Capítulo 28: Poção Mortal
O **Chefe da Aldeia** encarou **Alina** por um tempão. Os olhos dele se estreitaram, como se estivesse tentando furar as mentiras por trás das palavras dela.
Os aldeões, que estavam prontos pra botar ela pra correr, agora estavam hesitantes. Trocaram uns olhares, esperando a decisão do líder deles.
Enquanto isso, o **xamã idoso** — a figura que eles respeitavam há anos — parecia mais pálido do que nunca. A respiração dele tava superficial, e o olhar afiado que antes mandava e desmandava foi substituído por algo mais humano: medo.
O **homem corpulento** que tava do lado dele tava suando. Os olhos dele corriam pra todos os lados, procurando uma rota de fuga. Mas já era tarde. Os aldeões tinham cercado ele, com as expressões cheias de suspeita.
Finalmente, o **Chefe da Aldeia** falou. '**Doutora**… Você tá acusando nosso **xamã** de envenenar uma das nossas pessoas. Mas eu quero ouvir isso da boca dele.'
Silêncio total. Todos os olhos se voltaram pro **xamã idoso**.
Ele zombou levemente, tentando manter a dignidade. 'Eu servi essa aldeia por mais tempo do que você tá vivo, **Chefe**.' A voz dele tremia, mas ele se forçou a soar firme. 'E agora você escolhe confiar numa forasteira em vez daquele que te guiou desde criança?'
Uma voz da multidão respondeu: 'Mas o que eles tão falando faz sentido. Por que só uma pessoa foi afetada?'
'E por que você foi tão rápido em acusar a **doutora**?' alguém mais adicionou.
O **xamã idoso** rangeu os dentes. 'Vocês são todos uns idiotas! Eles só tão distorcendo as palavras pra enganar vocês!'
Mas antes que ele pudesse continuar —
'Chega!'
O **homem corpulento** do lado dele gritou de repente. A respiração dele tava pesada, os olhos cheios de raiva e medo. 'Eu não quero morrer por sua causa, Velho!'
Gritos ecoaram pela multidão. Até o **xamã** ficou chocado.
O **homem** agora olhou pro mentor dele com ódio. 'Você disse que ia dar tudo certo! Você disse que eles iam embora antes que alguém suspeitasse! Mas olha isso! Agora todo mundo tá nos questionando!'
**Leo** estreitou os olhos. 'Então, você admite que tentou nos armar?'
O **homem corpulento** engoliu seco, percebendo o erro dele. Mas já era tarde. Os aldeões agora encaravam eles com fúria crescente.
O **xamã idoso** apertou a mandíbula, o olhar dele se tornando frio com ódio. 'Idiota.'
Então —
UAU!
De repente, ele puxou algo da roupa dele — um saquinho cheio de pó preto grosso. Em um instante, ele soprou o pó no ar. Uma fumaça densa se espalhou rapidamente, fazendo os aldeões tossirem e recuarem, cobrindo os rostos.
'Peguem ele!' o **Chefe da Aldeia** gritou.
Mas o **xamã idoso** já tinha se virado, os pés dele se movendo rapidamente em direção à floresta. **Leo** e **Alina** imediatamente correram atrás dele.
Pela névoa preta sufocante, eles seguiram os rastros dele. Mas então — sumiu. O **xamã** tinha desaparecido na escuridão da mata. Eles procuraram até a meia-noite, mas não encontraram nada.
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Enquanto isso… Uma sala fracamente iluminada fedia a fumaça de charuto. Um lustre balançava suavemente, lançando sombras mutáveis nas paredes.
Um **homem de uniforme preto** estava parado rigidamente, o rosto tenso enquanto relatava para a figura sentada em uma cadeira grandiosa diante dele.
'Chefe, a **doutora** foi jogada no nosso território.'
O **homem** na cadeira — vestindo um terno caro, um anel de ouro no dedo e olhos afiados como os de uma águia — não respondeu imediatamente. Ele bateu na mesa de mogno com os dedos.
TAP! TAP! TAP!
Mas antes que ele pudesse dizer qualquer coisa —
BAQUE!
A porta se abriu de repente. Outro **subordinado** entrou correndo, ofegante, o rosto pálido. 'Chefe! Nós temos um problema! Eles estão causando confusão na nossa área… e —' Ele engoliu seco. 'O **xamã idoso** escapou da nossa base!'
O silêncio encheu a sala. Os olhos do chefe se estreitaram. Então —
CRACK!
