não respondeu imediatamente. Para ela, explicar seria inútil – era algo que o Axel talvez nem aceitasse.
"Esqueça-me", ela interrompeu rapidamente. "Agora, me diga o que realmente aconteceu. Por que havia veneno em seu sistema?"
O Axel soltou uma respiração profunda e deu um sorriso amargo. "Então, você me salvou de novo, Chefa?" ele disse fracamente. "Obrigado… Tudo isso foi obra do Marco. Ele não queria que eu falasse, então ele mandou alguém para me matar."
A Alina congelou no lugar. Marco… Aquele homem realmente não tinha piedade – nem mesmo com seus subordinados leais.
Seu olhar ficou frio. "Se ele descobrir que você ainda está vivo, ele vai tentar te matar de novo", ela disse sério. "De agora em diante, você tem que ficar vigilante. Observe todos os membros da equipe do hospital que entram em seu quarto. Se algo suspeito acontecer…" A Alina apontou para o botão de emergência ao lado da cama. "Aperte isso imediatamente."
Depois de se encontrar com o Axel, a Alina caminhou em direção a outro quarto no final do corredor do hospital. Assim que entrou, ela se jogou em uma cadeira perto da cama do paciente. Do outro lado, uma mulher deu um sorriso fraco, observando seu estado.
"Você teve um dia difícil no hospital?" a Lana adivinhou, sua voz suave, mas cheia de preocupação.
A Alina soltou um suspiro profundo antes de responder. "Sim… algo assim."
Não querendo se aprofundar no assunto, ela rapidamente mudou o assunto. "Como você está se sentindo hoje?"
A Lana sorriu e começou a falar. "O Dr. Adam acabou de me ver. Ele disse que posso ter alta na semana que vem."
A Alina assentiu, aliviada em ouvir as boas notícias. No entanto, quando ela notou a expressão da Lana de repente diminuir, ela imediatamente entendeu.
"Então, por que você parece triste?" ela perguntou gentilmente.
A Lana abaixou o olhar antes de responder: "Tenho que descansar um bom tempo antes de poder voltar a trabalhar com você."
Por um momento, o silêncio preencheu a sala. A Alina olhou para sua amiga com emoções mistas. Ela sabia o quanto a Lana amava seu trabalho – e o quão difícil seria para ela apenas ficar parada, sem fazer nada.
Com um pequeno sorriso, a Alina alcançou a mão da Lana e a segurou firmemente. "Não se preocupe. Estarei esperando você voltar."
A Lana olhou para ela e sorriu. "Prometa que você não vai se meter em problemas sem mim", ela provocou, tentando alegrar o clima.
A Alina riu baixinho. Se ao menos a Lana soubesse – a verdadeira tempestade acabava de começar. Mas ela esperava que sua amiga nunca descobrisse. Aquela notícia só pioraria sua condição, e a Alina não podia deixar que isso acontecesse.
Elas conversaram por um tempo, discutindo coisas leves como se o mundo do lado de fora não estivesse cheio de perigo. Mas o tempo passou e, eventualmente, a Alina teve que voltar ao trabalho. Ela se levantou, pronta para sair, mas antes que pudesse se afastar, a Lana de repente falou.
"Aileen…" sua voz era suave, mas havia algo em seu tom que fez a Alina parar.
A Alina se virou, encontrando o olhar da mulher deitada na cama do hospital.
"Obrigada", a Lana continuou, um pequeno sorriso nos lábios. "Eu sei que você não é a Aileen de verdade… mas obrigado por ainda se importar comigo."