Capítulo 61: Com Leo
O homem ficou em silêncio, respirando com dificuldade, e pela primeira vez desde mais cedo, seu olhar voltou ao normal, devagar.
Alina mordeu o lábio, tentando acalmar seu coração ainda errático. Ela precisava encontrar uma maneira de curar Leo antes que tudo saísse ainda mais do controle.
Ainda sem fôlego, seu coração batendo descontroladamente depois de afastar Leo, Alina se viu presa em seu olhar indecifrável – uma mistura de confusão, intriga e algo mais profundo.
As respirações deles ainda eram irregulares, a sala ficando terrivelmente silenciosa, como se fossem as únicas duas pessoas restantes em um mundo totalmente diferente.
"Aileen..." A voz de Leo estava rouca, cheia de conflitos internos.
Alina engoliu em seco. Ela sabia que Leo ainda estava sob a influência da droga, mas seus olhos não carregavam mais o olhar de um homem que havia perdido o controle. Havia consciência ali. Uma sensação que ele poderia ter estado escondendo o tempo todo.
Quando Leo hesitantemente ergueu uma mão para tocar sua bochecha, Alina não se moveu. Seu toque era quente, enviando um arrepio involuntário por seu coração.
"Eu estou ciente", Leo sussurrou suavemente. "Eu sei que é você."
Tum!
Alina sentiu seu corpo enfraquecer. Por alguma razão, ouvir aquela confissão fez seu peito apertar ainda mais.
Sem dar tempo para sua mente processar, Leo a puxou para seus braços. Não havia força, apenas calor, tão real e inegável. Alina podia sentir seu coração acelerando, refletindo suas próprias emoções. E quando seus lábios se encontraram novamente, ela soube... isso não era mais apenas o efeito da droga.
Naquela noite, na quietude do quarto de hotel, eles deixaram seus sentimentos guardados por tanto tempo falarem, não com palavras, mas com calor e sinceridade que não podiam mais ser escondidos.
Na manhã seguinte, Alina acordou no abraço de Leo. A consciência voltou lentamente, lembrando-a do que havia acontecido na noite anterior. Seu coração batia caoticamente. Ela sabia que essa não era inteiramente a escolha de Leo – havia a influência da droga, algo que não podia ser ignorado.
Mas já tinha acontecido. Alina tentou se mover com cuidado, com a intenção de sair antes que Leo acordasse. Mas sua tentativa só o acordou junto com algo mais pessoal.
"Aileen", a voz de Leo estava grossa de sono quando ele a puxou de volta para seus braços. "Você me acordou na pior hora... agora você tem que assumir a responsabilidade."
Alina congelou, seu rosto instantaneamente ficando vermelho ao entender o significado por trás de suas palavras. Ela lutou para se libertar, mas Leo só apertou seu abraço.
"Você foi tão agressiva ontem à noite, querida. Por que está tentando fugir agora?" ele provocou, sua voz rouca.
"L-Leo, me solta!" Alina protestou, mas o homem apenas sorriu antes de capturar seus lábios mais uma vez.
O beijo deles se aprofundou, reacendendo a paixão da noite anterior. Alina não conseguiu resistir e, naquela manhã, eles mais uma vez se renderam ao calor entre eles.
Depois daquela noite, o relacionamento deles ficou mais próximo. Mas no hospital, eles precisavam ser cuidadosos. Como diretora e médica, um relacionamento pessoal como o deles poderia causar problemas.
No entanto, Leo nunca foi de recuar diante de um desafio. Em meio ao ritmo frenético do hospital, ele sempre encontrava maneiras de estar perto de Alina. Por meio de olhares demorados, toques escondidos ou desculpas profissionais fabricadas, apenas para roubar momentos a sós.
Infelizmente, a felicidade deles não durou muito. Rina, a médica que estava tentando conquistar Leo desde o início, não havia desistido. Ela começou a executar seu plano perverso.
Naquele dia, o hospital foi lançado ao caos por uma foto circulando – Leo e Rina em um quarto de hotel, em uma situação comprometedora. Os rumores se espalharam como fogo.
"Dr. Leo dormiu com a Dr. Rina?"
"Como isso pôde acontecer?"
A notícia chegou ao conselho médico e eles rapidamente convocaram Leo para uma investigação. Alina sabia a verdade. Ela havia testemunhado o que realmente aconteceu naquela noite. Mas havia um grande problema: se ela expusesse o plano de Rina, seu próprio relacionamento com Leo também viria à tona. Agora, Alina enfrentava um dilema.
Mas ela não ficou parada. Ela precisava agir rápido antes que as coisas piorassem. Usando sua inteligência, ela procurou uma maneira de derrubar Rina sem sacrificar seu relacionamento com Leo.
