Capítulo 21 Pressão
Umas horas depois da reunião na sala de controlo, Leo e Damien estavam a verificar duas vezes o sistema de defesa do bunker. A atmosfera estava bastante calma, até que de repente, os alarmes tocaram e um sinal de aviso piscou no ecrã principal.
"Há atividade na periferia exterior! Cinco veículos não identificados, a moverem-se rápido!" gritou um dos operadores.
Damien aproximou-se. "Aproximar. Verificar a identificação!"
A câmara de um drone destacou uma coluna de veículos blindados, marcados com um símbolo que Damien reconheceu imediatamente.
"Isso é... Marco. Eles encontraram-nos", murmurou Damien, com a mandíbula tensa.
Leo olhou para Damien, depois para Alina, que estava ansiosamente atrás deles. "Temos que acelerar o plano. Não há mais tempo."
Damien sinalizou para a sua equipa. "Ativar as armas. Selar todos os pontos de entrada. A guerra pode eclodir a qualquer momento."
Antes que pudessem preparar-se mais, vários sistemas no painel de controlo desligaram-se repentinamente um a um.
"Sem energia no setor oeste!" gritou um dos técnicos.
Damien estudou o ecrã. "Há uma anomalia... esta não é uma falha normal."
Pois bem, o ecrã principal piscou, depois ficou completamente escuro. Segundos depois, as luzes de emergência piscaram fracamente.
Damien bateu na mesa. "Eles invadiram o nosso sistema. Droga, isto não é apenas um ataque físico. Marco trouxe um especialista em tecnologia."
Alina correu em pânico. "UCI! Lana pode estar em perigo!"
Damien deu ordens rápidas. "Leo, vai com ela! Passar para energia manual, a sala de apoio está no lado oeste!"
Leo assentiu firmemente. "Aileen, vamos!"
Eles apressaram-se. Leo liderou o caminho, familiarizado com os sistemas médicos de emergência do bunker, enquanto Alina se concentrava em estabilizar o equipamento da UCI.
"Se a energia não voltar em cinco minutos, o ventilador pode desligar-se completamente", murmurou Leo enquanto ligava rapidamente a fonte manual.
"Concentre-se, Leo. Eu trato da Lana. Garanta que a energia de reserva aguenta", respondeu Alina bruscamente, com os olhos fixos no monitor cardíaco da paciente.
De volta à sala de controlo, Damien liderou a sua equipa a tentar cortar o hacker de Marco, correndo contra o tempo, enquanto o som distante da primeira explosão ecoava fracamente. A vibração atingiu o piso subterrâneo.
BOOM!
Pó caiu como cinza. Alina prendeu a respiração, sentindo o cheiro de cabos a queimar. O pânico começou a espalhar-se pela ala do hospital. A equipa médica de Damien trabalhou para acalmar os outros pacientes enquanto as sirenes de aviso tocavam. Damien ativou o sistema de altifalantes interno.
"Todos para os postos de combate. Estamos sob ataque!"
E assim que a respiração de Lana finalmente se estabilizou graças aos esforços de Leo e Alina, uma segunda explosão abalou o bunker. A explosão desencadeou trauma entre os pacientes.
Leo olhou para Alina antes de sair. "Se as coisas piorarem, terei que subir para ajudar os feridos."
Alina assentiu. "Vá. Eu trato das coisas aqui."
Leo hesitou por um momento, depois fez um pequeno aceno. "Nesse caso... leva isto."
Ele entregou-lhe uma pistola pequena e fria. "Vou verificar o Damien e a sua equipa", sussurrou.
Alina deu um sorriso irónico. Armas não eram novidade para ela, embora o seu corpo ainda não estivesse totalmente habituado a elas.
"Precisa disto mais do que eu", disse ela, entregando a pistola de volta a Leo.
Enquanto isso, acima deles, as forças de Marco já tinham sido implantadas. Aquela noite, o bunker secreto que antes era tranquilo transformou-se num campo de batalha brutal.
O bunker tornou-se cada vez mais caótico. Explosões abalaram os pisos repetidamente, mas dentro da UCI, havia apenas silêncio... um silêncio perturbador. Alina estava ao lado da cama de Lana, com os olhos aguçados, a analisar cada detalhe.
Raka, que tinha estado incomumente calmo, ocupou-se a preparar uma injeção. "Estou a dar à Lana alguma medicação extra para a estabilizar", disse ele friamente.
