Capítulo 101: O Plano Maligno de Felis
Leo afastou-se do abraço só o suficiente para encarar Alina. Os olhos dele estavam calmos, mas firmes.
'Alina, você acha que eu não sei? Eu vejo a sua dor. Eu sei que você tem lutado, mesmo quando este mundo não parece te pertencer. E por causa disso… eu não vou deixar você ir.'
Alina mordeu o lábio, segurando a avalanche de emoções. Mas uma frase escapou de seus lábios — suave, cheia de arrependimento.
'Me desculpa… por estar muito ocupada te evitando naquela época. Eu vivia fugindo. Eu tinha medo de mim mesma. Mas agora eu percebo… o único lugar que me faz sentir segura é ao seu lado.'
Leo a puxou de volta para seus braços, mais forte do que antes. 'Não se arrependa. Você está aqui agora. Isso é o que importa.'
No dia seguinte, Alina estava de volta à sua rotina habitual no hospital. O relógio avançava, mas sua mente não tinha se limpado totalmente desde ontem. Ela tentou se concentrar, mas as sombras do passado continuavam a assombrá-la.
Inesperadamente, Felis apareceu na porta da sala, com um sorriso que fez o sangue de Alina ferver.
'Ontem deve ter sido divertido, né?' Felis disse levemente, como se nada tivesse acontecido. 'Duas pessoas importantes do seu passado aparecendo de uma vez. Acho que você deveria me agradecer.'
'E Leo deve ter se sentido…'
Alina rangeu os dentes, tentando reprimir a onda de emoções.
'…traído por quem ele mais confiava.'
Alina congelou. As palavras perfuraram como uma adaga.
Seus olhos se afiaram, sua mandíbula se contraiu. 'Então foi tudo armação sua?' Sua voz era baixa, mas ardendo em fúria. 'Você planejou tudo isso?!'
Felis apenas encolheu os ombros, sua expressão impenitente.
'Você…!' Os punhos de Alina cerraram com força. Sua raiva ferveu, misturando-se com feridas que não haviam cicatrizado.
Essa mulher tinha sido a responsável por todo o caos em sua vida. Aquela que ela sempre tentou evitar, mas que continuava a se intrometer.
Felis sorriu fracamente, sem um traço de culpa. 'Ele precisava saber a verdade. Você viveu em uma ilusão por muito tempo.'
Alina se aproximou, seu olhar afiado. 'Você brinca com os sentimentos das pessoas como se a vida fosse apenas um jogo, Felis.'
'Eu nunca perco,' Felis respondeu friamente. 'E você? Você só está percebendo agora que sua vida nunca foi realmente sua.'
A tensão preencheu a sala do hospital. Apenas o tique-taque do relógio na parede ecoava entre elas, como se o próprio tempo prendesse a respiração.
'Você já perdeu, Felis.' A voz de Aileen cortou como uma lâmina — afiada e cheia de certeza. 'Desde o começo, você está perdendo. Eu… eu sempre fui quem ganha.'
Felis sorriu. Seus olhos escureceram, um brilho astuto cintilando dentro deles.
'Ah, é mesmo?' ela disse, dando um passo à frente. 'Não fique tão convencida, Aileen. Este jogo ainda não acabou. Ainda há muitas surpresas… esperando por você. De mim.'
Alina olhou para trás, seu coração batendo forte, mas seu rosto permaneceu frio e ilegível. As duas mulheres ficaram em um impasse silencioso, como duas faces de uma moeda que nunca poderiam se encontrar. Entre elas, havia um passado que nunca realmente terminou e um futuro que se tornou um campo de batalha invisível.
Alina estava prestes a responder, mas seu telefone tocou alto. Uma ligação do Hospital Psiquiátrico de Harrowville.
'Rania tentou suicídio… logo após recuperar a consciência,' a voz do outro lado fez o mundo de Alina desmoronar.
Seus olhos se arregalaram. Suas mãos tremiam. Quando ela olhou para cima novamente, Felis ainda estava lá, com aquele sorriso irritante.
'O que você fez com Rania?' A voz de Alina estava rouca, cheia de fúria e angústia.
