Capítulo 116: Choque na Clínica
“Ele… Sr. Mahesa?!” ela exclamou, com os olhos arregalados. “Sem surpresa… ele parece muito com o Raja.”
A **Alina** tinha acabado de dar de cara com o pai do **Raja**. A reunião repentina a assustou um pouco, mas não o suficiente para desviar seu foco por muito tempo.
Naquela tarde, como de costume, ela voltou para sua rotina na clínica. Perto da hora de fechar, um homem chegou, fingindo ser um paciente. Mas a **Alina**, que estava acostumada a todo tipo de gente, sentiu suas más intenções imediatamente.
Ele se registrou na recepção e foi então chamado pela **Alina** para a sala de exame.
“**Dr. Aileen**, você é tão bonita. Por que ainda está solteira?”
A **Alina** lhe deu um olhar vazio. Sem dizer uma palavra, ela começou o exame profissionalmente, ignorando seus comentários flertadores e intrusivos.
“Você está saudável. Sem queixas”, ela afirmou firmemente.
Mas o homem não desistiu. Ele sentou-se casualmente, com um sorriso malicioso, como se estivesse tentando provocá-la. “Eu me sinto cansado… talvez eu precise ser cuidado por você, Doutora.”
A **Alina** suspirou. Seus olhos se estreitaram. “Talvez o que você precise verificar seja seu cérebro”, ela respondeu friamente. “A clínica está fechada. Não vou prescrever nada para você.”
Mas o homem continuou tentando, deixando a **Alina** desconfortável. Finalmente, ela inventou uma mentira rápida.
“Tenho um namorado”, ela disse, esperando que ele se afastasse.
Mas, em vez de acreditar nela, o homem zombou.
“Seu namorado? Como ele é? Inventado, eu aposto.”
“Alto. Bonito. Sarado. Rico. Basicamente… perfeito”, respondeu a **Alina**, meio irritada.
E naquele momento, uma voz profunda e fria veio da porta. “Como eu?”
A **Alina** congelou. O **Raja** estava ali, alto, composto, com olhos que não deixavam espaço para discussão. A imagem perfeita que ela acabara de descrever tinha aparecido em carne e osso. O homem instantaneamente ficou pálido.
“D-desculpe, Sr. Mahesa. Eu… eu não sabia que a **Dra. Aileen** era sua namorada”, ele gaguejou, e então saiu correndo.
O que chocou a **Alina** não foi apenas a aparição repentina do **Raja**, mas como ele estava calmo. Ele não perseguiu o homem, não levantou a mão como no passado. Ele simplesmente olhou para a **Alina** e deu um leve sorriso.
“Eu não esperava…” Sua voz era profunda, quase um sussurro perto do ouvido dela. “Que você ainda me admirasse depois de todo esse tempo.”
A **Alina** se enrijeceu. Um arrepio desceu por seu pescoço quando ela percebeu o quão perto ele estava agora atrás dela.
“Estou ocupada”, ela rosnou, sem se virar. Sua voz era fria, mas tremia fracamente. “Vá embora. Não me incomode.”
Mas seus passos não recuaram. Eles se aproximaram, diminuindo a distância entre eles.
“Você pode mentir para todos, **Aileen**. Mas não para mim.” Seus dedos tocaram levemente as pontas do cabelo dela, como se estivessem roçando uma memória. “Seus olhos… ainda chamam meu nome, mesmo quando seus lábios o amaldiçoam.”
A **Alina** fechou os olhos. Este não era o momento de fraquejar. Não era hora de cair de volta na escuridão chamada **Raja**.
“Você não tem o direito de dizer isso”, ela sussurrou, mais para si mesma do que para ele. “Você destruiu tudo.”
O **Raja** sorriu fracamente, amargamente. “Mas você ainda esperou, não esperou? Mesmo depois de eu me tornar seu pesadelo.”
A **Alina** se virou rapidamente. Seus olhos se fixaram nos olhos dele, uma vez cheios de amor, agora cheios de dor.
“Eu não esperei por você. Tenho me curado da sua sombra.”
“Que pena que eu nunca fui embora de verdade”, respondeu o **Raja**, seu tom suave, mas ameaçador. “E você sabe, **Aileen**… as sombras só desaparecem em trevas mais profundas.”
