Capítulo 15: Um Segredo Prestes a Ser Exposto
Lana encarou Alina com os olhos vazios.
"Eles?" A voz dela tremeu. "De quem você tá falando?"
Alina mordeu o lábio, os olhos brilhando. "A gente não tem certeza. Mas as pessoas que o levaram... não eram oficiais normais. Desapareceram sem deixar rastros depois."
O peito de Lana apertou. Aquilo não era coincidência. Alguém queria apagar as provas. Silenciar a verdade.
"Qual foi a causa da morte?" Alina perguntou.
Lana balançou a cabeça. "O relatório médico sumiu. Como se ele nunca tivesse dado entrada naquele hospital."
Do canto da sala, Leo—que tinha ficado quieto o tempo todo—finalmente falou. "De quem vocês duas estão falando?"
Alina congelou, a mente a mil. Se aquele paciente tinha sido morto, isso significava que Aileen também estava em perigo.
Lana respirou fundo. "E mais uma coisa... o corpo dele foi encontrado com um símbolo gravado no peito."
Alina se tencionou. "Que símbolo?"
Lana sussurrou, "Uma cobra enrolada em uma adaga."
O sangue de Alina gelou. Era a marca de uma organização que já fora dela—agora tomada por Marco.
Sem hesitar, ela agarrou o pulso de Lana. "Vem comigo!"
Lana engasgou. "Pra onde?"
Alina não respondeu. Ela tinha certeza que Lana sabia algo sobre Aileen.
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Em algum lugar da cidade... Marco estava sentado em seu escritório, encarando uma foto no celular—uma mulher correndo por um depósito, uma caixa térmica nas mãos.
"Você tá brincando com fogo, Doutora..." ele murmurou.
Seu olhar se voltou para a janela. Seu reflexo mal era visível contra o vidro.
Duas possibilidades passaram pela sua cabeça. Se fosse mesmo Alina, ele tinha que matá-la imediatamente. Mas se não fosse... então alguém estava o provocando deliberadamente.
Ele alcançou a gaveta da mesa, puxando uma pistola, seus dedos batucando levemente na empunhadura.
"Hoje à noite, vou descobrir a verdade sozinho."
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De volta ao acampamento... Alina cruzou o olhar com Lana.
"Escuta, eu sofri um acidente. Mas não foi só um acidente. Alguém tentou me matar."
Os olhos de Lana se arregalaram. "Quê?! Mas... por quê?"
Alina balançou a cabeça, fingindo confusão. "Eu não lembro de nada antes do acidente. Você sabe de alguma coisa?"
Lana mordeu o lábio, pensando por um momento. "Antes do acidente, você me disse que encontrou evidências de um crime no hospital."
Os olhos de Alina brilharam. Ela estava um passo mais perto da verdade. "Então... você sabe quem são 'eles'?"
Lana balançou a cabeça.
Alina cerrou os punhos. 'Tão perto. A verdade tá ali, mas ainda fora de alcance.'
Então, de repente, Lana falou. "Pelo que eu me lembro, você sempre guardava informações importantes no seu laptop e escondia arquivos em um compartimento secreto na sua mochila. Você checou?"
O coração de Alina acelerou. Sem perder tempo, ela pegou sua mochila, procurando qualquer coisa—qualquer pista que pudesse ajudá-la. Mas nada.
Lana saiu para o seu turno, deixando Alina sozinha.
"Por que eu não consigo achar nada?" ela murmurou em frustração.
Fora do acampamento, um médico estava falando ao telefone.
"Ela acabou de trazer suprimentos médicos e sangue... não faço ideia de onde ela conseguiu," ele relatou para alguém do outro lado.
Aquele relatório levou a problemas. Naquela noite, Alina foi convocada para interrogatório. Mas ela permaneceu calma, seu rosto não traindo nenhum medo.
Enquanto isso, fora da sala de interrogatório, Leo recebeu uma ligação.
"Ontem, uma mulher apareceu no mercado negro," disse a voz na linha. "Ela encontrou Vasko. Comprou suprimentos médicos e sangue."
Leo estreitou os olhos. "Quem é ela?"
"Sem nome. Mas ela foi extremamente cuidadosa."
Leo franziu a testa, seus pensamentos indo para uma pessoa. Aileen.
Quem ela realmente era? Como ela sabia do mercado negro?
