Capítulo 14: Tremores do Batimento Cardíaco
Marco não acreditava em fantasmas. Mas hoje à noite, o passado voltou para assombrá-lo.
Seus punhos cerraram. Sua mandíbula travou enquanto ele lia o relatório nas mãos. Sua respiração era longa e profunda, tentando extinguir as chamas de raiva queimando dentro do peito.
A porta se abriu de repente. Um homem corpulento entrou em passos apressados.
"Chefe, a nossa gente se mexeu."
Marco acenou lentamente com a cabeça, depois se levantou. Ele pegou o casaco e vestiu-o com movimentos firmes e decisivos.
"Eu vou cuidar disso pessoalmente."
Os olhos do homem se arregalaram. "Mas, Chefe—"
"Não me faça repetir."
Seu subordinado imediatamente curvou-se em respeito e saiu. Marco pegou o celular, discando um número. Tocou apenas uma vez antes de alguém atender.
"Preciso de informação. Agora."
Sem esperar uma resposta, ele desligou e saiu. O ar frio da noite o cumprimentou quando entrou no carro. Outro subordinado correu em sua direção.
"Chefe, temos a informação. A culpada… é uma mulher."
Os olhos de Marco se estreitaram. "Uma mulher?"
"Sim. Ela é rápida, habilidosa. Vasko caiu em segundos."
O homem engoliu em seco antes de continuar, baixando a voz. "Pelo jeito que ela luta… ela se parece com Alina."
Silêncio.
O ar dentro do carro parecia mais frio do que a neve lá fora. Os dedos de Marco agarraram o volante, os nós dos dedos ficando brancos.
"Alina?" Sua mandíbula travou. "Impossível."
BANG!
Seu punho bateu no painel. "Eu a matei com minhas próprias mãos."
Seu olhar se voltou para outro subordinado. "Espalhem nossos homens. Quero saber quem é essa mulher."
Sem precisar de uma segunda ordem, eles se moveram imediatamente. Marco recostou-se no banco, olhando fixamente para o para-brisa. Em seu coração, um pensamento se repetia como um mantra.
Você morreu pelas minhas mãos. Mas se isso é verdade… por que você ainda me assombra?
"Dirija. Eu preciso saber a verdade."
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Em outro lugar, sob o mesmo céu, Alina entrou no acampamento em passos apressados. Sua mão esquerda carregava uma caixa térmica cheia de bolsas de sangue e remédios.
Leo a cumprimentou com um olhar interrogativo. "Onde você esteve? Por que voltou tão tarde?"
"Buscando remédios para um paciente." Alina levantou a caixa que carregava.
Leo estreitou os olhos, desconfiado. "Onde você conseguiu tudo isso? Até o Comandante não tem acesso a isso."
Alina abriu a boca para responder, mas um grito repentino estilhaçou a noite.
"Doutora! Ajuda!" Uma enfermeira entrou correndo, sem fôlego. "O paciente está tendo convulsões! A febre dele está piorando!"
Sem hesitar, Alina e Leo correram para a sala de tratamento. Lá dentro, um homem estava deitado na cama, seu corpo convulsionando violentamente. Sua respiração era irregular, sua pele pálida e encharcada de suor.
"Febre alta, Doutora", relatou a enfermeira.
Leo puxou as bandagens do paciente. O ferimento a faca em seu corpo estava vermelho e exalando pus.
"Uma infecção grave", ele murmurou. "Ele tem tétano. Precisamos remover o tecido danificado imediatamente."
Alina assentiu. "Leve-o para a sala de cirurgia. Agora!"
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Alina ficou sob as duras luzes cirúrgicas. Suas mãos estavam limpas, um bisturi na ponta dos dedos. Sua respiração tremia.
Ao seu lado, Leo observava atentamente. "Você está liderando esta operação."
Os olhos de Alina se arregalaram. "Eu?! Nunca lidei com um caso como este antes!"
Leo manteve seu olhar. "Minha mão ainda está machucada. Não posso fazer sozinho."
"Mas, Doutor—"
"Eu vou te guiar."
Alina engoliu em seco. Suas mãos começaram a suar. "Eu? Liderando a cirurgia? Não estou pronta!"
Leo se aproximou, sua voz baixa, mas firme. "O paciente não pode esperar mais. Concentre-se, Aileen."
Ela mordeu o lábio. Não havia tempo para hesitar. Ela se virou para a enfermeira ao seu lado. "Bisturi."
Lana entregou a ferramenta com um leve sorriso. "Nervosa?" ela provocou.
