Capítulo 125: Honestidade
Raja... 'cê tá bem?", perguntou Alina baixinho, com a voz meio incerta enquanto encarava o homem sentado na sala de exames.
Raja respondeu com um sorriso calmo. Não tinha um pingo de preocupação na cara dele, só uma determinação fria e indecifrável.
"Uma pequena confusão não vai me derrubar", ele disse, como se o caos lá fora não passasse de uma brisa passageira.
Alina mordeu o lábio. Por dentro, as emoções fervilhavam: confiança batalhando com a lentidão da dúvida. Ela sabia... esse era o momento de falar.
"Sabe", começou ela com cautela, "conexões de verdade são construídas com confiança. E... eu confio em você. Mais do que em qualquer outra pessoa."
Raja a encarou por um momento, depois só assentiu antes de virar e voltar para o quarto dele, sem dizer nada. Alina ficou parada, congelada. As palavras dele foram poucas, mas bateram como um martelo. Confiança. A palavra cortou mais fundo do que deveria. Porque ela tinha segredos. Ela viu Adrian. Ela invadiu o escritório do Raja. E guardou tudo pra ela.
Com uma respiração pesada e determinação crescendo, Alina o seguiu. Ela bateu na porta de leve, depois entrou sem esperar permissão.
Raja virou com aquele mesmo sorriso relaxado. "Já sentiu minha falta? Faz só uns minutinhos."
"Para com isso", Alina disse, com a voz firme. "É sério. Tem uma coisa que preciso te perguntar."
A expressão dele não mudou, mas o estreitar sutil dos olhos dela disse que ele já sacou pra onde isso ia.
"Ok", ele disse, encostando-se casualmente. "Pode falar. O que você quer saber?"
Alina respirou fundo. "Por que você tá investigando minha vida esse tempo todo?"
Raja ficou quieto, depois deu um sorriso fraco. "Você me fascinou. Desde a primeira vez que te vi."
"Só isso?"
"Eu te salvei uma vez… e você me salvou uma vez. Não estamos quites?"
Alina franziu a testa. "Você tá falando de... o acidente?"
Ele encarou ela. "O dia em que nos conhecemos no hospital, aquela não foi a primeira vez. Foi a segunda."
Ela se enrijeceu. "Como... assim?"
Os olhos dele se aprofundaram com uma intensidade estranha. "Eu era o homem que te tirou dos destroços, anos atrás."
Alina congelou. O coração dela martelava no peito. "Então é verdade? Você é quem me salvou daquele carro?"
Ele assentiu, a expressão indecifrável. "Sim, eu te salvei. Mas não se engane, não sou herói."
Ele chegou mais perto, devagar e com firmeza, até ficar a centímetros dela. O hálito dele estava quente na bochecha dela, mas a presença dele irradiava uma aura fria e de aço.
"Eu não te salvei por pena. Eu te salvei... porque eu te queria."
A voz dele era baixa, ameaçadora. "A partir daquele momento, você se tornou parte do meu mundo. E eu não largo o que é meu."
Alina estremeceu, mas Raja continuou, calmo e totalmente no comando.
"Eu descobri tudo. O que você tá escondendo. Quem tentou te matar. E por que alguém como você acabou num lugar tão imundo."
Ele foi para a mesa dele, abriu uma gaveta e jogou um monte de recortes de jornal por cima da mesa.
"Cada passo que você deu, cada escolha que fez, estava sob minha vigilância. Muito antes de você sequer suspeitar."
Alina tentou esconder o choque, mas Raja viu através dela na hora.
"Não finja surpresa. Isso não é uma história de amor melosa, Aileen. Eu não te quero porque você é boazinha ou frágil. Eu te quero... porque você é perigosa. Igual a mim."
Um instante de silêncio.
Então ele chegou mais perto de novo, encarando ela. "E você precisa entender uma coisa. Uma vez que você entra no meu mundo, você não sai ilesa."
Alina não conseguiu se mexer. A respiração dela estava superficial, mas os olhos dela continuavam fixos nos dele, neste homem que a observava há anos. O homem que a salvou e a enjaulou em sua obsessão.
"Você me chamou de sua... Desde quando pessoas são algo pra se ter?", ela perguntou friamente, embora sua voz tremesse um pouco.
Raja sorriu, lento e afiado. "Desde que você entrou por vontade própria numa armadilha que achou que podia controlar."
As palavras dele atingiram fundo, mas o que a abalou mais não foi a ameaça dele. Foi a reação dela. Por que o coração dela estava acelerado? Por que, sob o medo, havia uma lasquinha dela... que queria acreditar nele?
Não. Isso tá errado. Ele é manipulador. Perigoso. Ele tá te observando. Te controlando. Mas o jeito que ele disse o nome dela, a profundidade na voz dele, tudo penetrou nela, como veneno misturado em mel.
"Eu não preciso de salvador", ela sussurrou, tentando parecer firme.
"Eu não te salvei porque você precisava", disse Raja, a voz baixa e suave. "Eu te salvei pra você viver tempo suficiente... pra ver quem realmente manda nesse jogo."
Ele se aproximou de novo, levantando gentilmente o queixo dela. "Agora você tem duas opções, Aileen. Lutar e cair. Ou ficar... e se tornar parte da escuridão que está esperando por você o tempo todo."
Os olhos deles se encontraram. E naquele momento, Alina sabia que, não importa qual fosse a escolha, ela nunca estaria livre desse homem.
"Tanto faz. Esquece o passado", ela disse, forçando a voz a ficar calma. "Agora mesmo, você precisa tomar cuidado com Adrian. Ele não é quem você pensa."
O sorriso de Raja foi lento, cheio de conhecimento. "Então você também descobriu?"
Alina engoliu seco. "Desculpa... eu entrei no seu escritório naquela noite. Eu olhei os arquivos. Mas aí o Adrian chegou, e—"
"E ele roubou uma coisa que nunca deveria ter tocado", Raja a interrompeu, com a voz fria e afiada como uma navalha.
"Você já sabia?", ela perguntou, chocada.
"Claro", ele disse simplesmente. Ele foi até a mesa e bateu duas vezes na frente do laptop dele. Uma luz azul fraca piscava: uma câmera escondida.
"Você realmente achou que eu só instalei segurança do lado de fora?"
Ele abriu uma gaveta, apertou um painel dentro e revelou uma câmera minúscula e silenciosa embutida no fundo, sem luz, sem som. Só vigilância constante.
"Cada centímetro deste quarto está sob meus olhos. No momento em que você tocou nos recortes... eu sabia."
Alina estremeceu. "Então por que você não disse nada?", ela perguntou em voz baixa.
Raja se virou para ela. Desta vez, o olhar dele cortou mais fundo, mais escuro, misturado com algo indecifrável.
"Porque eu queria ver... até onde você iria antes de perceber que, desde o começo... eu sou quem está liderando este jogo."