Capítulo 8: Uma Escolha Difícil
Axel ainda tava sentado no canto do Orion Club, com os dedos batucando na mesa, ansioso. Marco tava lá, de boa, como se não fizesse ideia de que a morte tava rondando ele.
Mas cadê a Alina? Axel soltou o ar com força e discou de novo. Sem resposta. Alguma coisa tava errada.
Enquanto isso, no hospital… Alina tinha acabado de sair de uma cirurgia exaustiva de quatro horas. Quando ela tirou as luvas, uma enfermeira chegou perto dela.
"Doutora Aileen, seu celular não para de vibrar."
Franziu a testa, Alina foi correndo pra sala de descanso e pegou o celular. 12 chamadas perdidas — todas do Axel.
"Droga", ela murmurou, digitando rapidinho uma mensagem. "Tô presa no hospital. O Marco ainda tá lá?"
A mensagem não foi enviada. Alina ficou olhando pra tela, incomodada. Se o Axel agisse sozinho, o risco era grande. Marco não era burro — ele tava sempre rodeado de guarda-costas.
No Orion Club, Axel leu a mensagem, com uma expressão indecifrável. Ele olhou pro Marco antes de responder.
"Sim. Mas não posso esperar pra sempre. Se você não chegar em 10 minutos, vou agir sozinho."
Alina xingou baixinho. Sair do hospital agora não era uma opção. Se ela saísse, a identidade da Aileen podia ser comprometida. Ela tinha que escolher — ficar e proteger a sua cobertura, ou garantir que o Marco morresse hoje à noite.
Axel enfiou uma faca por baixo da jaqueta. O tempo tava acabando. Se a Alina não viesse… ele ia agir sozinho. Mas alguma coisa tava estranha. Tava fácil demais.
Por que o Marco tava sozinho? Axel apertou os olhos, analisando a sala. Um homem na mesa ao lado tava sentado duro demais, com a mão perto da cintura — provavelmente armado. Outros dois perto da porta dos fundos ficavam olhando pro Marco.
Uma armadilha. Axel se levantou, fingindo que ia sair. Mas quando ele passou pela mesa do Marco, o cara levantou a cabeça e deu um sorrisinho.
"Aonde você vai, Axel?"
Axel parou. "Porra", ele murmurou baixinho.
Marco se encostou na cadeira. "Achou mesmo que eu não ia perceber? Você tá me vigiando como um fantasma."
Axel ficou em silêncio, com a mão indo devagar pra jaqueta.
"Se você tá procurando a Alina…" continuou o Marco, com a voz calma. "Você não vai encontrar ela. Eu matei ela meses atrás."
Axel congelou. "Quê?"
Marco deu uma risadinha e acenou com a mão. Um dos homens dele entregou um celular pra ele. O Marco colocou em cima da mesa, mostrando uma foto que fez o sangue do Axel gelar.
O corpo da Alina — coberto de sangue, jogado num galpão abandonado.
"Achou mesmo que vocês eram os únicos que podiam jogar por dentro?" Marco sorriu. "Eu tô planejando isso faz tempo. Agora, só preciso saber… você vem comigo, ou vai morrer hoje à noite?"
Axel fechou os punhos. O Marco não sabia que a Alina ainda tava viva. Essa era a chance dele de proteger ela.
Marco tomou um gole da bebida. "Então, por que você não senta e conversa como gente civilizada?"
A mente do Axel tava a mil. Briga agora ou entra no jogo? Finalmente, ele puxou uma cadeira e sentou.
"Beleza", ele falou, sem graça. "Eu também tô doido pra matar a Alina."
O Marco sorriu. "Agora sim."
Fora do Clube… Uma fila de carros pretos saiu do clube. Minutos depois, a Alina chegou, só pra achar o lugar vazio.
"Cadê o Axel?" ela murmurou, olhando pro celular. Ele tava aqui há dez minutos atrás.
Ela discou o número dele. Sem resposta. De novo e de novo, ela tentou, mas nada.
Dentro de um dos carros… Axel ficou olhando pro celular vibrando. Ele não podia atender. O Marco tava do lado dele, observando de perto.
"Você parece nervoso", o Marco falou, com um tom seco. "O que você tá escondendo?"
Axel se forçou a se manter calmo. "Só não tô acostumado a trabalhar com gente nova."
