Capítulo 121: Salvando Alina
“Você tá completamente maluca, Ve!!”
A voz do Raja explodiu pelo telefone, a fúria dele crua e escaldante. Bateu como um raio, mas a Ve só sorriu, sombria e triunfante. Os olhos dela brilhavam como os de um predador observando a presa se contorcer.
Do outro lado da sala, a Alina estava amarrada, tremendo. O corpo dela tava fraco, mas não foi a dor das cordas que a quebrou, foi ouvir o Raja, o homem que ela amava, sendo chantageado a se render. Mas a voz dela ainda soava clara.
“Não faz isso, Raja! Não cede pra ela! Eu aguento, não tô com medo!”
A Ve virou devagar, os saltos batendo friamente no chão de concreto. Ela se agachou perto da Alina, se aproximando o suficiente pra o hálito dela roçar na pele da Alina.
“Se ele não seguir as minhas regras,” ela sussurrou cruelmente, “eu vou transformar o seu corpo em arte... pintada de vermelho.”
A faca na mão dela brilhou antes de cortar a pele da Alina.
A Alina gritou. O braço dela queimava de dor enquanto o sangue começava a pingar pela manga. Ela arqueou pra trás, engasgando, sufocada pela agonia.
“VE!! PARA!!” A voz do Raja tava desesperada, rachando de raiva impotente.
Mas a Ve não tinha terminado. Um segundo corte, dessa vez mais fundo, sangrou no outro braço da Alina. O corpo dela caiu no chão, atordoado e tremendo. Essa foi a gota d'água.
A voz do Raja caiu, pesada de derrota. “Eu vou fazer… Eu vou casar com você. Eu vou fazer o que você quiser, só não encosta nela de novo. Por favor.”
A Ve exalou devagar, saboreando a vitória. Por um momento, parecia que ela tinha ganhado. Mas o que ela não sabia era que o Raja Mahesa não quebra. Ele se curva pra atacar mais forte. E quando esse momento chegar… a tempestade que ele trouxer vai engolir tudo no caminho.
A manhã seguinte chegou com céus sombrios e ar pesado. Era como se os próprios céus estivessem de luto pelo que ia acontecer. O Raja chegou no local que a Ve tinha dado pra ele, uma vila dilapidada no fundo da floresta. Ele se moveu rápido, os olhos injetados de sangue de uma noite sem dormir.
No momento em que ele entrou, o coração dele gelou. A Alina tava sentada no canto, o corpo dela enrolado em ataduras improvisadas, a pele dela pálida. Ela olhou pra ele, destruída, mas viva.
“Aileen…” A voz dele era um sussurro de angústia.
Antes que ele pudesse correr até ela, a Ve entrou. Ela usava um vestido branco, a pureza dele zombando da escuridão no coração dela.
“Você chegou na hora certa, Raja,” ela disse docemente. “Vamos começar… nosso casamento.”
A Alina lutou pra ficar de pé. “Não, Raja, por favor não faz isso… não por mim…”
A voz dela rachou de dor, os olhos dela implorando. Mas o Raja não disse nada. Ele encarou a Ve, depois desviou o olhar. Aquele silêncio quebrou algo dentro da Alina. A Ve pegou no braço dele e o levou até um altar improvisado. Não tinha flores. Sem votos. Só olhares frios e ameaças mais afiadas.
Um oficial civil estava tremendo na frente deles, dois homens armados pairando atrás dele com facas. Ele leu os votos com uma voz trêmula. Raja e Ve responderam em tons secos. Depois vieram as assinaturas. O livro foi fechado. Era legal. Mas não era real.
Não havia amor. Sem beijo. Apenas feridas que eram mais profundas do que qualquer lâmina. Quando os outros foram embora, apenas três pessoas permaneceram. A sala estava parada, o silêncio mais pesado que o ar.
A Ve foi até a Alina e arrancou a venda dos olhos dela. A Alina piscou contra a luz e viu o Raja, parado congelado. E a Ve, sorrindo como o próprio diabo.
“Acabou,” a Ve murmurou. “Agora cumpra seu dever como meu marido. Me toque na frente dela.”
A voz dela era sensual, mas o ar ficou gelado.
Os olhos da Alina se arregalaram de horror. “Raja… não. Por favor, não…”
O Raja não respondeu. A mandíbula dele se contraiu, o corpo tremendo. A Ve se esticou pra ele, puxando-o pra perto.
“Você pertence a mim agora!” ela sibilou.
A Alina soluçou, lutando pra ficar de pé. “Raja…”
Aquela voz o quebrou. Em um movimento repentino, o Raja agarrou o pulso da Ve e a empurrou com força. Ela cambaleou, chocada.
“Nunca mais encoste em mim!” ele gritou. A voz dele abalou as paredes.
A Ve olhou pra ele, atordoada. Então a fúria a consumiu. Ela alcançou a pistola na cintura e apontou para a Alina.
“Se eu não posso ter você… ninguém vai ter!”
O Raja avançou. Ele derrubou a Ve, os dois caindo no chão embaçados de violência. Foi rápido, brutal. E o Raja ganhou. Ele a imobilizou, pegando a arma e apontando-a pra cabeça dela. A voz dele era baixa, os olhos dele frios.
“Eu fiquei quieto tempo demais. Agora, você vai queimar no seu próprio inferno.”
Um tiro quebrou o silêncio. Os homens da Ve entraram correndo, com as armas levantadas, a tempo de ver ela cair em uma poça do próprio sangue.
“Matem ele!!” um deles gritou.
As balas voaram. Mas antes que uma pudesse atingir o Raja, uma Alina ensanguentada e cambaleante saltou pra frente. O tiro atingiu o ombro dela. Ela caiu nos braços do Raja.
“AILEEN!!” ele gritou. A fúria dele se acendeu.
Olhos brilhando, ele pegou uma segunda pistola e atirou de volta. Um por um, os homens da Ve caíram no chão. Sem piedade. Só vingança. Então zzzzz. O som das hélices do helicóptero encheu o ar.
Uma equipe da SWAT invadiu o prédio, com armas em punho, gritando comandos. O Raja não esperou. Ele levantou a Alina, embalando-a contra o peito, e correu para o helicóptero de resgate esperando atrás da vila.
“Levem ela pro hospital AGORA!” ele latiu.
Dentro do helicóptero, a Alina estava quase inconsciente. A pele dela estava fria. Os lábios dela pálidos. Mas o Raja segurou a mão dela com força, se recusando a soltar.
“Aguenta firme, Aileen,” ele sussurrou. “Eu não terminei de te amar.”
O helicóptero decolou, levando-os para o céu, deixando para trás a destruição de um pesadelo e o começo de uma guerra ainda por ser vencida.