Capítulo 136: Descobrindo a Verdade do Passado
Alina moveu-se pelo corredor com passos silenciosos como uma sombra, esgueirando-se entre os cantos escuros. Seus olhos travaram imediatamente em um quarto no final. Guardado com firmeza por dois homens fortemente armados. Uma porta de aço maciça permanecia firme, coberta por um sistema de segurança avançado.
"Esse deve ser o centro de comando do Mahesa", Alina sussurrou, seus olhos se estreitando. "Se for verdade... Posso encontrar as respostas que tenho procurado lá."
Ela rapidamente analisou a situação. Momentos depois, sua chance chegou. O próprio Mahesa saiu da sala, trocando algumas palavras com os guardas. Quando Mahesa foi na direção oposta, Alina entrou em ação. Ela jogou um pequeno dispositivo no final do corredor, criando um barulho alto. Os guardas se viraram, indo investigar o ruído.
Sem perder um segundo, Alina entrou na sala antes que a porta fechasse novamente. O ar lá dentro estava pesado, cheio do cheiro de metal e poeira velha.
Fileiras de monitores, mapas estratégicos, documentos antigos... espalhados por toda parte. Alina imediatamente começou a procurar, abrindo gavetas uma por uma, folheando pastas antigas, seus olhos percorrendo rapidamente cada detalhe. De repente, uma pasta pesada caiu de uma prateleira.
Paf!
Papéis espalhados pelo chão e, entre eles, uma foto antiga deslizou pelos azulejos. Alina se abaixou, pegando-a. No momento em que a viu, seu coração pareceu parar.
Na foto, havia Terry, a mãe do Raja, e Mahesa. Eles eram jovens, usando uniformes informais, sorrindo em frente a um emblema fraco e desconhecido. Aquele emblema. O mesmo gravado nas armas armazenadas no arsenal. As mãos de Alina tremiam. Sua mente lutou para rejeitar a conclusão horrível que se formava em sua cabeça.
Mahesa não era apenas familiar com o inimigo do passado. Ele poderia fazer parte deles. Ou pior, ele poderia ser a mente por trás da tragédia que destruiu sua família.
Na manhã seguinte, Raja bateu na porta de Alina. Seu rosto estava sério, mas havia uma ansiedade inquieta que ele não conseguia esconder.
"Alina", ele chamou suavemente. "Precisamos conversar."
Alina abriu a porta, ainda com suas roupas casuais, mas seu rosto estava endurecido. Ela deixou Raja entrar sem dizer uma palavra. Depois que a porta fechou, Raja se aproximou dela, sua voz baixa e urgente.
"Você saiu escondido ontem à noite. O que você encontrou?"
Alina evitou seu olhar. Ela caminhou pela sala, fingindo arrumar alguma coisa.
"Nada", ela disse friamente. "Apenas uma sala vazia. Nada importante."
Raja observou-a de perto. Ele sabia que ela estava mentindo. Havia tensão em seus ombros, uma inquietação em seus olhos que ela não conseguia esconder. Ele se aproximou, baixando a voz, deixando a doçura se infiltrar em seu tom.
"Você sabe que odeio que mintam para mim, Alina", ele sussurrou, aproximando-se.
Em um movimento suave, Raja puxou Alina para seus braços. Sem aviso, ele a beijou, com força e desespero, como se estivesse tentando romper as paredes que ela estava construindo.
Suas mãos percorreram suas costas, despertando velhas memórias de confiança, intimidade, pertencimento. Mas desta vez... Alina recusou. Com força surpreendente, ela empurrou Raja para longe. Seus olhos brilharam, sua respiração pesada.
"Não", ela disse bruscamente. "Agora não."
Raja congelou. Ele tentou alcançá-la novamente, mas ela já havia dado um passo para trás, uma parede de distância se formando entre eles. Alina se virou, pegou a maçaneta da porta e saiu sem olhar para trás.
"Alina!" Raja chamou, perseguindo-a pelo corredor. "Espere! O que está acontecendo?!"
Alina continuou andando, mais rápido agora, lutando contra a tempestade de emoções dentro dela. Não era apenas sobre Mahesa, não apenas a verdade que ela havia descoberto. Era sobre ela mesma, sobre velhas feridas se abrindo mais uma vez.
Raja correu atrás dela, recusando-se a deixá-la escapar novamente sem respostas. Seus passos apressados ecoaram, densos de tensão. O suficiente para chamar a atenção de Mahesa.
Ele apareceu, caminhando em direção a eles com passos medidos. Seu rosto fingindo confusão, suas sobrancelhas franzidas como se ele realmente não entendesse o que estava acontecendo.
"O que está acontecendo aqui?" ele perguntou com uma voz grave, olhando entre Raja e Alina.
Alina parou abruptamente. Raja, quase em cima dela, também parou. Por um momento, apenas suas respirações pesadas encheram o longo corredor. Alina olhou para Mahesa não com medo, nem respeito. Mas com ódio frio e penetrante.
