Capítulo 12: Reatribuição
Alina tentou lutar, mas as mãos dela tremiam. O que está acontecendo comigo? Ela pensou em pânico. Por que estou tremendo segurando uma arma? É por causa da Aileen? Ela nunca atirou antes?
"Por que você está hesitando?!" Leo respondeu secamente. "Atire neles!"
Alina estremeceu. Ela queria responder, mas a língua dela parecia amarrada. "Eu... eu—"
"Esquece! Segura firme, temos que sair daqui!" Leo a interrompeu, sem dar chance pra ela.
Alina se xingou. Num momento crítico como esse, ela deveria ser confiável. Mas, em vez disso, o corpo dela se recusou a cooperar.
Leo não disse mais nada, mas o olhar nos olhos dele foi suficiente pra mostrar a decepção dele. Em vez de comentar, ele permaneceu focado em controlar a moto, desviando da chuva de balas que vinha na direção deles. Com uma manobra brusca, ele entrou numa viela estreita. Um dos perseguidores deles foi jogado, mas os outros continuaram perseguindo. De repente, Leo pisou forte no freio.
"Você sabe pilotar isso?" ele perguntou rápido.
Alina nem tinha processado a pergunta dele quando Leo já tinha trocado de lugar.
"Você dirige, eu cuido deles," ele ordenou firmemente.
Alina hesitou por um momento, mas essa era a chance dela provar pra si mesma. Se você quer se aproximar do Leo, tem que trabalhar com ele. Se recompondo, ela assumiu o controle e pisou no acelerador.
Leo sentou de costas, atirando nos perseguidores sem hesitar. Assim que eles saíram da viela, outra saraivada de balas os saudou. Mas Alina permaneceu focada. Leo também não demonstrou medo. Com um único tiro, ele virou um dos carros que estavam perseguindo, causando uma explosão enorme que bloqueou os perseguidores restantes.
Aileen sabe andar de moto? Ou é porque ela gosta do Leo? Alina se perguntou. Mas você mal o conhece. Não crie expectativas.
No entanto, mais perseguidores apareceram rapidamente.
BANG!
Alina estremeceu com o som de um gemido abafado vindo de trás.
"Ugh!"
Leo cambaleou quando uma bala atingiu o braço dele. Sangue instantaneamente encharcou o jaleco de médico que Alina estava vestindo.
"Você está bem?!" ela perguntou em pânico.
Leo rangeu os dentes, ainda atirando. Com um movimento rápido, ele jogou uma granada atrás deles. Uma explosão seguiu, eliminando outro carro perseguidor.
Por um momento, o silêncio caiu.
"Eu estou bem," ele finalmente disse, embora a voz dele estivesse tensa.
Alina olhou para o espelho lateral da moto, com o coração disparado ao ver Leo pressionando o ferimento com a mão trêmula. Sangue continuava vazando pelos dedos dele. Ela mordeu o lábio, sentindo-se ansiosa e indefesa. O ferimento parecia sério.
No entanto, Leo aguentou. Embora o rosto dele estivesse pálido, ele não soltou uma única reclamação. As respirações dele eram pesadas, mas os olhos dele ainda mantinham a determinação.
"Estamos quase no novo acampamento. Estaremos seguros lá... o centro de comando vai nos proteger e aos pacientes..." A voz dele enfraqueceu antes que o corpo dele cedesse.
"Leo! Ei! Não desmaie!" Alina gritou em pânico, mas não houve resposta.
Lutando, ela tentou apoiar o peso do Leo. A respiração dela estava irregular, mas ela não podia desistir agora.
Felizmente, depois do que pareceu uma eternidade, eles finalmente chegaram aos portões da base militar. Alina correu em direção aos guardas, mas congelou quando vários fuzis foram levantados, apontados diretamente para ela.
"Pare! Mostre sua identificação!" um dos soldados latiu.
"Somos pessoal médico enviado pelo governo para a missão de paz! Ele está muito ferido! Por favor, nos deixem entrar!" Alina implorou desesperadamente, o medo e o cansaço evidentes nos olhos dela.
Os guardas permaneceram cautelosos. Um deles falou no rádio, relatando a presença deles.
"Senhor, temos dois indivíduos não identificados que afirmam ser médicos no portão."
O silêncio se seguiu, o único som era o vento frio da noite carregando a tensão. Os guardas esperavam a confirmação de dentro da base. Então, uma voz finalmente estourou pelo rádio.
"Há algum pessoal médico ainda no local do antigo acampamento?" alguém do centro de comando perguntou.
"Sim, Doutora Aileen Monroe e Doutor Leonard Moreav," uma enfermeira dentro da base confirmou.
O soldado no portão olhou para Alina mais de perto.
"Você é a Doutora Aileen Monroe?" ele perguntou firmemente.
"Sim! E ele é o Doutor Leonard Moreav! Por favor, ele precisa de ajuda médica urgente!" A voz de Alina quase quebrou.
Sem perder outro segundo, os portões se abriram. Alina correu para dentro, seus olhos procurando por alguém que pudesse ajudar.
"Emergência! Alguém ajuda! O Doutor Leo está ferido!" ela gritou.
Em poucos instantes, o pessoal médico chegou, trazendo uma maca. Eles rapidamente levaram Leo para dentro para tratamento. Alina desabou de joelhos, dominada pelo alívio.
