Capítulo 78: O Preço por Trás do Luxo Ilusório
Toc! Toc! Toc!
A porta do quarto bateu. Um homem gato e mandão abriu por dentro. Indry, de início, pensou que ele fosse só um ricaço solitário. Mas a suposição dela mudou rapidinho quando ela viu o que tinha no quarto, cheio de coisas que ela não conhecia.
"Eu estava te esperando, Indry", o homem falou, com um sorrisinho cheio de sedução.
Indry ficou meio nervosa, mas também curiosa. Ela retribuiu o sorriso, tentando manter a calma. Mas quando o homem chegou perto e algemou as mãos dela com confiança, o coração dela disparou sem controle.
"Eu quero que a noite seja nossa. Completamente."
O jogo começou meio bruto, cheio de exploração, mas nunca passando do limite. Dor e prazer viraram uma coisa só. Indry não tinha certeza do que a fazia continuar, a curiosidade, ou talvez um prazer escondido que ela nunca tinha imaginado.
Indry sentou na beirada da cama, com as mãos ainda algemadas. O tic-tac do relógio na parede parecia mais alto do que o normal, ou talvez fosse só o eco da própria batida do coração dela. O homem andou devagar, pegando algo na gavetinha do lado da cama. Um pano preto de seda.
"Você está com medo?" ele perguntou baixinho, quase um sussurro.
Indry engoliu seco. "Não", ela respondeu, mesmo sem ter certeza se aquela palavra era pra ele ou pra sombra dela que estava começando a perder o controle.
Ele amarrou o pano nos olhos dela. O mundo ficou escuro. Mas, estranhamente, a escuridão não dava medo, era libertadora.
Ela conseguia sentir cada toque com mais nitidez, mais fundo. A pele dela formigava quando ele sussurrava o nome dela direto no ouvido.
"Hoje à noite, você é minha."
Não teve mais palavras. Só o som da respiração, gemidos abafados e a fúria do desejo queimando no ar.
Cada toque parecia um teste. Cada gemido era uma confissão. Indry não sabia se era certo ou errado. Mas naquela noite, ela se entregou. Não só o corpo, mas a mente também.
Quando a manhã chegou, as algemas sumiram. Mas o que ficou foi uma sensação estranha que ela não conseguia tirar de cima. Curiosidade. Uma sensação que foi virando vício aos poucos.
Os dias seguintes não foram mais os mesmos. Indry tentou esquecer aquela noite. Fingir que foi só um erro. Um jogo rapidinho. Mas o homem não parava de ligar, de novo e de novo. Às vezes era só a respiração dele na linha. Às vezes, um sussurro curto.
"Venha. Agora."
E, estranhamente, ela sempre ia.
O homem nunca dava chance de recusar. Ele nunca forçava com as mãos, mas com os olhares e palavras que furavam o coração de Indry. Ele sabia como fazer ela ceder, prendê-la, impedir que ela fugisse.
Cada noite que eles passavam juntos parecia veneno gostoso. Indry sabia que não era amor. Mas também sabia que estava enfiada demais.
"Eu não preciso do seu amor, Indry", o homem falou uma noite, passando a ponta de um chicote macio pelas costas dela. "Eu só preciso do seu corpo. Quando eu quiser."
E ele cumpriu a palavra. De manhã, de tarde ou de noite, quando ele a desejava, Indry tinha que ir. Às vezes, um carro de luxo a buscava. Em outras, ela ia sozinha, com o coração disparado, usando a lingerie que ele pedia.
Não tinha mais lugar seguro. Até os sonhos dela começaram a encher com a sombra dele.
No começo, Indry achou que podia controlar tudo. Que ela estava só brincando um pouco, e depois ia embora. Mas ele era diferente. Ele não deixava ninguém ir, nem a Indry.
A cada noite que passava, Indry ia perdendo pedaços dela mesma.