"Estou bem."
"Ah é? Então por que você está suando? Está nevando lá fora."
Alina soltou um pequeno suspiro e a ignorou.
Diante dela, o paciente estava indefeso. Seus batimentos cardíacos no monitor estavam estáveis, mas enfraquecendo.
"Faça a incisão", instruiu Leo.
Alina respirou fundo, se controlando. Esta não era a primeira vez que ela via sangue. Não foi a primeira vez que suas mãos foram manchadas. Mas era a primeira vez que ela estava salvando alguém… na frente do homem que ela admirava.
Com as mãos mais firmes, ela fez sua primeira incisão. Lentamente, ela pressionou o bisturi contra a pele do paciente. A ferida infectada abriu, liberando um odor forte e fétido.
A enfermeira ao lado dela estremeceu. "A infecção se espalhou profundamente, Doutora."
Alina mordeu o lábio. Era pior do que ela esperava. Se estivessem um pouco atrasados, o paciente poderia entrar em sepse — uma infecção se espalhando por todo o corpo, levando à morte.
"Precisamos remover o tecido morto", ela disse, sua voz mais firme.
Leo assentiu. "Você sabe o que fazer."
As mãos de Alina se moveram mais rápido agora. A tesoura cirúrgica trabalhou rapidamente, cortando as áreas infectadas. Sangue fresco vazava da ferida.
Bip… bip… bip…
O monitor cardíaco acelerou.
"Faça pressão! Ele está perdendo muito sangue!" Leo gritou.
Uma enfermeira imediatamente pressionou uma gaze estéril na ferida.
"Precisamos de mais sangue", Alina murmurou.
Leo se virou para ela. "Era isso que eu ia perguntar. Onde você conseguiu essas bolsas de sangue?"
Alina não respondeu. Suas mãos continuaram trabalhando, verificando o tecido restante.
"Aileen."
A voz de Leo era mais profunda agora. "Onde?"
Alina exalou lentamente. "Eu tenho meus métodos."
"Não me diga que você roubou."
Alina sorriu. "Eu não roubei. Eu só peguei o que eles deveriam ter dado."
Leo soltou uma risada curta e cínica. "Então você os roubou."
"Eu salvei uma vida."
"Com métodos criminosos."
Alina finalmente fez uma pausa por um momento. Ela se virou e olhou diretamente para Leo. "Ouça com atenção, Leo. A lei nem sempre está do lado do certo. Se eu tiver que sujar as mãos para salvar alguém, não hesitarei. Você pode me julgar como quiser, mas não vou me arrepender."
Leo a encarou em silêncio. Pela primeira vez, ele não sabia se devia discutir ou concordar. Uma coisa era clara — Aileen não era uma médica comum. Os minutos passaram como uma vida inteira, mas finalmente, Alina completou a última sutura.
"Ligue um soro extra. Dê a ele uma alta dose de antibióticos."
A enfermeira assentiu e se moveu rapidamente. Alina removeu suas luvas ensanguentadas, ainda recuperando o fôlego.
Leo se encostou na mesa, observando-a com um olhar de conhecimento. "Não sei como você conseguiu, mas sem esse sangue, este paciente estaria morto."
Alina não respondeu. Ela apenas o encarou em silêncio. No fundo, ela sabia. Mais cedo ou mais tarde, Leo perceberia quem ela realmente era. E quando esse dia chegasse… ele a veria como uma salvadora ou uma inimiga?
Alina soltou uma respiração lenta. Ela só podia esperar que, quando a verdade fosse revelada, o relacionamento deles não se despedaçasse completamente.
"Aileen!"
Uma voz a tirou de seus pensamentos. Alina se virou. Lana estava na porta, com o rosto tenso, hesitante em falar.
"Há notícias da cidade", ela disse em voz baixa. "O paciente da emergência do outro dia… foi encontrado morto."
O mundo de Alina pareceu congelar. O sangue escorreu de seu rosto. Sua respiração prendeu-se em sua garganta.
"Morto?" ela sussurrou. Sua garganta estava seca.
"Isso é impossível."
As feridas do paciente não eram graves o suficiente para serem fatais. Ele deveria ter sobrevivido. A menos que… Seu coração bateu forte. Alguém o havia matado.
A última vez que ela ouviu, aquele paciente havia desaparecido do hospital. Agora, ele estava morto. Uma sensação terrível se instalou em sua barriga.
"Eles não querem que eu saiba… quem Aileen realmente é."