Mas no momento em que levantou a seringa, Alina soube que algo estava errado. O líquido lá dentro não era um medicamento típico. Tinha um tom ligeiramente amarelado... um veneno.
Sem hesitar, a mão de Alina disparou. Ela afastou a mão de Raka antes que a agulha pudesse chegar à linha intravenosa.
CLATTER!
A seringa atingiu o chão.
Raka recuou, assustado, mas Alina já estava firmemente entre ele e Lana. O seu olhar tornou-se gelado – o tipo de olhar que outrora fazia os seus inimigos no submundo tremerem.
"Devia ter suspeitado de si desde o início... não é um médico comum", sibilou Alina enquanto retirava uma pequena faca dobrável do seu sapato, o metal a brilhar sob as luzes de emergência.
Raka sorriu, mas os seus olhos estavam inquietos. Os seus dedos agarraram o frasco com muita força. "O que está a fazer, Dra. Aileen? Eu estava apenas a dar medicação."
Alina estreitou os olhos, cheia de fúria. "Tem a certeza de que isso era medicação para curar a paciente?" perguntou friamente. "Ou foi para matá-la?"
Raka ficou nervoso. Num movimento rápido, ele puxou uma pistola debaixo do seu jaleco branco. Mas Alina foi mais rápida.
Ela avançou, os seus movimentos suaves e letais, como um predador a atacar a sua presa. Uma forte pontapada enviou a arma de Raka a bater no chão.
Sem lhe dar tempo para se recuperar, Alina bateu no pulso dele, forçando-o a ajoelhar-se, e pressionou a faca contra a garganta dele.
"Acha que eu sou estúpida?" sussurrou ela bruscamente. "Eu sabia desde o início que era um traidor!"
Raka tentou resistir, mas Alina foi mais rápida. Ela torceu o braço dele nas costas e segurou a faca firmemente contra o pescoço dele.
"Há quanto tempo trabalha para o Marco?" sussurrou Alina fria como gelo no ouvido dele.
Raka permaneceu em silêncio, respirando pesadamente, suor frio a escorrer.
Através do intercomunicador, a voz de Leo crepitou. "Aileen, a situação está segura?"
Alina pressionou o botão sem soltar Raka. "Segura. Mas enviem a segurança para recolher este lixo."
Minutos depois, as forças de Damien chegaram, algemas prontas.
Alina atirou Raka para o chão como lixo descartado. "Vigiem-no. Não o deixem morrer antes de eu acabar de fazer perguntas."
Leo apareceu na porta, olhando brevemente para Raka, que estava a gemer no chão. Alina falou secamente com Leo enquanto limpava a faca. Raka foi levado sob fortes restrições.
"Eles estão a visar a vida da Lana, Doc."
Então Alina voltou para o lado de Lana, garantindo que o ventilador funcionasse sem problemas, com os olhos atentos como uma tigresa a guardar a sua toca dos caçadores.
Enquanto isso, Leo pegou na seringa do chão, inspecionando-a cuidadosamente. Ele cheirou-a ligeiramente. "Neurotoxina de alta dose?" disse ele em choque. "Para o cérebro?"
Leo olhou para Alina no meio do caos. "Agora sabemos... o inimigo está dentro."
Alina só conseguiu acenar lentamente, com o coração ainda a bater forte.
"Então... quem mais está à espera para nos apunhalar pelas costas?"
Leo exalou pesadamente. "Vamos descobrir quem é o traidor."
Em outro lugar, um homem caminhava ansiosamente. Os seus dedos batucavam no ecrã do telemóvel, tentando repetidamente contactar alguém.
"Droga!" amaldiçoou ele, com a mandíbula cerrada. "Onde é que ele está? Como ousa não me atender!"
O seu olhar penetrou no tom de discagem silencioso. Furioso, ele pontapeou a cadeira à sua frente, enviando-a para o chão.
"Se me está a trair... acabou."
Momentos depois, a chamada finalmente conectou. Sem verificar quem atendeu, ele falou rápida e vigorosamente.
"Como está a sua tarefa? Está tudo a correr conforme o planeado?"
Silêncio. Sem resposta.
O homem rangeu os dentes, com o rosto a ficar mais quente. "Ei! Responda-me!" rosnou ele.
Ainda nada.
Os seus olhos estreitaram-se bruscamente antes de exalar lentamente, baixando a voz para um tom gelado e ameaçador.
"Ouça com atenção... não brinque comigo. Lembre-se, a vida da sua mãe está nas minhas mãos!"