Agora, não era só o corpo que estava cansado, a alma dela estava quebrando aos poucos. O homem estava ficando mais exigente. Mais duro. Mais cruel. Às vezes ele a deixava amarrada por horas, só pra ver as reações dela. Às vezes ele tocava, e depois a deixava. Às vezes ele ficava olhando pra ela por um tempão, e depois sussurrava, "Você não pertence mais a você mesma."
Indry chorava baixinho várias vezes depois que ele dormia. O corpo dela tinha marcas. Mas o que doía mais eram as feridas que ninguém via, as do coração.
Ela tentou ir embora, uma vez. Ela ousou recusar a ligação dele. Mas no dia seguinte, alguém mandou uma foto pra ela, ela mesma, entrando no apartamento do homem na noite anterior.
"Nunca tente fugir, Indry", dizia a mensagem. "Eu posso te destruir quando eu quiser."
O medo virou dependência. A vontade de liberdade virou entrega.
Indry não sabia por quanto tempo ela ia aguentar isso. Mas uma coisa era certa, quanto mais ela ficava, mais difícil era reconhecer a pessoa que ela costumava ser.
Indry começou a se perder. As feridas no corpo dela ainda estavam lá, mas agora a mente dela estava cheia de um nome só, Alina.
A mulher por trás dessa desgraça. A que tinha matado o amante dela e roubado a herança dele. Se não fosse por Alina, ela não teria entrado nessa espiral escura. Ela não estaria presa em camas, algemas e ameaças.
"A culpa é toda sua, Alina."
Uma noite, depois de servir o homem sem vontade, Indry sentou no chão, nua, exausta, e cheia de ódio. Ela olhou pra ele com os olhos vazios.
"Eu quero que você a destrua. Alina", ela sussurrou. "Faça ela sofrer. Como eu sofri."
O homem olhou pra ela por um tempão. Os lábios dele se curvaram num sorriso torto.
"Eu posso acabar com aquela mulher fácil", ele falou frio. "Mas você tem que estar disposta a servir todos os convidados que eu convidar com o seu corpo."
O sangue de Indry gelou. Ela queria protestar. Gritar. Mas nenhuma voz saiu.
"Eles são homens importantes. Eles gostam de algo selvagem. Uma mulher como você, bonita, obediente e sexy, vai ser a diversão perfeita."
Indry não falou nada. A visão dela embaçou com lágrimas que não caíram. Ela odiava Alina. Mas também começou a se odiar por ter considerado a oferta.
"Tudo bem, eu vou fazer isso", ela finalmente falou, com a voz suave, quase um sussurro.
O homem olhou pra ela, e depois sorriu, como se sempre tivesse sabido que ela ia falar isso.
Aquela noite, ele testou a lealdade de Indry mais rápido do que ela esperava. Sem avisar, ele trouxe três homens que ela não conhecia pro quarto. Todos vestidos com classe, com caras cheias de autoridade e olhares famintos que eles nem se importavam em esconder.
"Prove suas palavras, Indry. Nos divirta hoje à noite", ele falou, sentando na cadeira do canto, acendendo um charuto, virando o espectador do próprio jogo cruel.
Indry ficou no centro da sala, o corpo tremendo, mas ela ficou quieta. Os olhos dela varreram cada homem ao redor dela, e depois pousaram nele, o que agora mandava na vida dela.
A mente dela repetia uma frase várias vezes.
"Isso é por causa da Alina. Tudo isso é pra destruir ela."
Mas nem aquela decisão foi suficiente pra impedir o nojo que rastejou da pele dela pro coração quando mãos estranhas começaram a tocar, rasgar e reivindicar. E no canto da sala, ele assistia. Ele gostava.
Não foi só o corpo de Indry que foi rasgado naquela noite, mas também os últimos pedaços da dignidade dela. Ela sabia que depois daquilo, não teria volta.
Mas quando todas as luzes se apagaram, e ela ficou sozinha no chão do quarto, com o corpo sem força, um novo plano começou a se firmar na mente dela.
Um plano mais escuro do que nunca. "Eu vou me vingar."