Capítulo 87: Ciúmes
Tudo ficou complicado. Mais complicado do que ele tinha imaginado.
**Leo** achou que podia resolver com distância, com a escolha 'certa'. Mas sentimentos nunca foram tão simples. E **Alina**, o olhar dela de antes ainda gravado na mente dele, afiado, magoado, mas tentando se manter forte.
E agora, ele não tinha certeza se ainda tinha chance de consertar tudo.
O dia da festa finalmente chegou. O salão do hospital tinha sido transformado num lugar de luxo. Lustres de cristal refletiam uma luz suave, risadas leves se misturavam com o tilintar de taças e o fluxo lento da música clássica.
**Leo** se ocupava recebendo os convidados, sorrindo, soltando aquelas conversinhas que ele dominava há tempos. Ao lado dele, **Lucy** estava como sempre esperada dela, graciosa, simpática e deslumbrante aos olhos do público.
"Vocês dois formam um casal perfeito", disse um convidado com um sorriso largo. "Mal podemos esperar para ir ao seu casamento!"
"Obrigada", respondeu **Lucy** rapidamente, e depois se virou para **Leo** com uma risada suave. "Desejem-nos sorte... e esperem que **Leo** não mude de ideia", ela brincou, cutucando o braço dele de brincadeira.
**Leo** só sorriu. Sem risada. Sem resposta. E naquele momento, as portas do salão se abriram e o tempo pareceu desacelerar.
Uma mulher entrou, vestida com um vestido preto simples, mas elegante, que chamou a atenção de todos. Seu cabelo fluía suavemente e seu olhar, tão calmo, mas contendo uma tempestade invisível. **Alina**.
Todos os olhos se voltaram. As conversas pararam brevemente. Até os músicos erraram uma nota em seu espanto.
"Uau", sussurrou **Lucy** em descrença. "A **Alina** está deslumbrante hoje à noite. Você tem certeza... que não quer cumprimentá-la?"
**Leo** não respondeu. Seu olhar estava fixo nela. A figura que ainda conseguia apertar seu peito, mesmo depois de toda a distância entre eles.
Ele queria se mover. Mas seus pés se recusaram. Tudo o que ele podia fazer era ficar ali na multidão, admirando-a de longe.
**Leo** nem tinha recuperado o fôlego do momento de admiração quando seus olhos encontraram um homem caminhando confiantemente em direção a **Alina**.
"Oi, Doutora **Aileen**", o homem cumprimentou com um sorriso caloroso que não podia ser confundido. "Quanto tempo. Você está mais linda do que nunca."
**Alina** se virou e sua expressão mudou instantaneamente de fria para um sorriso sincero que tinha sido raro ultimamente.
"**Damien**?!" Sua voz era genuína, como de alguém que acabara de encontrar a luz depois de muito tempo na escuridão. "Você está aqui?"
"Claro", respondeu **Damien**, olhando deliberadamente para **Leo**. "Meu melhor amigo me convidou. Disse que queria me agradecer, mas parece que está muito ocupado com sua noiva e todos os convidados."
Seu tom era casual, mas afiado. Uma provocação sutil jogada como uma faca envolta em um sorriso. Mas **Alina** não mordeu a isca. Seus olhos permaneceram claros, embora seu coração vacilasse ligeiramente com a presença de **Damien**.
**Leo** não é mais meu, ela pensou silenciosamente. E eu tenho que continuar andando para a frente.
Ela sorriu para **Damien**, então pegou levemente em seu braço, como para solidificar seus passos longe do passado. Mesmo que lá no fundo, o nome dele ainda ecoasse, **Leo**.
Do outro lado da sala, **Leo** apertou seu copo com mais força. Ninguém sabia que por trás de seu sorriso calmo, seu coração acabava de se estilhaçar pela segunda vez.
O evento principal começou. Luzes fracas iluminavam o grande palco, e o MC estava no centro, levantando o microfone com entusiasmo.
"E agora, o momento que todos esperávamos. O prêmio de Médico do Ano será apresentado pelo Diretor do Hospital, Dr. **Leonard Moreav**."
Aplausos irromperam. **Leo** subiu ao palco. Seu rosto calmo, seu sorriso profissional, mas seu batimento cardíaco mais alto do que a música na sala.
De seu assento, **Alina** o encarou sem piscar. Não por saudade. Mas porque aquele era o momento em que todas as feridas e o tempo pareciam se juntar em um ponto brilhante.
**Leo** ficou atrás do pódio e depois abriu a pasta do prêmio. "A homenageada com o prêmio de Médico do Ano deste ano é a Dra. **Aileen Monroe**."
Aplausos altos encheram a sala. Todos os olhos se voltaram para **Alina**. Ela se levantou de seu assento, seu vestido de noite refletindo as luzes lindamente, seu sorriso doce, mas composto. Ela caminhou graciosamente para o palco, em pé ao lado de **Leo**.
**Leo** entregou a ela o certificado. Seus olhos se encontraram. Breve. Silencioso. Mas cheio de significado que só eles poderiam entender.
**Alina** pegou o microfone. "Obrigada por este prêmio", disse ela, sua voz clara e firme. "Mas por trás desta conquista, há alguém que não deve ser esquecido. Alguém que esteve ao meu lado quando vidas estavam em jogo."
Ela se virou, sorrindo para **Damien**, em pé no meio da multidão.
"Obrigada, **Damien**. Por sua causa, todos os nossos pacientes conseguiram. Você me deu um lugar quando não havia mais lugar para estar seguro. Este prêmio é para nós."
**Leo** estava ao lado dela. Seu sorriso não mudou. Mas por dentro, seu peito afundou em um silêncio que ele não conseguia explicar. Ele sabia, ali ao lado dela agora, que **Alina** não era mais uma mulher que ele poderia reivindicar. Mas ele não podia aceitar a derrota ainda.
**Leo** a alcançou depois que o evento principal terminou. No corredor atrás do palco, longe do barulho da festa, ele finalmente reuniu a coragem para parar **Alina**.
"Então é assim que você vai se vingar de mim? Chegando perto do **Damien**?" ele perguntou, sua voz calma, mas seu olhar penetrante. "Você sabe que ele é meu melhor amigo."
**Alina** se virou lentamente, então sorriu. Mas não foi o sorriso suave que antes fez **Leo** se apaixonar. Era o sorriso de uma mulher que tinha suportado a dor e aprendido a se manter sozinha.
"Estou apenas dizendo obrigada", respondeu ela casualmente, sem se preocupar em olhar nos olhos dele. "Nada mais. Você deveria ser o que está ciente do seu lugar, **Leo**. Você já está noivo e ainda correndo atrás da sua ex?"
**Leo** ficou em silêncio por um momento. Mas seu ego se recusou a ceder. "**Damien** é um playboy, **Alina**. Ele não é alguém em quem você pode confiar."
**Alina** olhou diretamente nos olhos dele agora. Seu olhar frio, mas firme.
"Pelo menos ele é um ex-soldado de elite rico e corajoso." Ela se aproximou, sua voz mais baixa, mas afiada. "Ao contrário de você, que só ousa quando não há risco."
**Leo** cerrou a mandíbula. Suas palavras atingiram seu orgulho com força. Mas ele sabia, não era só raiva, era dor. Dor que ele mesmo causou.
"Eu escolhi a **Lucy** por causa da situação, da pressão", ele finalmente murmurou em voz baixa. "Mas isso não significa que eu não—"
"É tarde demais, **Leo**", **Alina** o interrompeu rapidamente. "Não complique mais as coisas. Você tem seu caminho. E eu, finalmente, tenho o meu."