Capítulo 42: O Segredo Dentro do Cofre
O grito dela ecoou no meio da noite. A chuva caiu de repente, encharcando as ruas ainda cheias de fumaça rodopiante. Mas a água fria da chuva não conseguiu apagar o fogo ardendo em seu coração.
No dia seguinte, depois do funeral de Axel, Alina ficou em frente ao túmulo dele, com o solo vermelho ainda fresco. O nome dele estava claramente gravado na lápide, mas para Alina, esse não era o fim. Este era apenas o começo.
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Ao se virar, um oficial que a havia ajudado no dia anterior se aproximou.
"Doutora, sobre o acidente de ontem…" O homem hesitou, mas continuou: "Investigamos a causa. O motorista do caminhão disse que os freios falharam de repente, embora ele os tivesse verificado antes de partir."
Alina olhou para ele em silêncio.
"Após uma inspeção mais detalhada, houve de fato uma falha nos freios. Mas isso é estranho, Doutora. É como se alguém os tivesse adulterado deliberadamente."
Alina deu um sorriso fraco – não de surpresa, mas de certeza. Marco. Ele era a única pessoa cruel o suficiente para encenar um assassinato como um acidente. Isso não foi coincidência. Isso foi planejado.
O oficial esperou por sua reação, mas Alina apenas assentiu. "Obrigada por me contar."
Sem mais palavras, ela se afastou. Havia algo mais importante agora. A caixa secreta.
Axel arriscou sua vida para falar sobre isso com ela. E se algo tão valioso precisasse ser escondido, então seu conteúdo poderia mudar tudo. Uma coisa era certa – Marco não podia encontrá-la primeiro.
Alina deu partida no carro e deixou o cemitério com um destino claro em mente. A casa de Axel.
As ruas ainda estavam vazias, a cidade ainda não estava sobrecarregada com o trânsito da manhã. Seu carro acelerou, o ar frio entrando pela janela rachada. Seu coração disparou. Ela não tinha muito tempo.
Ao chegar à casa, ela imediatamente sentiu que algo estava errado. A porta da frente estava aberta.
Seu olhar se endureceu. Isso não era um bom sinal. Movendo-se com cautela, ela entrou. Assim como ela suspeitava – os homens de Marco já haviam chegado. Eles estavam revirando todos os cantos, claramente procurando algo. Mas por suas expressões frustradas, Alina sabia que eles não tinham encontrado. A caixa ainda estava segura.
Assim que eles saíram, ela se moveu rapidamente. Ela precisava encontrar a caixa antes que fosse tarde demais. Ela se lembrou do passado. Essa casa já havia sido seu santuário. Axel mencionou um cômodo escondido.
Seus olhos percorreram a sala. Sem sinal dela. Espere. Havia um lugar que ela nunca havia verificado antes – o quarto de Axel. Sem hesitar, ela correu para cima. Do lado de fora, a comoção aumentou. Ela espiou pela janela – os homens de Marco estavam começando a derramar gasolina ao redor da casa.
"Eles vão queimar este lugar. Droga!"
Ela apressou sua busca. Dentro do quarto de Axel, ela passou as mãos pelas paredes, pelo chão, até mesmo pelo armário. Nada.
Fumaça entrou pelas rachaduras da porta.
"Estou ficando sem tempo."
Seus dedos tocaram na estrutura da cama.
CLICK!
Em um instante, a cama estremeceu e desabou para baixo.
"AAKH!"
Alina não teve tempo de segurar. Ela mergulhou na abertura repentina, sem peso por um momento antes de bater em algo duro.
BAQUE!
Antes que ela pudesse reagir, a portinhola se fechou, trancando-a na escuridão. Ela estremeceu, se adaptando ao ambiente totalmente preto. O ar estava úmido, frio e ligeiramente empoeirado.
"Onde… estou?"
Suas mãos exploraram o chão de pedra áspera. Então ela tocou em algo – metal.
Seu coração disparou. "A caixa!"
Ela estendeu a mão para a tampa, mas algo a interrompeu.
CLICK.
Um som minúsculo, mal audível, mas o suficiente para fazê-la prender a respiração.
"Uma armadilha!"
Ela rapidamente puxou a mão para trás, sua mente disparando. Axel não teria deixado a caixa desprotegida. Um movimento em falso, e este lugar poderia se transformar em uma armadilha mortal.
Ela enfiou a mão no bolso do casaco, tirando uma pequena faca dobrável. Cuidadosamente, ela deslizou a lâmina pelas bordas da caixa, procurando um mecanismo oculto.
Acima, uma explosão soou, fogo consumindo a casa.
"Eu tenho que me apressar!"
Seus dedos finalmente encontraram algo – uma pequena fenda na lateral da caixa. Usando habilidades aprimoradas ao longo dos anos como chefe da máfia, ela inseriu a faca e pressionou.
CLICK!
A caixa destrancou. Dentro havia um pequeno estojo preto com entalhes dourados intrincados.
"Aqui está."
Mas antes que ela pudesse pegá-lo, algo chamou sua atenção. Passos. Não de cima, mas de dentro do mesmo cômodo.
"Mais alguém está aqui."
Ela precisava se mover rápido. Os homens de Marco estavam chegando. A fumaça engrossou, sufocando a câmara subterrânea. Sua respiração veio em soluços. Ela precisava de uma saída. Suas mãos percorreram as paredes, procurando.
"Axel deve ter planejado uma rota de fuga", ela murmurou, tossindo. "Se houver uma entrada escondida, deve haver outra saída."
Seus dedos encontraram algo – fluxo de ar. No final do corredor, uma fenda estreita. Ela rastejou em direção a ela o mais rápido que pôde, seu corpo queimando com o calor crescente. Com esforço, ela empurrou contra um painel de madeira acima dela.
CRACK!
Ar fresco atingiu seu rosto quando ela emergiu pelos arbustos do lado de fora. De pé, ela viu a casa de Axel totalmente engolida pelas chamas. Os homens de Marco ainda estavam por perto, garantindo que nada sobrevivesse à explosão. Alina cerrou a mandíbula. Não havia tempo para lutar.
Segurando a pequena caixa com força, ela se virou e desapareceu nas sombras da cidade.
"Isso não acabou."
Axel pode ter ido embora, mas a verdade que ele deixou para trás ainda estava viva. E agora, cabia a Alina terminar o que ele começou. Marco… aquele homem tinha que pagar. Com a vida dele.
De volta ao hospital, Alina correu para seu escritório. Suas mãos tremiam um pouco quando ela abriu o pequeno estojo preto. Dentro – um pen drive. Sua respiração falhou. Era por isso que Axel havia morrido? Sem hesitar, ela o conectou ao seu laptop. Uma solicitação de senha apareceu.
Claro. Axel nunca foi descuidado. Ele não deixaria algo tão importante cair em mãos erradas. Seus dedos digitaram algumas senhas possíveis. O nome completo de Axel. Sua data de nascimento. Códigos antigos que eles usavam no passado.
Errado. Errado. Errado.
Ela expirou bruscamente, a frustração aumentando. O tempo estava acabando. Marco logo perceberia que ela havia escapado, e seus homens provavelmente já estavam a caçando.
Seus olhos se fixaram no pen drive, pensando como Axel. Se ele estivesse escondendo algo crucial, o que ele usaria como chave?
"Algo pessoal… Algo que só eu saberia…"
Uma memória surgiu – uma conversa antiga em seu esconderijo.
"Se algo acontecer comigo, lembre-se de uma coisa, Chefe. A resposta está sempre onde tudo começou."