Mahesa piscou, ligeiramente surpreso com o olhar. Algo havia mudado em Alina, algo selvagem e perigoso.
"Alina..." Raja tentou chamá-la suavemente, tentando acalmá-la.
Mas Alina o ignorou.
Mahesa se aproximou, sua atitude ainda calma. "O que aconteceu? Por que você está agindo assim?" ele perguntou novamente, seu tom se aguçando.
Raja se moveu ligeiramente, colocando-se instintivamente entre Mahesa e Alina, protetor sem sequer perceber. Mahesa notou o movimento, seus olhos se estreitando brevemente.
Enquanto isso, Alina cerrou os punhos com força. Ela queria gritar, derramar tudo o que havia descoberto na sala de comando. Mas ela sabia que uma palavra errada, um movimento errado e eles poderiam perder suas vidas. Com uma respiração pesada, Alina virou o rosto.
"Nada", ela disse friamente. "Apenas um pequeno mal-entendido."
Mahesa a estudou por mais tempo, procurando rachaduras na mentira. Finalmente, ele ofereceu um pequeno sorriso fino. Um que parecia frio.
"Bom", ele disse lentamente. "Espero que você resolva isso rapidamente. Aqui, todos devemos... falar com uma só voz."
Seu aviso pairou no ar. Sem esperar uma resposta, Mahesa se virou e se afastou, deixando Raja e Alina em um silêncio que cortava mais fundo do que qualquer lâmina. Raja rapidamente fechou a distância entre eles.
"Alina, me ouça", ele disse, sua voz rouca de preocupação.
Mas Alina apenas caminhou mais rápido, afastando-se sem olhar para trás. Ela havia tomado uma decisão, não envolveria Raja até que tudo estivesse claro. Até que ela soubesse quem Mahesa realmente era... e em quem ela poderia confiar.
"Alina!" Raja gritou novamente, desta vez a raiva se infiltrando em sua voz. "Não faça isso!"
Os passos de Alina aceleraram. O longo corredor parecia se fechar sobre eles, as paredes de metal ecoando com sua tensão. Mas Raja não era do tipo que desistia. Quanto mais Alina se afastava, mais rápido Raja perseguia.
Com a respiração pesada, sua determinação endurecendo... Em um movimento rápido, ele agarrou o braço de Alina, forçando-a a parar.
"O que você está escondendo de mim?!" ele exigiu, seus olhos ardendo.
Alina se virou lentamente. Seu rosto era uma tempestade de emoções, raiva, medo e traição.
"Se eu te dissesse... que tudo em que você acreditava era uma mentira, você ainda confiaria em mim, Raja?"
Sua voz estava rouca, trêmula. Raja silenciou, olhando profundamente em seus olhos, procurando a verdade escondida.
"Se eu te dissesse... que seu pai pode não ser o homem que você pensava que era... você ainda ficaria do meu lado?"
O corredor parecia sufocante. O tempo parecia congelar, apenas a batida de seus corações ecoando no silêncio. Lentamente, Raja soltou seu braço. Nenhuma palavra saiu de sua boca. Apenas um silêncio pesado, como se o mundo deles tivesse acabado de desmoronar.
De repente, sem aviso, Raja puxou Alina para seus braços. Com força. Como se soltar significasse perdê-la para sempre.
Alina se enrijeceu em seu abraço. Mas Raja não se importou. Ele a abraçou mais forte, enterrando o rosto em seu ombro.
"Eu não me importo", Raja sussurrou, sua voz embargada.
"Eu não me importo com quem é meu pai... Eu não me importo com quem são seus inimigos... Eu só me importo com você."
Alina cerrou os dentes, seus olhos se enchendo de lágrimas. "Raja... não dificulte as coisas", ela disse, a voz crua.
Mas Raja balançou a cabeça em seus braços, teimoso como sempre. "Eu te amo, Alina. Não vou deixar o passado nos destruir."
Alina fechou os olhos, deixando o calor de seu abraço acalmar sua tempestade por um breve momento. Mas, no fundo, ela sabia que o mundo deles já havia mudado.
Ela sabia quem Mahesa realmente era. E ela sabia que o custo de escolher esse amor poderia ser muito alto...
Talvez até sacrificar a justiça pela qual ela lutou por toda a vida. Lentamente, Alina empurrou Raja para longe. Seu olhar era firme, frio, cheio de dor.
"Eu não posso", ela disse suavemente, quase um sussurro.
"Eu não posso viver como a amante do filho do inimigo."
Lágrimas inundaram seus olhos, mas ela as conteve, forçando-se a permanecer forte.
"Mesmo que ainda não esteja comprovado, eu sei... Eu acredito que Mahesa é aquele que tenho procurado o tempo todo."
Raja a encarou, seu rosto pálido como a morte, como se todo o ar tivesse sido arrancado de seus pulmões.
"Alina..." ele sussurrou.
Mas Alina apenas deu um passo para trás. Afastando-se de Raja. Afastando-se de tudo. Ela se virou e foi embora, deixando Raja parado congelado no corredor frio e vazio.