Seu punho maciço bateu na mesa. A madeira se estilhaçou, uma taça de vinho caiu, quebrando no chão. Todo mundo prendeu a respiração.
O chefe respirou fundo, tentando controlar a raiva. Mas quando ele finalmente falou, a voz dele estava tão fria que o ar pareceu congelar.
'Encontrem ele.' O tom dele era baixo, quase um sussurro, mas carregava uma ameaça arrepiante. 'E certifiquem-se de que aquela **doutora** da cidade não dê um único passo sem o nosso conhecimento.'
Seus homens não perderam tempo. Eles se moveram rapidamente, caçando sua presa na escuridão da floresta. E, por fim, eles o encontraram.
O **xamã idoso** foi arrastado, as mãos dele amarradas. Ele foi jogado no chão de um esconderijo secreto no fundo da mata.
'Chefe, nós pegamos ele.'
Um **soldado** relatou enquanto empurrava o homem frágil para o chão. A cadeira grandiosa na sala girou lentamente. O **homem de uniforme preto** se levantou, dando um passo à frente. Os olhos dele se estreitaram quando ele olhou para o **xamã** trêmulo.
'Como você escapou daqueles ratos da cidade?' A voz dele era profunda e perigosa. 'Você viveu na aldeia por tanto tempo. Nossa parceria funcionou bem… E agora, você está tentando fugir?'
As palavras dele ecoaram pela sala.
O **xamã idoso** se curvou, as costas dele tremendo. 'M-Me perdoe, Chefe… Aquela **doutora** é esperta demais.' A voz dele tremeu. 'Eu não consegui enganá-los.'
Os olhos do chefe queimaram de fúria. 'Eles são espertos, ou você é apenas incompetente demais?!'
BAQUE!
A mão dele bateu na mesa. A tensão na sala se intensificou. Ninguém ousou se mover.
Eles sabiam — quando o chefe deles estava com raiva, o jogo era a vida e a morte.
'E os nossos negócios?!' Ele deu um passo mais perto, o olhar dele gélido. 'Você pode garantir que tudo continue seguro enquanto eles ainda estiverem por aí?'
O **xamã** gaguejou, incapaz de responder.
O chefe exalou com força, então zombou. 'Você deveria ter pensado antes de agir.'
Silêncio. Mas o peso do momento ficou mais pesado, sufocante.
Então, em uma voz sem misericórdia, o chefe continuou: 'Como punição por sua falha… joguem ele na jaula da minha fera.'
O **xamã idoso** engasgou. O rosto dele ficou mortalmente pálido. 'N-Não… Chefe, por favor! Eu posso consertar isso!'
O chefe apenas o encarou friamente. 'Vamos ver como é ser despedaçado por um animal selvagem.'
'P-Por favor! Eu juro que não vou decepcioná-lo de novo!'
Ele se debateu violentamente, mas foi inútil. Dois **guardas** o agarraram com força, arrastando-o em direção à porta no extremo da sala.
O chefe não se importou. No mundo dele, traição — ou até mesmo mera incompetência — era um pecado imperdoável. Sem piedade. Sem negociações. A punição era absoluta, quer o acusado admitisse a culpa ou não.
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De volta à Aldeia… **Leo** e **Alina** continuaram seu trabalho como curandeiros.
Indo de um paciente a outro nas casas de madeira com telhado de palha, eles trataram ferimentos e doenças.
**Alina** sentou-se em um banquinho de madeira simples, enfaixando habilmente o braço ferido de um **homem idoso**. 'Tente não se mexer muito, senhor. Se você mantiver limpo, vai começar a cicatrizar amanhã.'
Desde que eles chegaram, eles sentiram olhos os observando. Não dos aldeões, mas de algo… mais sombrio.
Enquanto **Alina** guardava os curativos restantes, o olhar dela acidentalmente vagou para a janela aberta. A brisa da noite levantou a cortina fina, fazendo-a balançar. Mas não foi isso que chamou a atenção dela.
Ao longe, além das sombras das árvores, uma figura estava parada. Vestido simplesmente, como os aldeões. Mas algo no olhar deles era diferente — muito aguçado, muito calculista. Como se eles não fossem realmente parte da aldeia.
**Alina** engoliu seco. Ela cutucou **Leo** levemente, movendo-se sutilmente em direção à figura do lado de fora. **Leo** se virou e imediatamente estreitou os olhos. Ele também viu. Naquele exato momento, a figura se virou e desapareceu na floresta.
**Leo** cuidadosamente colocou uma tigela de remédio de ervas e ficou de pé. 'Eu vou verificar lá fora,' ele murmurou.