Felis ergueu as sobrancelhas casualmente e respondeu: 'Nada… apenas um pouco de diversão.'
'Tapa!'
Um tapa alto atingiu o rosto de Felis antes que ela pudesse terminar sua zombaria. Alina explodiu.
Felis instintivamente levantou a mão para revidar, mas Alina foi mais rápida. Ela desviou o braço de Felis com força, fazendo sua oponente recuar.
'Você foi longe demais, Felis!' Alina rosnou, respirando com dificuldade. 'Rania é uma paciente! Ela é vulnerável, e você se aproveitou da dor dela!'
O sorriso de Felis desapareceu, substituído por um olhar sombrio e odioso. Mas Alina não hesitou. Ela não tinha mais medo — não depois de tudo o que essa mulher tinha feito.
Desta vez, ela deixou tudo sair. Soco após soco choveram sobre Felis. Lágrimas represadas, gritos abafados, tudo explodiu em uma liberação imparável de raiva.
Felis cambaleou para trás, seu rosto machucado, sangue escorrendo do canto de seu lábio. Mas então — ela riu.
'Hah… hahahaha…'
'Chega, Aileen!'
Uma voz profunda cortou a tensão. Raka apareceu na porta, entrando com um olhar de pânico. Ele rapidamente afastou Alina da figura espancada de Felis.
'Você tem que parar!' ele disse com firmeza. 'Você vai ter sérios problemas se continuar assim. Lembre-se, ela ainda é uma residente sob sua supervisão. A junta do hospital não vai ignorar o que você fez hoje!'
Alina arfava, seu corpo ainda tremendo com a fúria não resolvida. Felis, no entanto, riu em triunfo, como se tudo tivesse saído de acordo com o plano.
'É isso mesmo,' ela rouqueou, a voz trêmula, mas triunfante. 'Esse era o meu objetivo o tempo todo. Agir como a vítima… para que eles te expulsem deste hospital, Aileen.'
Alina se aproximou novamente, a fúria escrita em seu rosto. Ela queria silenciar aquele sorriso presunçoso de uma vez por todas.
Mas Raka a segurou por trás, restringindo-a. 'Não, Aileen. Não deixe ela vencer assim.'
Alina se libertou da pegada de Raka, lágrimas de raiva caindo silenciosamente. Ela se afastou sem dizer uma palavra, deixando Felis e o caos para trás.
Enquanto isso, Felis começou a executar seu plano astuto. No canto da sala, ela ativou uma videochamada — conectando-se diretamente ao Presidente da Junta do Hospital.
Com o rosto pálido e machucado e a voz trêmula, ela começou a implorar.
'Eu… eu não entendo por que a Dra. Aileen me atacou. Eu só queria aprender. Mas ela… ela foi tão agressiva, até me ameaçou…'
O homem mais velho na tela pareceu chocado, seus olhos se estreitando.
'Vamos acompanhar imediatamente. Obtenha um relatório médico. Se corresponder às suas alegações, tomaremos as medidas apropriadas… de acordo com a lei.'
Um pequeno sorriso brincou nos lábios de Felis. O jogo havia começado.
Enquanto isso, Alina chegou ao Hospital Psiquiátrico de Harrowville, onde sua irmã estava sendo tratada. Seus passos pararam ao ver o corpo fraco de Rania deitado na cama, seu braço esquerdo coberto de cortes, seu corpo machucado.
'O que aconteceu, Doutora?!' Alina quase gritou, seus olhos arregalados em pânico.
Uma enfermeira se curvou profundamente, a culpa gravada em seu rosto. 'Rania foi agredida sexualmente,' ela disse em voz baixa, mas clara.
'O quê?!' Alina mal conseguia respirar.
'Um homem veio, alegando ser um parente. Rania estava consciente e disse claramente que não o conhecia. Mas fomos tarde demais.'
Alina ficou parada, todo o seu corpo tremendo.
'O homem… se aproveitou de Rania,' a voz da enfermeira tremia. 'Houve ferimentos em suas partes íntimas. Depois que ele foi embora, ela tentou tirar a própria vida.'
Alina agarrou a grade da cama com força, lágrimas caindo silenciosamente. 'Onde estava a enfermeira de plantão?!' ela gritou.