Uma desculpa esfarrapada, mas o Marco não pareceu se importar. "Você vai se acostumar comigo logo."
Axel ficou em silêncio. Lá no fundo, ele sabia — se a Alina visse isso, ia achar que ele tinha traído ela.
De volta no hospital… Alina voltou, sem conseguir planejar o próximo passo antes que outro problema aparecesse. Aquela manhã, ela foi chamada no escritório do Dr. Nathan.
"Soube que você tá saindo escondido do hospital", o Nathan falou, com a voz áspera.
A Alina congelou. Como ele sabe?
"Sim, Dr. Carter. É verdade", ela admitiu calmamente.
O Nathan analisou ela de perto, com a suspeita clara.
"Você pode ir e vir quando quiser", ele falou. "Desde que não se esqueça — você tem pacientes que dependem de você."
A Alina franziu a testa. É por isso mesmo que ele me chamou?
"Entendi. Mas o que eu fiz de errado?" ela perguntou, com cuidado.
O Nathan cruzou os braços. "Seu paciente na emergência. Você não entregou o relatório médico dele."
A Alina se enrijeceu. Ela não tinha relatado nada. Agora, ela tinha que lidar com o cirurgião-chefe do hospital — que também era o mentor dela.
Droga, Aileen, você tá com muita coisa na mão.
"Quando vou receber esse relatório?" o Nathan pressionou.
A Alina respirou fundo, se controlando. "Em breve, Doutor. Vou enviar agora mesmo."
O Nathan assentiu. "Bom. Ah, e mais uma coisa — a Enfermeira Lana voltou da licença hoje."
A Alina se assustou. "Enfermeira Lana?"
O Nathan ergueu uma sobrancelha. "Sim. Você não lembra dela?"
A Alina engoliu em seco. Outro problema. Ela não reconhecia essa enfermeira de jeito nenhum. Mas se ela admitisse isso, o Nathan ia ficar mais desconfiado ainda.
"Claro que lembro", ela disse rápido. "Só fiquei surpresa."
O Nathan olhou pra ela por um momento, depois assentiu. "Bom. Se você já acabou por aqui, volte pro trabalho."
A Alina saiu rápido do escritório dele. No momento em que ela foi embora, o Nathan pegou o celular e fez uma ligação.
"Vigie ela. Relate cada movimento que ela faz."
Na emergência… A Alina tava sentada na mesa dela, organizando os relatórios dos pacientes. Hoje, pela primeira vez, um dos pacientes dela acordou.
"Aileen…" uma voz rouca chamou. "Você tá bem?"
A Alina deu um sorrisinho, tentando se manter calma. "Devagar, senhor. Deixa eu ver sua condição primeiro."
O homem assentiu, mas a expressão dele ainda tava cheia de preocupação. "Só fico feliz que você esteja viva", ele murmurou. "Mas você precisa ter cuidado. Eles querem você morta."
A Alina continuou o exame, mas a mente dela tava a mil. "Quem são eles?" ela perguntou com cuidado.
Os olhos do homem arregalaram de choque. "Você… você não se lembra de mim?"
A Alina franziu a testa. "Me desculpe, mas—"
"Você também esqueceu os nossos inimigos?"
O rosto dele se contorceu de raiva e frustração. Antes que as emoções dele pudessem sair do controle, uma enfermeira entrou.
"Senhor, por favor, se acalme", ela falou gentilmente. "O senhor acabou de se recuperar de uma cirurgia. Tente relaxar."
Mas o homem se recusou a ser pacificado. "Nós lutamos juntos pra descobrir a verdade, e agora você nem se lembra de mim?"
A enfermeira olhou pra Alina, e depois sussurrou pro homem. "A Doutora Aileen acabou de se recuperar de um acidente. A memória dela tá meio nebulosa."
A expressão do homem mudou. Os olhos dele arregalaram quando a ficha caiu. "Então… eles realmente chegaram até você?"
Ele soltou o ar devagar, balançando a cabeça. "Pelo menos você ainda tá viva."
Depois de terminar o exame dela, a Alina saiu do quarto do paciente. Ela tava quase indo pra sala de descanso quando uma enfermeira de repente correu até ela.
"Doutora Aileen!" ela chamou. "Graças a Deus você tá viva!"