A **Alina** continuou dizendo a ele para ir embora. “Esta clínica não é seu lugar, **Raja**. Eu não preciso de você aqui.”
Mas ele apenas ficou ali, calmo, frio e teimoso, como antes. Seus olhos fixos na **Alina** como se nada mais no mundo importasse.
“Você ainda é tão teimosa”, murmurou a **Alina**, olhando para longe, tentando suprimir a tempestade em seu peito. “Como uma ferida que nunca cicatriza.”
O **Raja** deu um passo para frente lentamente, sua voz baixa e ameaçadora. “E você ainda é doce quando está com raiva. Como antes.”
“Não fale como se ainda tivesse um lugar na minha vida.”
A **Alina** ficou alta, a autoridade de uma médica brilhando em sua postura. Mas por baixo, a tensão pulsava forte e crua.
“Eu te deixei uma vez, e farei de novo. Com ou sem sua sombra.”
Mas o **Raja** apenas deu um leve sorriso, aquele que uma vez a enfraquecera… e agora a fazia querer fugir.
“Ir embora?” ele sussurrou. “**Aileen**, passamos por muita coisa para isso. Você pode me odiar. Mas seu coração realmente não me deixou ir, não é?”
“Você não sabe nada sobre meu coração!”, gritou a **Alina**, com a voz embargada.
“Ah, eu sei”, o **Raja** se aproximou. “Porque todas as noites, ainda sonho com as batidas do seu coração tremendo quando eu digo seu nome.”
A **Alina** recuou, o corpo tenso. Ele não a tocou, mas sua presença fria queimava tudo ao seu redor. A clínica quente agora parecia um vazio sem fôlego.
“Esta é a última vez que você vem aqui. Se não, vou denunciá-lo.”
O **Raja** inclinou a cabeça. Seu olhar escureceu. “Me denuncie, **Aileen**. Mas não se esqueça… mesmo na cela mais escura, ainda encontrarei um caminho de volta para o seu coração.”
“Você acha que ainda me importo?!” rosnou a **Alina**, com o rosto corado, a voz embargada. “Entrando nesta clínica, arrastando o passado, falando como se eu ainda pertencesse a você!”
O **Raja** não se moveu. Mas seu olhar era afiado, cheio de fúria contida.
“Porque você ainda pertence a mim”, ele sussurrou. “Você pode negar mil vezes, mas seu coração não pode.”
A **Alina** quase jogou algo nele quando a porta da clínica de repente se abriu.
“Socorro! Alguém desmaiou lá fora!”, gritou um transeunte.
A **Alina** se assustou. Ela correu para fora e encontrou um homem idoso caído na calçada, pálido, lutando para respirar. Ela instantaneamente reconheceu os sinais – ataque cardíaco.
“Levem-no para a sala de exame, agora!”, ela ordenou.
Mas o corpo da **Alina** vacilou de estresse, as emoções ainda tempestuosas dentro dela. Suas mãos tremiam enquanto ela tentava preparar o tanque de oxigênio.
O **Raja** viu isso. Ele não sabia muito sobre medicina, mas conseguia ler seu corpo como ninguém.
“O que eu faço? Me diga.” Sua voz era firme.
A **Alina** se virou para ele, respirando com dificuldade. Ela queria rejeitar sua ajuda, mas desta vez não era uma questão de orgulho.
“Levante-o para a mesa. Endireite-o. Abra a camisa dele, prepare o desfibrilador. Depressa.”
O **Raja** se moveu imediatamente. Suas mãos fortes, firmes. Ele levantou o paciente com facilidade, posicionando-o conforme instruído. Ele passou os cabos, segurou a cabeça do homem firme enquanto a **Alina** trabalhava.
Minutos se passaram em silêncio tenso. O pulso do paciente se estabilizou. A **Alina** desabou no chão, exausta. Seus olhos se encheram de lágrimas – alívio misturado com o caos emocional restante.
O **Raja** se ajoelhou ao lado dela, sem dizer nada. Suas mãos estavam suadas e manchadas, mas não de sangue.
“Você pode contar comigo… mesmo que eu não entenda este mundo”, ele disse suavemente. “Deixe-me ficar perto. Só para vigiar… quando você estiver tão abalada.”
A **Alina** não respondeu. Mas desta vez, ela também não afastou a mão quando o **Raja** a alcançou.