De trás da janela de vidro, Leo observava a sala de interrogatório. Alina estava sentada lá, parecendo muito calma. Composta demais para alguém sob suspeita.
Um sorriso lento cruzou os lábios de Leo. "Você tá escondendo alguma coisa, Aileen."
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Assim que o interrogatório terminou, Leo não perdeu tempo em abordar Alina.
"Doutora Aileen, podemos conversar?"
Seu tom era casual, mas havia algo nele—algo que deixou Alina desconfiada.
"Claro, Doutor," ela respondeu suavemente.
Leo a levou para um lugar privado. Um prédio separado do acampamento principal—uma casa modesta com uma lareira acesa, criando uma atmosfera quente, mas sufocante. Mobiliário de madeira decorava o espaço, um reflexo do gosto clássico do seu proprietário.
Leo foi até um armário, abrindo uma gaveta cheia de garrafas de vinho caras. Ele serviu um copo de líquido vermelho escuro e entregou para Alina.
"Bebe?" ele perguntou nonchalantemente.
Alina educadamente recusou. "Eu tenho um plantão noturno."
Mas Leo sorriu. "Um pouquinho não vai te deixar bêbada."
No final, Alina tomou um pequeno gole por cortesia. Mas assim que ela deixou o copo, Leo falou em um tom mais profundo e deliberado.
"Aileen, eu sei o que você está escondendo."
Tum.
O coração de Alina quase parou. Ela engoliu em seco, tentando avaliar a expressão de Leo.
'O que ele quer dizer? Ele sabe sobre a minha mochila? Sobre o hospital?'
Mas ela manteve a compostura. "Que segredo, Doutor?" ela perguntou, fingindo inocência.
O olhar aguçado de Leo não vacilou. "Seja honesta. Você sabe exatamente do que eu estou falando."
A mente de Alina disparou. Ela mordeu o lábio. Ele sabia que ela estava investigando ele?
Suas bochechas esquentaram ligeiramente.
Leo levantou uma sobrancelha. "Você tá bêbada?"
Alina rapidamente balançou a cabeça, mas estava sem palavras. Sem querer, seus pensamentos a traíram.
'Eu... admiro ele...?'
Leo, percebendo sua reação incomum, suspirou. "Aileen, eu estou esperando uma resposta."
Alina respirou fundo. Ela teve que redirecionar a conversa.
"Tudo bem, eu admito... Eu te admiro."
Droga!
As palavras saíram da boca dela antes que ela pudesse impedi-las.
Leo congelou, claramente surpreso. Essa não era a resposta que ele estava esperando.
Alina imediatamente cobriu a boca, seu rosto ficando vermelho. Ela tinha acabado de confessar algo que não deveria.
Leo, ainda processando, soltou uma longa expiração. "Não era isso que eu queria dizer, Doutora."
Sua voz estava mais séria agora. Seu olhar se aguçou, perfurando-a.
"Eu estou falando sobre sua transação no mercado negro."
Alina congelou. Seu sangue gelou. Sua mão apertou o copo. Por um momento, ela se esqueceu de respirar.
"O que... você quer dizer?" Sua voz era menor do que ela pretendia.
Leo não respondeu imediatamente. Ele simplesmente a observou, lendo cada micro-expressão em seu rosto.
Alina se forçou a permanecer calma. Ela tentou manter sua expressão neutra, mas seus dedos tremiam levemente na mesa, traindo seus nervos.
"Você encontrou Vasko no mercado negro," Leo finalmente disse, sua voz estranhamente calma, mas insistente. "Você comprou suprimentos médicos e sangue. Eu quero saber... como você sequer soube daquele lugar?"
Alina sentiu um arrepio subir pela espinha. Ela tinha que responder. Mas como? Negar com muita força a faria suspeita. Mas admitir também era perigoso.
Um sorriso lento e cuidadoso se formou em seus lábios. "Médicos como eu precisam de muitas coisas para nossos pacientes," ela disse suavemente. "Às vezes, os canais oficiais não são rápidos o suficiente."
Leo permaneceu indecifrável. Segundos se estenderam em eternidade.
Seu estômago revirou—não por causa do vinho, mas pela tensão sufocante. Se ela não tomasse cuidado, tudo poderia acabar hoje à noite.
Então, de repente, Leo se inclinou para trás, seu olhar indecifrável. E em uma voz baixa e cortante, ele perguntou—
"Quem é você de verdade, Aileen?"