A investigação a levou a uma pista inesperada – o lugar onde Rina havia comprado a droga naquela noite. Alina visitou a farmácia, fingindo ser apenas mais uma cliente. Com algumas perguntas inteligentes, ela conseguiu extrair a informação que precisava. O farmacêutico se lembrava vividamente do rosto de Rina e da droga que ela havia comprado. Ele até tinha registros de transações que poderiam servir como evidência.
Com a prova em mãos e uma testemunha-chave, Alina agora tinha a chance de limpar o nome de Leo sem expor seu segredo. Rina sorriu, pensando que havia vencido. O julgamento que deveria exonerar Leo agora havia se voltado contra Alina.
"Eu vi com meus próprios olhos", disse a testemunha que Rina havia subornado – um garçom do bar que estava no banco das testemunhas. "A Dr. Aileen foi quem colocou algo nas bebidas deles!"
A sala do tribunal explodiu em murmúrios. Algumas pessoas começaram a olhar para Alina com suspeita.
"Não só isso", Rina acrescentou, com tom cheio de falsa preocupação, "Eu tive a sensação de que algo estava errado desde o início. Achei que ela estava apenas tentando arruinar minha reputação, mas descobriu-se que era mais do que isso!"
A tensão na sala aumentou. Alina, que havia permanecido em silêncio até agora, deu um passo à frente.
"Sou eu mesmo quem fez isso?" Sua voz estava calma, mas pesada de pressão.
Rina se assustou. Algo no olhar de Alina enviou um arrepio pela sua espinha.
"Ela é mesmo humana?" Rina pensou, o pânico aumentando. "Por que ela parece completamente imperturbável?"
Antes que Rina pudesse reagir, Alina revelou sua carta na manga – uma gravação de CCTV do saguão do hotel. Em segundos, a tela grande da sala do tribunal exibiu imagens de Rina escoltando um Leo embriagado para o quarto do hotel. A simpatia que ela havia conquistado rapidamente se transformou em nojo.
"Se eu droguei Leo", a voz de Alina ecoou pela sala, "então por que apenas Leo foi afetado? E olhe para essa filmagem – a Dr. Rina está completamente sóbria!"
Rina foi pega de surpresa. Ela não esperava que Alina tivesse outra evidência. O julgamento que parecia estar se voltando contra Alina agora havia mudado dramaticamente. Os juízes e os membros do conselho médico sussurraram entre si, reconsiderando a nova prova.
"Como você explica isso, Rina?" o juiz principal perguntou rudemente.
Rina entrou em pânico. Suor frio escorria por sua têmpora. Ela olhou para o garçom subornado, esperando por apoio, mas ele agora parecia hesitante.
"Eu-eu... não é o que você pensa..." sua voz tremia.
Leo finalmente falou. "Não é óbvio quem armou quem?" Seu olhar frio perfurou Rina, deixando-a sem palavras.
Alina permaneceu composta. Ela sabia que o jogo ainda não havia terminado de verdade.
O juiz-chefe bateu com sua marreta. "Após a análise de todas as evidências, por meio desta, declaramos a Dr. Rina culpada. Sua licença médica é revogada!"
Leo estava livre. Mas assim que o julgamento foi concluído e as pessoas começaram a se dispersar, um homem de meia-idade do conselho médico se aproximou de Leo.
"Você teve sorte desta vez", ele disse, com tom de advertência. "Mas, da próxima vez, tome cuidado. Não deixe seu relacionamento com a Dr. Alina ser exposto."
Os olhos de Leo se arregalaram. 'Como ele sabe?!'
"Como você sabe?" ele perguntou bruscamente.
O homem simplesmente sorriu. "Eu também já fui jovem. Você acha que pode esconder isso de mim?"
Com isso, ele se afastou, deixando Leo atordoado.
Alina se aproximou dele. "O que ele disse?"
Leo olhou para ela, então sorriu misteriosamente. "Venha para o meu escritório. Eu vou te contar tudo."
Rina pode ter sido derrotada, mas Alina sentiu uma sensação perturbadora. Era como se uma ameaça maior estivesse à espreita nas sombras. Sua suspeita foi confirmada quando um homem misterioso de repente entrou na sala do tribunal.
"Marco?!"
Os olhos de Alina se arregalaram em choque. A mente criminosa por trás de tudo finalmente havia se revelado.
"Acho que esse jogo está começando a ficar chato", Marco disse casualmente, embora o perigo estivesse em sua voz.
Ele não estava sozinho. Vários homens grandes estavam atrás dele – claramente não apenas guarda-costas comuns. Leo imediatamente ficou de pé, pronto para proteger Alina. Mas antes que alguém pudesse reagir, Marco sorriu.
"Se você achou que isso terminaria com a Rina, você está muito enganado", disse ele. Então—
BOOM!
Uma explosão massiva sacudiu o prédio. Estilhaços de vidro voaram por toda parte. Gritos de pânico irromperam. Fumaça encheu a sala do tribunal, obscurecendo a visão. Em meio ao caos, os olhos de Marco se fixaram nos de Alina.
"O jogo", ele sussurrou, "só começou."