Capítulo 92: Uma Surpresa Inesperada
Alina, ainda a tirar as luvas cirúrgicas, virou-se rapidamente. A cara dela estava suada, exausta, mas a chama nos olhos dela não tinha apagado.
"Leo, não precisa," ela disse suavemente, mas Leo ignorou-a.
"Já me calei tempo demais," ele disse, com a mandíbula cerrada. "Deixaram-na sozinha para lidar com um paciente crítico. Isso não é só antiético, é uma ameaça à vida."
Os passos dele ecoaram no chão do hospital, fazendo com que vários médicos e enfermeiras na sala de pessoal se calassem ao vê-lo entrar.
"A partir de hoje, qualquer um que negligenciar deliberadamente o seu dever por inveja ou rancor será expulso deste hospital." Leo olhou para cada cara pálida na sala diretamente nos olhos.
"Um hospital não é um lugar para drama e jogos sujos. É um lugar para salvar vidas. E se algum de vocês esquecer isso, não merece estar aqui."
Um dos médicos seniores tentou falar, mas Leo imediatamente o interrompeu. "Não preciso de explicações. Preciso de integridade."
Tensão encheu o ar. Ninguém ousou falar. Eles só podiam baixar a cabeça.
Leo voltou-se para Alina. Desta vez, os passos dele foram mais calmos. A cara dele permaneceu fria, mas algo diferente tremeluziu nos olhos dele, preocupação.
"Eles deviam saber que nunca precisou de ligações para ganhar reconhecimento. Nasceu para estar no topo."
Alina olhou para ele em silêncio. Um calor calmo começou a espalhar-se por baixo da exaustão e da raiva dela.
"Não precisava de intervir. Eu consigo lidar com isso."
A voz dela estava firme, apesar de ter acabado de suportar a pressão de uma cirurgia desgastante. Ela não estava a fazer uma cara de valente. Ela estava a fazer uma declaração. Ela não era uma mulher que precisasse de ser salva.
Leo não disse nada, com a mandíbula ainda tensa. Mas ele sabia que desafiar a determinação de Alina só faria com que as chamas aumentassem. Então, desta vez, ele escolheu o silêncio e respeitou a força dela.
Pouco tempo depois, a atmosfera no hospital mudou. Os corredores ficaram mais silenciosos, o ar mais pesado e os olhares da equipa tornaram-se inquietos. Alguns recuaram atrás das secretárias, outros fingiram estar ocupados. O som de sapatos de couro polidos ecoou pelo chão brilhante.
A família do paciente tinha chegado. Não são visitas típicas.
Eles chegaram vestidos com luxo, ladeados por guardas pessoais, exalando poder real. Porque o homem que Alina tinha acabado de tratar não era comum. Ele era um império empresarial vivo, o principal conglomerado do país de Bungalow, um nome que poderia abalar o mercado de ações com uma única declaração. Eles pararam na secretária de informações.
'Quem foi o médico que cuidou do Sr. Raja Mahesa?" um deles perguntou, com a voz grave e calma, mas pesada o suficiente para fazer a respiração de todos falhar.
Ninguém respondeu. A equipa permaneceu em silêncio, com os olhos baixos, olhando uns para os outros sem uma palavra. Não porque não soubessem, mas porque estavam com medo. Medo de um nome: Aileen Monroe.
Não por causa de rumores. Não por causa da beleza dela ou da ligação dela ao Leo. Mas porque eles tinham acabado de perceber uma coisa crucial: esta mulher tinha tocado na linha de vida de um dos homens mais poderosos do país e tinha-o salvo sozinha.
Então, Alina saiu da sala de emergência. Lenta, mas firme. A postura dela era ereta, os passos dela confiantes. Os olhos da família de Raja Mahesa voltaram-se todos para ela.
E pela primeira vez na vida deles, aquelas pessoas olharam para uma jovem médica não com dúvida, mas com profundo respeito.
Um homem da comitiva, ombros largos e vestido com um elegante fato preto, avançou com olhos penetrantes. Apesar da postura formal dele, ele irradiava autoridade.
Ele parou diretamente em frente a Alina. Os olhos dele caíram sobre a etiqueta de identificação no jaleco branco dela.
"Doutora Aileen… Foi você que ajudou o Sr. Mahesa?"
Alina sorriu calmamente, como se o que ela tinha acabado de fazer fosse rotineiro. 'Claro. É o meu dever como médica."
As palavras dela eram simples, mas a compostura dela era tão firme que silenciou a sala inteira.
Sem hesitar, o homem estendeu a mão e apertou a mão dela com firmeza, um gesto raro de respeito, especialmente de alguém da estatura da família Mahesa.
'Obrigado. Se não fosse por você, podíamos tê-lo perdido."
Momentos depois, um deles entregou um grosso envelope preto. O conteúdo dele claramente não era apenas dinheiro, era um sinal substancial de gratidão.
Mas Alina não o pegou. Ela simplesmente olhou para o envelope, depois virou-se com um sorriso calmo.
'Doe para um orfanato ou para um hospital rural. Eles precisam mais do que eu."
Mais uma vez, a sala ficou em silêncio. Ninguém esperava isso. A jovem médica que tinha sido ridicularizada e ostracizada horas antes agora estava perante a elite, rejeitando uma fortuna com a cabeça erguida.
O homem de ombros largos olhou para ela por um longo momento, depois assentiu lentamente, não apenas por respeito, mas por admiração.
Ele olhou para Alina com olhos que tinham suavizado, mas ainda mantinham autoridade. Ele guardou o envelope no casaco e meteu a mão noutro bolso interior. Desta vez, ele tirou um cartão de visita preto sólido, com o relevo dourado a brilhar sob a luz. Ele ofereceu-o a Alina.
'Este é o cartão pessoal do Sr. Mahesa. Nem todos têm um," ele disse em voz baixa, quase como um segredo.
'Se alguma vez precisar de ajuda de alguma forma, ligue para nós."
Alina olhou para o cartão. O nome era simples, apenas Raja Mahesa, sem título, mas qualquer pessoa que o lesse entendia o significado: poder, influência e a força para mover uma nação.
Ela aceitou-o, mas guardou-o silenciosamente no bolso do casaco. 'Obrigada. Mas espero nunca ter que usá-lo."
O homem deu-lhe um sorriso fraco, como se entendesse. 'Esperamos o mesmo, Doutora Aileen. Mas a vida nunca é previsível, é?"
e com isso, eles foram-se embora. Caminhando pelo corredor do hospital com uma presença silenciosa, mas deixando uma pegada gigante para trás. O nome Alina era agora não só conhecido como uma médica talentosa, mas como alguém confiado por uma das famílias mais poderosas da nação.
A notícia espalhou-se mais rápido do que qualquer um poderia imaginar. Em poucas horas, o nome Aileen Monroe estava na boca de todos, não apenas no hospital, mas em redes internas, fóruns médicos e até canais de notícias nacionais.
'Jovem médica salva o magnata Raja Mahesa sozinha!'
'Médica com coração nobre rejeita recompensa de mil milhões de rúpias!'
E, de repente, tudo mudou. Os colegas que uma vez a ridicularizaram, dispensaram-na, até a abandonaram durante casos críticos, agora usavam caras diferentes.
Eles vieram oferecer café, ajuda, mostrando sorrisos calorosos cada vez que passavam por ela no corredor.
'Doutora Aileen, precisa de alguma ajuda?'