Capítulo 53: Algo nas Sombras
Ela levantou a lanterna, iluminando o corredor gelado à frente. A superfície era áspera e escorregadia, com pequenas rachaduras em alguns lugares. Mas o que a deixou mais alerta foi aquele som, o som que ela tinha ouvido antes.
Creak! Creak!
Lentamente, mas com certeza, o som ficou mais perto. **Alina** engoliu em seco.
"O que está aqui comigo?"
A mão dela se fechou com força em volta do caderno e da lanterna. Os dedos dela estavam começando a ficar dormentes com o frio cortante, mas ela se forçou a continuar se movendo. Se ela ficasse parada, poderia congelar. Ou algo poderia encontrá-la primeiro.
Ela deu um passo à frente com cuidado, tentando não fazer barulho. Mas então—
Crack!
O gelo sob o pé dela estilhaçou, o som ecoando pelo corredor. **Alina** colocou a mão na boca, prendendo a respiração. Mas era tarde demais. Da escuridão, outro som emergiu. Mais alto. Mais real.
Tap! Tap! Tap!
Passos. Não os dela. Um arrepio subiu pela espinha de **Alina**. O que quer que fosse, estava ali. Com o coração disparado, ela acendeu a lanterna em direção ao som. O feixe perfurou a escuridão, revelando uma figura sombria no extremo do corredor.
A sombra se moveu. E em segundos, algo emergiu da escuridão. Uma mão pálida e congelada saindo de trás do gelo.
Acima da superfície… A **Capitã Joy** estava na beira da fenda, seus olhos penetrantes examinando a entrada coberta de neve abaixo. Atrás dele, vários membros da equipe de resgate estavam montando seus equipamentos e prendendo as cordas.
"Capitão", um dos membros da equipe se aproximou. "Ainda não sabemos a profundidade da fenda."
"Vamos descer", respondeu **Joy** sem hesitar. "Se houver a mínima chance de **Aileen** ainda estar viva, não vamos deixá-la para trás."
A equipe de resgate trocou olhares antes de concordar com a cabeça. Eles conheciam os riscos, mas também sabiam quem estavam procurando—**Aileen** era uma lutadora. Se alguém pudesse sobreviver lá embaixo, era ela. Enquanto se preparavam para descer, o rádio estalou.
"Temos uma atualização do tempo", a voz do **Piloto de helicóptero** veio pelo rádio. "Outra tempestade está chegando em menos de duas horas."
**Joy** exalou com força. O tempo estava acabando.
"Então vamos mais rápido", ele disse, apertando a corda em volta do corpo dele.
Sem hesitar, ele saltou para a fenda. Ele encontraria **Aileen**. Não importa o que acontecesse.
Dentro da fenda… **Alina** prendeu a respiração, seu corpo congelado não pelo frio, mas pelo medo subindo pela espinha dela.
A mão pálida ainda se estendia por trás da parede de gelo, com os dedos rígidos e azuis. De além dela, ela podia ouvir respirações fracas e superficiais—respirações que não eram as dela. Alguém… ou algo… ainda estava vivo ali.
**Alina** encarou a mão, então tomou uma decisão. Cuidadosamente, ela se aproximou. Ela estendeu a própria mão para tocá-la. Os olhos atrás do gelo se abriram. O coração de **Alina** quase parou.
Os olhos eram pálidos, congelados e vazios—olhando diretamente para ela por trás da fina camada de gelo. O corpo dela se contraiu, a respiração presa na garganta.
"Isso é… um cadáver? Ou algo ainda vivo?"
Os dedos dela tremeram quando ela aproximou a lanterna. A luz dourada varreu o gelo, revelando a figura presa ali dentro. Era um homem—ou pelo menos, ele tinha sido. A pele dele estava quase translúcida, os lábios azuis, a expressão vazia, como alguém que há muito tempo tinha perdido a consciência. Mas… o peito dele ainda estava subindo e descendo.
"Ele está respirando."
**Alina** engoliu em seco. Se ele ainda estava vivo, isso significava que ele tinha sido preso ali por sabe-se lá quanto tempo. Como alguém poderia sobreviver nessa escuridão congelante?
O medo lutava com o senso de humanidade dela. Se ela não o ajudasse, o frio tiraria a vida dele em questão de horas ou mesmo minutos.
Rapidamente, **Alina** pressionou a mão dela contra o gelo. "Ei, você pode me ouvir?" ela perguntou, a voz rouca, quase perdida no vento sussurrante.
Nenhuma resposta. Mas os olhos do homem se moveram ligeiramente. Ele estava consciente. **Alina** procurou algo para quebrar o gelo. As mãos dela não seriam suficientes—estava muito grosso. Ela revistou a pequena bolsa e tirou uma faca dobrável.
Sem hesitar, ela começou a lascar o gelo, esperando esculpir um buraco grande o suficiente para puxá-lo para fora.
Creak! Creak!
O som do gelo rachando encheu o ar. Mas não era só de onde ela estava trabalhando. **Alina** congelou.
"Não… esse som não veio daqui."
De dentro do corredor, o barulho ficou mais alto. Algo estava se movendo. E desta vez, ela tinha certeza—eles não estavam sozinhos ali.
Acima da superfície… A **Capitã Joy** pousou firmemente na neve, no fundo da fenda. Ele puxou a corda em volta do corpo dele, certificando-se de ter folga suficiente para se mover livremente. Ele rapidamente ligou a lanterna, varrendo o feixe pelas paredes geladas. Dois membros da equipe dele pousaram logo depois.
"Ela caiu por aqui", disse um deles, apontando para um pedaço irregular de neve.
**Joy** não respondeu. Ele já sabia o que precisava ser feito. Sem hesitar, ele começou a cavar com a pequena pá que carregava, esperando descobrir algum tipo de pista sob a superfície congelada. Minutos se passaram antes que a pá dele atingisse algo sólido.
"Capitão, o senhor encontrou alguma coisa?"
**Joy** retirou a neve com a luva. Não era gelo comum—era mais duro… mais como. Os olhos dele se estreitaram. Era uma camada de gelo recongelada. Significando que havia algo embaixo.
Ele se virou para a equipe dele. "Ajudem-me a abrir isso."
Sem questionar, eles foram trabalhar.
"**Aileen**, espere. Eu estou indo—"
Antes que ele pudesse terminar o pensamento, um som profundo e gutural ecoou de dentro da fenda.
Não era o vento. Não era o gelo rachando. Era outra coisa. Algo… rosnando.
Dentro da fenda… **Alina** ouviu também. As mãos dela congelaram no meio do movimento, segurando a faca com força.
O coração dela disparou. "O que foi isso…?"
O homem atrás do gelo pareceu ouvir também. Os olhos pálidos dele se arregalaram pela primeira vez. Então, os lábios dele se moveram, formando palavras silenciosas.
**Alina** se inclinou, se esforçando para ouvir. "O quê? O que você está dizendo?"
Os lábios dele se moveram novamente, e desta vez, ela ouviu. Um sussurro fraco, quase engolido pelo ar frio.
"Corra."
Antes que ela pudesse reagir, o som retornou. Mais alto. Mais perto. O rosnado das profundezas do corredor. Algo estava vindo.
A pulsação de **Alina** acelerou. Ela apertou a lanterna, apontando o feixe para a escuridão consumidora. Sombras tremeluziam contra o gelo, mudando de forma não natural. Era difícil ver o que estava se movendo.
O homem preso atrás do gelo moveu os lábios novamente. A voz dele urgente, desesperada.
"Corra… antes que seja tarde demais!"