Lana se aproximou dela, preocupação nos olhos. "Você está bem?"
Alina se forçou a ficar de pé, recuperando o fôlego. "Sim, estou bem. Como está o Doutor Leo?" ela perguntou rápido.
Lana hesitou, mas falou com honestidade. "Você tem que remover a bala do braço dele. Você é a única cirurgiã aqui além do Doutor Leo."
"O quê?! A equipe médica daqui está tão desfalcada assim?" Alina murmurou em frustração.
Lana a estudou de perto. "O que está acontecendo com você?"
Alina saiu do choque. Ela não podia se dar ao luxo de hesitar. Rapidamente, ela se dirigiu à sala de operações com a Enfermeira Lana. No entanto, uma vez lá dentro, o nervosismo dela voltou. As mãos dela tremiam ligeiramente. Por alguma razão, operar o Leo parecia mais difícil do que uma cirurgia normal. Mas ela não tinha escolha.
Aileen, foco! Leo pode morrer se você não agir rápido! ela disse a si mesma.
Respirando fundo, Alina agarrou o bisturi com força. Ela se preparou para extrair a bala do braço de Leo. Com nova precisão e calma, ela removeu com sucesso e costurou ele rápido. A cirurgia correu bem, mas outro problema surgiu. O suprimento de sangue estava criticamente baixo.
"Doutora, ficamos sem sangue. Usamos o último para outros pacientes gravemente feridos ontem," relatou uma enfermeira.
Alina pensou rápido. Qual o sentido de uma cirurgia bem-sucedida se ele sofre de perda severa de sangue?
Memórias de Leo salvando a vida dela passaram pela mente dela.
A determinação dela endureceu. "Tire meu sangue. Meu tipo sanguíneo é compatível com todos os tipos," ela disse firmemente.
"Enfermeira Lana, termine a sutura e a bandagem. O resto de vocês, preparem meu sangue para transfusão para o Doutor Leo."
Sem demora, todos se moveram de acordo com as ordens dela. Alina sentou-se ao lado da mesa de operações enquanto um tubo conectava o braço dela ao do Leo, transferindo o sangue dela para salvá-lo. A Enfermeira Lana terminou o trabalho dela com eficiência. Em pouco tempo, o procedimento foi concluído.
Leo foi transferido para a sala de recuperação. Um por um, a equipe médica saiu, deixando Alina sozinha.
Ela olhou para o rosto inconsciente de Leo. "Você precisa melhorar logo, Doutor," ela sussurrou antes de sair.
Alina descansou no lounge dos médicos, a exaustão pesando sobre ela depois de tudo o que aconteceu. Lana entrou, carregando um prato de comida quente.
"Você parece diferente," Lana disse, examinando-a. "Desde que chegamos, você está cuidando do Doutor Leo. Você gosta dele?"
Alina, que acabava de dar uma mordida, congelou. O rosto dela ficou vermelho. Ela tentou negar, mas Lana a conhecia muito bem.
"Eu não gosto de ninguém," ela refutou rapidamente.
Lana estreitou os olhos, não convencida. "Você está mentindo, Aileen. Você nunca agiu assim com nenhum homem. Nem mesmo o Doutor Adam, que vive correndo atrás de você."
Alina ficou em silêncio, seus pensamentos vagando para o momento em que ela entrou pela primeira vez no corpo da Aileen. O Doutor Adam sempre tentou se aproximar dela, deixando-a desconfortável. Só agora ela percebeu que o Adam realmente tinha sentimentos pela Aileen.
"Não, eu não gosto do Adam nem do Leo," ela insistiu novamente.
Lana suspirou, cruzando os braços. "Apenas admita, Aileen. Você gosta do Doutor Leo."
Em vez de responder, Alina fugiu. Ela se ocupou verificando os pacientes que Leo havia estado tratando. Enquanto isso, um médico da equipe deles relatou algo por telefone.
"Ele sobreviveu, mas o Doutor Leo ficou ferido," eles disseram. "Tudo bem, vou mantê-lo atualizado."
Enquanto Alina se movia pelo acampamento, cuidando dos feridos, uma enfermeira correu com uma expressão preocupada.
"Doutora, nosso suprimento de vacina antitetânica está acabando, e ficamos sem sangue. Precisamos de mais imediatamente."
Alina franziu a testa. "Você já falou com o comandante?"
"Já falamos, mas a situação está difícil," explicou a enfermeira. "Na fronteira, comboios de suprimentos que transportavam medicamentos e alimentos foram destruídos, incluindo nossas reservas de sangue."
Alina pensou rápido. Isso não seria fácil. Mas ela tinha um plano. Este lugar não era estranho para ela - ela conhecia pessoas que podiam ajudar.
"Tudo bem, eu vou," ela finalmente disse.
Antes de sair, ela instruiu Lana a contatá-la em caso de emergência. No caminho, ela se sentiu estranha consigo mesma. Em sua vida passada, ela nunca se importou em salvar os outros. Mas no corpo da Aileen, tudo mudou.
"Você é muito gentil, Aileen," ela murmurou. "Se não fosse pelo seu corpo, eu não me incomodaria em ajudar esses pacientes."